MULHERES ENTRAM EM TERRITÓRIO MASCULINO NA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO

por | nov 16, 2017

(Bloomberg) – Ryu Bokyoung tem certeza de que consegue executar qualquer trabalho feito por homens na enorme refinaria de Ulsan, na Coreia do Sul, inclusive escalar torres de aço de 100 metros de altura e virar a noite fazendo reparos na planta. Os desafios enfrentados por ser mulher no setor de petróleo, tradicionalmente dominado pelos homens, nunca foram impedimento.

Mas ela teme que isso mude quando ela tiver um bebê.

Recém-casada, a engenheira de 28 anos agora estuda opções para quando tiver filhos. Será inevitável tirar licença, devido à preocupação de segurança em relação a uma grávida no que diz respeito a escalar torres e a dificuldade de ficar longe do bebê a noite toda.

“Se fosse homem, não teria que me preocupar com essas coisas”, disse Ryu, que entrou na SK Innovation, a principal empresa de refino do país, em 2012.

Mulheres como Ryu são pioneiras em um setor em que cerca de 80 por cento da forçad e trabalho global é masculina e os banheiros femininos são uma adição relativamente nova em algumas refinarias. Mas no rescaldo do colapso dos preços do petróleo, que começou há três anos, as grandes petroleiras estão redefinindo seu modelo de negócios e percebendo que contratar e manter mais mulheres é algo que aumentaria a rentabilidade.

As empresas da Ásia, retardatária em relação a outras regiões em diversidade de gênero, agora estão recuperando o atraso. A SK e a japonesa Showa Shell Sekiyu, por exemplo, estão focando mais em funcionárias mulheres.

“As mulheres são sub-representadas no setor de petróleo e gás em geral e a Ásia não é exceção”, disse Katharina Rick, sócia da Boston Consulting Group e coautora de um relatório sobre promoção do equilíbrio entre gêneros no setor de petróleo e gás. “O setor fez várias tentativas desde o fim da década de 1980 para se transformar em um ambiente de trabalho mais inclusivo, mas os números não aumentaram tão rapidamente quanto em outros setores.”

As mulheres representam apenas 22 por cento da força de trabalho no setor de petróleo e gás, uma das menores proporções entre os principais setores, segundo o relatório da BCG. Apenas o setor da construção tem classificação menor, com uma representação feminina de 11 por cento. O setor financeiro tem uma proporção de 39 por cento, enquanto a saúde e o trabalho social têm 60 por cento de participação feminina.

As mulheres representam cerca de 30 por cento da força de trabalho nas grandes empresas multinacionais de petróleo, como a Exxon Mobil, dos EUA, e a BP, do Reino Unido, mas a proporção cai para menos de 10 por cento em muitas grandes empresas asiáticas de refino, como a indiana Reliance Industries, a sul-coreana S-Oil e a japonesa Idemitsu Kosan, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Uma das proporções relativamente melhores da região pode ser encontrada na Showa Shell, empresa em que cerca de 24 por cento dos funcionários são mulheres. Com raízes na Royal Dutch Shell, com sede em Haia, a empresa vem buscando aumentar o número de funcionárias nos últimos 20 anos a pedido da sua antiga empresa controladora europeia. Alguns números mostram sucesso: pela primeira vez neste ano a companhia contratou mais mulheres com diploma do Ensino Superior do que homens. Contudo, o conselho de administração, com oito cadeiras, conta com apenas uma mulher.

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