Construção da competitividade sustentável irá criar as bases para o desenvolvimento da África a longo prazo.

A crise econômica global nos lembra que a África é um país vulnerável aos choques econômicos, que necessita de uma estrutura econômica estável, de um setor privado doméstico fortalecido e de menos dependência de fontes externas de financiamento e investimento. É somente por meio da construção de um setor privado que funcione corretamente que uma instituição sólida para o desenvolvimento da África poderá ser criada.

Para que essa instituição resista ao teste do tempo, algumas limitações fundamentais devem ser trabalhadas: infra-estrutura precária,  sistema educacional defasado, falta de competências básicas e corrupção endêmica. Além disso, mais empresas africanas devem migrar da economia informal para a formal, afim de tornarem-se mais competitivas no mercado global.

Essencialmente, temos que parar de estimular o crescimento não sustentável. Isso significa que a comunidade internacional, os governos e setor privado têm de trabalhar em parceria com foco  na construção da competitividade, enfatizando o potencial da África e  o seu valor para a economia global.

Devemos ter um entendimento claro e coletivo acerca das áreas que África pode e, definitivamente, não pode competir no mercado internacional. É somente potencializando as principais vantagens competitivas e investindo, a longo prazo, em inovação, educação e nas habilidades específicas, que o crescimento sustentável acontecerá de forma efetiva. A economia africana precisa se focar em seus pontos fortes, criar centros de excelência competitiva e investir no que eles produzem de melhor. É difícil imaginar a África competindo efetivamente com a Ásia na produção de componentes eletrônicos, no entanto, no agronegócio, turismo, energia limpa e renovável, a África tem um grande potencial ainda não explorado.

Os desafios do desenvolvimento da África podem ser vistos como uma oportunidade de negócios pelo setor privado, que precisa pensar a longo prazo e se comprometer em investir nos setores que oferecem o maior potencial de crescimento. Afim de que isso se concretize, é necessário garantir um ambiente de negócios estável, previsível e de baixo.

Além do pagamento de impostos e a criação de empregos, grandes companhias multinacionais  também podem apoiar o desenvolvimento da cadeia de fornecimento, a capacitação de mão-de-obra local e o aprimoramento de habilidades, talentos e competências. Isso não se trata de caridade, mas sim de bom senso nos negócios. Grandes companhias internacionais devem operar da mesma forma que operam em países desenvolvidos,  com responsabilidade e transparência. Devem ainda, contribuir com as questões ambientais e sociais, ajudando na conservação dos recursos naturais e promovendo a inclusão social.

Podemos citar alguns exemplos de parcerias que deram certo, como por exemplo, o comprometimento dos anglo-americanos em apoiar os trabalhadores da África do Sul, portadores do vírus HIV. O programa de HIV/AIDS no ambiente de trabalho da InWEnt, em parceria com a Ford,  bem como a parceria entre a Heineken e a Coca-Cola que utilizam seus canais de distribuição para beneficiar a sociedade, são exemplos de boas práticas de negócios que contribuem para o desenvolvimento.

Tomadores de decisões e empresários precisam ajudar os países africanos a identificar e nutrir suas vantagens competitivas, habilitado-os a se tornarem os melhores e mais competitivos produtores ou prestadores de serviço. Isso é uma tarefa difícil, requer uma visão a longo prazo e comprometimento de todas as partes. No entanto, isso pode ser feito. No meu país, Brasil, nós tomamos a decisão de nos tornar-mos melhores e mais competitivos produtores de commodities, incluindo etanol, cana de açúcar, carne (proteína animal) e soja. Nós temos desfrutado 20 anos de crescimento e estamos atraindo o maior investimento global, depois dos Estados Unidos e da China.

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