Ricardo Pelegrini

IBM: Profissionais globais por Ricardo Pelegrini

Executivos de empresas globalmente integradas estão habituados à ideia de, um dia, poderem ser transferidos para outro país. O objetivo das designações internacionais é promover um intercâmbio de conhecimentos e experiências dentro das empresas. Ao transferirem um profissional, as grandes companhias estimulam trocas culturais e permitem que informações sobre o modelo e o estilo de negócios de um determinado país circulem dentro da empresa.

Durante minha carreira, tive a oportunidade de trabalhar e estudar fora do Brasil, nos Estados Unidos e na Itália, e pude perceber que, mesmo nas multinacionais que têm processos padronizados e modelos de conduta preestabelecidos, as diferenças culturais estão presentes. Cada país e, consequentemente, cada filial, possui características e hábitos bem específicos. Saber respeitá-los e, mais do que isso, valorizá-los é uma atitude necessária e muito inteligente do ponto de vista de negócios.

Essa habilidade torna-se ainda mais relevante com a proeminência de novos mercados. Países antes tratados como ilustres desconhecidos hoje estão no centro da economia.

Em 2011 o Banco Mundial publicou um relatório em que abordava este cenário. De acordo com a publicação, enquanto em 1995 os países emergentes e em desenvolvimento eram responsáveis por 30% do comércio mundial, em 2010 este número já chegava a 46%.

Além do modelo de designação internacional tradicional, hoje as organizações investem também em programas de voluntariado corporativo internacional. Este tipo de iniciativa atende à necessidade cada vez maior de formar líderes com perfil global.

Diferenças. Ao desenvolverem projetos em organizações sociais, governos e pequenas empresas em outros países, os profissionais aprimoram uma série de habilidades. Aprendem a trabalhar em ambientes com recursos financeiros mais restritos, a lidar com pessoas de diferentes formações e ganham conhecimento a respeito do cenário social da comunidade e localidade em que estão inseridos. Experimentam, ainda, a satisfação proporcionada pelo engajamento em atividades deste tipo.

A organização pode e deve ser pró-ativa e parceira de seus funcionários no desenvolvimento de atividades voluntárias. Ganha a sociedade, que tem acesso à experiência que antes era aplicada somente a empresas privadas, o funcionário, que desenvolve competências e habilidades novas, e a empresa, que contará com uma equipe mais qualificada e preparada para os desafios do mercado global.

Exemplo disso é o programa de voluntariado internacional que a IBM iniciou em 2008. Funcionários do mundo todo,

executivos ou não, são escolhidos para atuarem como voluntários em equipes multiculturais, em projetos que visam a
estimular o desenvolvimento de ONGs e órgãos públicos de países em crescimento. Somente ao Brasil já vieram mais de 150 voluntários estrangeiros e mais de 60 brasileiros já viajaram para outros países.

Um dos requisitos para seleção dos participantes é o desempenho dos funcionários. São selecionados aqueles considerados de alto potencial e a participação no programa é uma das atividades voltadas à formação de profissionais com visão global, tão essencial para o sucesso da companhia hoje.

O trabalho começa bem antes do dia do embarque. Os voluntários passam por uma fase de estudos a respeito da cultura e história do país para o qual irão viajar. Conhecer os hábitos culturais é o ponto de partida para um intercâmbio bem-sucedido.

Em 2009, a Harvard Business School conduziu um estudo a respeito do primeiro ano desse programa. Os participantes entrevistados disseram que o contato com outras culturas os fez refletir a respeito de seus próprios comportamentos e passar por transformações pessoais.

O intercâmbio com os demais participantes, vindos de países diferentes, também foi um fator que impulsionou amadurecimento profissional. Os entrevistados apontaram, ainda, terem obtido resiliência e também confiança em suas próprias habilidades, ao lidarem com novos desafios e adversidades. A vivência global, profissional ou voluntária, é importante aliada no desenvolvimento de lideranças. É fundamental expandir nossos horizontes quando trabalhamos, fazemos negócios e vivemos em um mundo cada vez mais plano.

Fonte: O Estado de S. Paulo 

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