NÍVEL DE GOVERNANÇA DAS EMPRESAS MELHORA, MAS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DITAM AS REGRAS

por | dez 5, 2017

Ana Neira, O Estado de S.Paulo

Uma pesquisa inédita realizada pela consultoria KPMG revela que entre 2010 e 2017, a quantidade de empresas que contam com um comitê de auditoria cresceu 32% em um total de 223 empresas avaliadas. Além disso, 73% dessas companhias possuem auditoria interna. Números positivos, mas que causam certa preocupação por refletirem apenas a realidade de companhias integrantes do Novo Mercado ou dos níveis I, II e Básico da B3. Na prática, nem mesmo a listagem em bolsa garante as melhores práticas de governança em sua totalidade.

Essa é a avaliação do professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e sócio-fundador da Direzione Consultoria, Alexandre Di Miceli. “No geral, as empresas ainda estão muito focadas no curto prazo e as boas práticas ficam sempre para depois, falta priorização desse setor. A preocupação vem quando desejam integrar o Novo Mercado, fazem o mínimo necessário e depois esse tema deixa de mrecer atenção”, diz.

Outro dado do estudo indica que a composição dos conselhos também mudou com o passar dos anos: entre 2016 e 2017, a presença de conselheiros externos passou de 41% para 52% no Novo Mercado  – o mais alto patamar de governança da B3 – (com 127 empresas listadas) e de 35% para 56% no Nível 2 (com 26 companhias). As participantes possuem ações entre as 50 mais negociadas no segmento Básico.

Parte dessa evolução explica-se pela própria legislação brasileira, observa o advogado André Castro Carvalho, sócio do Braga Nascimento e Zilio Advogados. Ele destaca a Lei Anticorrupção, promulgada em 2015; o Código Brasileiro de Governança Corporativa, de 2016; e a Lei das Estatais, sancionada no ano passado e que passará a valer a partir de 2018.

“É um conjunto de regras que obrigam as empresas a seguirem padrões mais rígidos de ética, com processos mais isentos. Com elas, é natural que haja mais adequação e, por consequência, maior valor de mercado”, avalia.

Perspectivas. Para Sidney Ito, sócio-líder da KPMG em consultoria de governança corporativa e riscos, leis maduras trazem uma conscientização inevitável sobre a importância do tema.

“Uma empresa que não se preocupa em desenvolver sua área de governança perde valor de mercado, perde a confiança de seu público e seus investidores. Daqui algum tempo não iremos mais discutir isso porque qualquer empresa listada, por exemplo, estará cumprindo toda e qualquer regra de boas práticas”, aposta.

No entanto, Alexandre Di Miceli, da Direzione Consultoria, acredita que esse momento já passou quando o ambiente empresarial brasileiro é analisado e comparado a outros países vizinhos como Argentina e México.

“Nem estou citando mercados muito avançados. Valorizar auditoria e afins não é ponto de partida, é ponto de chegada. É preciso discutir seu funcionamento e não ficar apenas na implementação. Enquanto tudo isso for check list para listagem na Bolsa, não avançamos”, critica.

Fonte: http://economia.estadao.com.br

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *