Embaixador Clifford Sobel: Brasil e EUA: Esforço por maior integração

Entrevista do embaixador Clifford M. Sobel com a revista “Panorama Mais Sabor”
publicação da Kraft Foods, 27ª ed. (jul-ago-set de 2007)
Em entrevista exclusiva à revista Panorama Mais Sabor, o embaixador dos Estados Unidos fala sobre os temas que dominam a agenda de integração entre os dois países.

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford M. Sobel, no cargo desde 2006, defende uma maior integração entre os dois países e aponta áreas de interesse e cooperação possíveis e a necessidade de um esforço conjunto no desenvolvimento de ações de Responsabilidade Social. Um grupo formado por representantes de empresas norte-americanas instaladas no Brasil, entre elas a Kraft Foods, já trabalha conjuntamente neste sentido. A seguir, uma entrevista exclusiva do embaixador para a revista Panorama Mais Sabor:

Panorama Mais Sabor — Como representante de um dos países com os quais o Brasil mantém importantes relações institucionais e comerciais, que formas de cooperação o senhor acredita serem possíveis e que possam contribuir com avanços econômicos, políticos e sociais para os dois países?

Clifford M. Sobel — Em pimeiro lugar, gostaria de dizer que as sinergias entre Brasil e Estados Unidos são muitas. A dimensão geográfica, a diversidade cultural e o espírito empreendedor são alguns exemplos de semelhanças entre os dois países. Tão importante quanto essas sinergias é a vontade política dos dois governos de trabalharem em conjunto. Por isso, vivemos um momento único e de muitas oportunidades de cooperação. Na área técnica, por exemplo, nos setores de biocombustíveis e de tecnologia da informação. Na área comercial, estamos implementando atividades conjuntas no âmbito do diálogo comercial Brasil-Estados Unidos. Na área de desenvolvimento, temos projetos em parceria com diveras ONGs brasileiras. Por fim, em outubro de 2006, iniciamos um esforço na área de responsabilidade corporativa com empresas americanas cujo objetivo é fomentar investimentos sociais no Brasil.

PNR — O senhor tem se referido a este como o ano do engajamento pela democracia nos países Ocidentais. Quais serão as áreas prioritárias que vão concentrar sua atuação como embaixador no Brasil?

C.S. — Faz parte do nosso esforço estimular maior interação entre governadores de estados americanos e brasileiros, entre os presidentes de empresas americanas e brasileiras, entre o setor industrial brasileiro e a National Manufacturers Association, entre universidades, etc… Apesar da proximidade geográfica, precisamos fortalecer as relações entre instituições de nossos países. outa área de grande interesse diz respeito à competitividade, na qual estamos tentando desenvolver uma agenda bilateral. Neste ano, tivemos o primeiro Congresso Brasil-Estados Unidos para competitividade, em julho, em Brasília, organizado pelo Movimento Brasil Competitivo e pelo U.S. Council on Competitiveness. Destaco a Responsabilidade Social Corporativa como outro grande tema de engajamento, com empresas americanas para fomentar investimentos sociais no Brasil. Uma primeira fase desse projeto, em andamento, consiste em levantar informações sobre os investimentos, áreas de interesse e seus impactos, o que já tem resultado em parcerias concretas entre empresas, governos e terceiro setor.

PNR — No Brasil, governo e diferentes segmentos estão investindo nas parcerias público-privadas para aumentar a velociadde do crescimento econômico interno. Que áreas podem atrair o interesse de investidores norte-americanos no País?

C.S. — Não tenho dúvida que, em breve, o Brasil passará por uma fase de grande expansão no seu setor de infra-estrutura. Esse setor certamente trará investimentos externos ao país. Na medida em que o País progride, nós estaremos avaliando como avançar nesse processo. Quando o Secretário do Tesouro Henry Paulson vier ao Brasil, no final deste ano, o tema investimentos certamente estará na agende dele.

PNR — As parcerias entre empresas e organizações civis têm sido também uma forma de buscar soluções que reduzam as desigualdades sociais. Na sua opinião, que temas sociais são cruciais para o Brasil?

C.S. — Como parte da iniciativa de responsabilidade social da Embaixada, levantamos uma série de informações relativas aos investimentos sociais de empresas americanas no Brasil que têm nos trazido várias reflexões interessantes. Por exemplo, podemos perceber uma certa concentração de investimentos em quatro ou cinco áreas, como educação, empregabilidade de jovens, saúde e meio ambiente. Provavelmente, esses são alguns dos principais temas sociais sendo trabalhados no Brasil hoje. Mas, tão importante quanto definir esses temas é determinar como podemos trabalhar para melhorar os indicadores nas áreas de educação, saúde e meio ambiente, por exemplo. Tenho ouvido das empresas americanas no Brasil que elas precisam, e querem, trabalhar em conjunto para que seus investimentos sociais sejam ainda mais efetivos. Um outro ponto importante a ser mencionado é que estamos todos em constante aprendizado. Acredito que a questão-chave é definir como podemos trabalhar juntos, combinando esforços e estimulando a troca de informações e experiências na área social.

PNR — Na sua opinião, as empresas norte-americanas ou multinacionais em geral têm a obrigação de desenvolver programas de Responsabilidade Social nos países onde atuam?

C.S. — Responsabilidade social jamais deve ser encarada como uma questão de obrigação por parte do setor privado. Quando isso acontece, os resultados acabam sendo limitados e muitas vezes insustentáveis. Atualmente, as empresas socialmente responsáveis estão em uma posição de vantagem nos mercados em que atuam. As empresas cidadãs acabam desenvolvendo uma relação muito mais sólida com seus clientes, fornecedores, funcionários e governos. Acredito que responsabilidade social é acima de tudo uma questão de valores e princípios. A boa notícia é que a grande maioria das empresas tem adotado essa filosofia. A maior prova disso está na rede de voluntários que encontramos nas empresas. Em levantamentos recentes, constatamos que as 30 maiores empresas americanas no Brasil têm uma rede de voluntários da ordem de 100 mil pessoas. Ainda há muito o que fazer, mas esses números nos mostram que estamos no caminho certo.

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