Grupo +Unidos é destaque no Valor Econômico

Com a participação de mais de cem empresas, a ideia do Grupo +Unidos é ampliar os investimentos sociais dos EUA no Brasil.

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VALOR ECONÔMICO – NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS – SÃO PAULO – 25/08/10 – Pg. F2

Por Silvia Torikachvili

Cada vez mais companhias com projetos sociais similares ou complementares buscam o apoio do Grupo + Unidos – parceria entre a missão diplomática dos EUA em Brasília e a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional)”. O objetivo é construir pontes entre programas que visem resultados mais abrangentes e com maior impacto.

Essa nova possibilidade de investimento social começou em 2006, com a participação 30 empresas. Hoje já são mais de cem. A ideia do + Unidos, segundo Alex Alves, responsável pelo desenvolvimento de parcerias da Usaid, é ampliar os investimentos sociais dos EUA no Brasil.

O primeiro relatório que quantificou o investimento social dos americanos no país foi divulgado em 2008. Revelou que, entre 2006 e 2007, foram investidos mais de R$ 200 milhões em cerca de 800 projetos. Perto de seis milhões de pessoas foram beneficiadas diretamente e 32 milhões, indiretamente. Ao mapear as prioridades dos investimentos sociais foram identificadas, pela ordem, as áreas de educação, meio ambiente, empregabilidade e saúde.

Parceria em educação, por exemplo, é o projeto compartilhado entre o Walmart e a IBM, na Bomba do Hemetério, bairro da periferia do Recife (PE), onde a rede varejista mantém uma escola social com a finalidade de capacitar jovens para o primeiro emprego. Com uma população de quase 12 mil pessoas, a Bomba é um celeiro cultural com forte vocação turística. Essa característica da região desperta nos jovens do bairro, conforme conta Paulo Mindlin, diretor de responsabilidade social do Walmart, a percepção de que aprender inglês tem tudo a ver com o progresso pessoal. A entrada da IBM, com softwares, equipamentos e divisão de recursos, não demorou.

“Estamos sempre em busca de projetos de outras empresas com os quais possamos colaborar”, diz Ruth Harada, diretora de cidadania corporativa da IBM. Para compartilhar o projeto do Walmart, a IBM disponibilizou o Reading Companion, software que facilita o aprendizado de inglês. “Unimos experiências para que os projetos ganhem impacto”, diz Mindlin.

O Reading Companion, lançado no Brasil em 2007, já foi implantado em 14 cidades e em mais de 20 instituições. Na Bomba do Hemetério, o trabalho envolve o governo de Pernambuco, que destacou seis escolas públicas para participar.

O meio ambiente foi a área que aproximou a Embrapa e a Fundação Cargill. No Brasil, onde 57% da população ainda não têm esgoto coletado, segundo números do Instituto Trata Brasil, o projeto de fossas biodigestoras pode ser um modelo a ser replicado – em parcerias, com baixo investimento e bons resultados. A redução de casos de infecções intestinais possibilitaria economia de R$ 745 milhões só em despesas de internação no SUS ao longo dos anos.

De olho nesses números, Denise Cantarelli, gerente da Fundação Cargill, conta que a organização tinha interesse em investir no bioma amazônico, especificamente na zona rural de Porto Velho, em Rondônia. Com recursos de US$ 80 mil – 90% da Usaid e o restante da Cargill, que também faz a administração do programa e a gestão do investimento, o projeto de fossas biodigestoras entrou na casa de 17 famílias de Porto Velho.

Os relatos dessas primeiras famílias contempladas serão ouvidos no próximo mês. “Mas já sabemos que a implantação dos biodigestores diminuiu a incidência de doenças”, adianta Denise. Na Embrapa, Álvaro Macedo da Silva, chefe da instrumentação agropecuária, enumera outros benefícios. “Esse modelo de saneamento tem um papel social importante para comunidades rurais”, diz. “Além de quebrar o ciclo de problemas de saúde, preserva o lençol freático e o material coletado se transforma em adubo orgânico para a lavoura.” Para Macedo, essas inovações têm de sair das prateleiras e ficar à disposição de empresas interessadas em levar saneamento às áreas onde mantém suas fábricas.

 

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