Responsabilidade social empresarial é vista como atitude inteligente das empresas

Motivações para praticar boa cidadania variam de empresa para empresa
Washington — Os tempos mudaram desde que o famoso economista Milton Friedman escreveu em seu livro de 1962, Capitalismo e Liberdade, que a única responsabilidade social para executivos de empresas era aumentar ao máximo a renda e a riqueza dos seus acionistas.

Atualmente, empresas progressistas reconhecem que o aumento do lucro não é tudo que interessa em suas práticas comerciais: elas também devem contribuir para o bem público mais abrangente e tratar seus funcionários, no mínimo, com dignidade e respeito. Tal prática comercial é chamada de responsabilidade social empresarial (RSE).

Segundo declarações do diretor do Escritório de Assuntos Trabalhistas Internacionais e Responsabilidade Social Empresarial do Departamento de Estado, James Viray, ao USINFO, em 2 de agosto, as empresas têm “várias motivações” para praticar a boa cidadania em sua comunidade, seu país e no mundo.

Viray disse que algumas empresas praticam a RSE “porque acreditam que ser socialmente responsável é bom para os negócios — seja mediante a construção da reputação de sua marca, a diminuição dos riscos ou a melhoria da manutenção e produtividade dos funcionários, só para citar alguns benefícios”. Outras adotam a RSE, acrescentou, “porque acreditam simplesmente ser a coisa certa a fazer”, enquanto “outras ainda podem fazê-lo devido a uma combinação desses motivos”.

Segundo Viray, a participação de empresas nas próprias iniciativas de RSE do Departamento de Estado demonstra “preocupação genuína com os direitos humanos e trabalhistas”.

As iniciativas do Departamento de Estado, continuou, incluem os Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos e o “diálogo com as várias partes interessadas no trabalho infantil do setor cacaueiro”.

Os Princípios Voluntários são um conjunto de normas que orientam as empresas para manter a segurança de suas operações e garantir o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais. O debate sobre o trabalho infantil refere-se a um projeto na África Ocidental em que verbas dos EUA para organizações não-governamentais propiciaram educação e capacitação a crianças forçadas a trabalhar na produção cacaueira. Mais de 6 mil crianças resgatadas de algumas das piores formas de trabalho infantil por meio desse programa estão agora matriculadas na escola.

Larry Palmer, presidente da Fundação Interamericana (IAF), declarou ao USINFO que “comunidades prósperas são boas para os negócios”, assim como as “empresas de qualidade são as que cuidam de suas comunidades”.

“Quando empresas e comunidades combinam forças em âmbito local, onde as pessoas vivem e enfrentam seus problemas diários, elas criam sociedades mais fortes”, afirmou Palmer, cuja fundação é uma agência americana destinada a promover o desenvolvimento na América Latina e no Caribe.

Segundo Palmer, sua agência vem “testemunhando a disseminação” da RSE na América Latina. Para esse propósito, disse ele, “tentamos, com êxito, persuadir importantes empresas latino-americanas e fundações empresariais de que os recursos canalizados para seus programas de RSE podem ser investidos de forma sensata em iniciativas locais bem-sucedidas, financiadas por nós há quatro décadas”.

De acordo com ele, a RedEAmerica, rede de 61 fundações empresariais da América Latina e do Caribe, que se uniram à sua agência para apoiar o desenvolvimento local, é o principal veículo da IAF para atrair mais recursos das empresas para esforços comunitários de auto-ajuda. Além disso, como parte de seu programa de verbas para o desenvolvimento, a IAF tem financiado projetos que levam empresas e organizações não-governamentais e locais a fazer “parcerias dinâmicas”, disse.

Palmer citou como exemplo a empresa boliviana Irupana Andean Organic Foods, que trabalha em estreita colaboração com uma organização subsidiada pela IAF, a Associação Boliviana para o Desenvolvimento Rural (conhecida como PRO RURAL), para ajudar agricultores locais a melhorar a qualidade de sua quinoa cultivada de forma orgânica e a cultivar amarante para ser usado como erva. A quinoa é um grão utilizado como substituto do arroz.

“Um mercado mundial forte para quinoa de boa qualidade significa mais lucros para os agricultores e para a Irupana [Foods], cujas exportações de quinoa aumentaram mais de dez vezes em apenas quatro anos”, afirmou Palmer. Ele acrescentou que “esse é um exemplo promissor envolvendo uma empresa socialmente responsável, uma organização não-governamental eficiente e várias organizações de pessoas esforçadas, todas envolvidas com os cidadãos comuns”.

HUMAN RIGHTS WATCH FAZ COMENTÁRIOS SOBRE RSE

Segundo Arvind Ganesan, da organização não-governamental Human Rights Watch, na década passada ocorreu uma mudança acentuada nas atitudes das empresas em relação à RSE.

Ganesan, diretor do programa para empresas e direitos humanos dessa organização, disse ao USINFO que dez anos atrás as empresas negariam ter responsabilidades em relação aos direitos humanos. Agora, todas elas, até certo ponto, reconhecem suas responsabilidades nessa questão.

Se realmente as empresas cumprem essas responsabilidades com os direitos humanos já é “outra coisa”, afirmou Ganesan, ao falar de RSE em conferência sobre direitos humanos no Departamento de Estado, de 18 a 20 de julho.

Em sua opinião, a RSE pode funcionar quando uma empresa coloca políticas e procedimentos sobre direitos humanos em seu portfólio e se compromete a cumpri-los.

Ganesan será um dos vários palestrantes da conferência sobre RSE a ser realizada em São Francisco, de 23 a 26 de outubro. Várias autoridades dos EUA também devem participar do evento, patrocinado pelo grupo Empresas pela Responsabilidade Social.

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