INSERÇÃO DOS JOVENS NO MERCADO É CHAVE PARA RECUPERAR ECONOMIA

por | ago 20, 2018

“Meu maior sonho é me encontrar na minha profissão, ser uma pessoa realizada fazendo o que gosto. Quero explorar todas as oportunidades que surgirem para criar meu mundo e mostrá-lo a todos. Quero que todos conheçam minhas ideias”, conta a estudante de moda Maria Roberta Moreira, 20 anos, quando perguntada sobre o seu maior sonho. Moradora do Pina, Zona Sul do Recife, egressa do ensino público, ela engrossa as fileiras de milhões de jovens brasileiros à espera de uma oportunidade para entrar no mercado de trabalho.

A inserção da mão de obra de até 24 anos nas estatísticas de pessoas ocupadas deve receber ainda mais atenção em agosto, celebrado o Mês da Juventude. De acordo com o relatório Competências e Empregos: Uma Agenda para a Juventude, produzido pelo Banco Mundial este ano, a produtividade da economia brasileira será cada vez mais pautada pelos jovens de hoje. “A melhor oportunidade que o País do Futuro tem de atingir o status de alta renda é por meio do desenvolvimento de suas competências e do mercado de trabalho de engajá-los plenamente na economia”, afirma o documento.

Lidar com a entrada de pessoas mais jovens no mercado, no entanto, é um desafio para todos os países. A consultoria KPMG, por exemplo, cita o desenvolvimento de políticas públicas para a promoção da entrada de jovens no mercado de trabalho. “Desenvolvimento de estratégias para criar e manter vagas; investimentos de longo prazo com foco em empregabilidade, como uma educação vocacional; e estímulo a setores-chave” são alguns dos pontos destacados pela empresa como desafios em âmbito global.

Na linha do que recomendam o Banco Mundial e a KPMG, o Programa Jovem Aprendiz, através da Lei da Aprendizagem, ajuda a inserir jovens que vieram de escolas públicas, como Maria Roberta, no mercado de trabalho. “Durante um ano e meio pude exercitar a parte prática no RioMar e as qualificações teóricas no instituto. Isso já me ajuda a ter um destaque no currículo, tanto em experiência quanto de conhecimento”, afirma a estudante, referindo-se ao Instituto João Carlos Paers Mendonça (IJCPM).

Entre as qualificações oferecidas pelo instituto, está a adequação do comportamento individual ao que o mundo do trabalho espera. “Hoje os jovens precisam ter iniciativa. Não basta esperar que peçam para fazer algo que tenham independência para ir além”, analisa a consultora de recursos humanos e sócia da Ágilis RH, Georgina Santos.

Já para o coach de carreiras e consultor pessoal Fernando Chaves, os jovens também precisam despertar a sensibilidade para entender a diferença entre o próprio ritmo e o do local onde pretende trabalhar. “É preciso haver uma troca. O jovem tem a rapidez, mas pode não ter o conhecimento fruto da experiência dos colegas. Um precisa entender e colaborar com o outro”, sugere Chaves.

Transição demográfica

De acordo com a publicação do Banco Mundial, a velocidade característica dos jovens de hoje pode ser um trunfo brasileiro. Diferentemente de grandes nações que já passaram ou estão passando por uma transição demográfica, o Brasil deve ver sua população idosa superar a de jovens antes de 2030. Os Estados Unidos, por exemplo, passarão por isso na próxima década e países como a França concluíram essa virada no início do milênio.

Fonte: https://jconline.ne10.uol.com.br/

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