EVENTO CSR LEADERS DEBATE O PAPEL DAS TECNOLOGIAS EXPONENCIAIS NOS PROCESSOS DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

EVENTO CSR LEADERS DEBATE O PAPEL DAS TECNOLOGIAS EXPONENCIAIS NOS PROCESSOS DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Cada vez mais, a sociedade civil organizada amplia sua consciência sobre o impacto das consequências provocadas pela atividade empresarial em comunidades nas quais elas atuam. Por isso, de forma crescente, tem exercido força e poder de influência para pressionar as empresas para que assumam sua parcela de responsabilidade quanto às externalidades que geram e encontrem meios para eliminar ou, ao menos, diminuir este impacto.

No último dia 7 de novembro, o Grupo +Unidos realizou o CSR Leaders, encontro anual de executivos voltados à governança corporativa e sustentabilidade com o objetivo de discutir a visão que grandes empresas têm hoje sobre políticas de responsabilidade socioambiental. Organizado pelo Atados, o evento reuniu em uma manhã representantes de grandes companhias atuantes no Brasil ao lado de organizações sociais que promovem o impacto social de maneira inovadora pelo viés da tecnologia.

O tema da segunda edição do evento foi “Data for Good”, a utilização de dados como instrumento de auxílio à resolução de problemáticas sociais e tomadas de decisão. Contribuíram com o debate representantes das organizações Social Good Brasil, Fundação Telefônica Vivo, IBM, Facebook, Instituto C&A, QEdu, Plano CDE, Fundação Natura, Dado Capital, Sigalei, #MeRepresenta e Poder do Voto.  Os palestrantes apresentaram seus principais cases e formas de atuação, evidenciando a importância da ampliação dessa agenda.

No painel de abertura, “Data for Good no Brasil”, Carolina de Andrade (Social Good Brasil), Américo Mattar (Fundação Telefônica Vivo), Alcely Barroso (IBM), João Martinho (Instituto C&A) e Eduardo Lopes (Estação Hack Facebook) comentaram sobre as iniciativas já desenvolvidas no país nesse sentido, além de apontarem caminhos para “estourar a bolha”, ou seja, democratizar a cultura de utilização dos dados em território nacional.

Os painelistas apostaram no trabalho colaborativo, nos programas de acesso à informação e nas políticas de diversidade como estratégias possíveis. “O processo passa pela desmistificação da análise de dados e do que são esses conteúdos. Existe sim um grau de complexidade, mas há sobretudo uma carência de profissionais que tenham algum conhecimento na área. Precisamos romper esse paradigma de que é muito difícil trabalhar com dados para que consigamos gerar interesse”, comentou Américo Mattar, diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo.

Outros dois painéis trataram ao longo do evento dos temas da educação e da política, mostrando como a tecnologia pode ser um catalisador no envolvimento da sociedade com esses assuntos.  “A nossa educação evolui num passo mais devagar do que a tecnologia. (…) Para mim, o papel fundamental do Big Data hoje é forçar a escola a sair do lugar comum, ou seja, determinar as necessidades que elas deverão atender” afirmou Rafael Camelo do Plano CDE sobre essa questão. No que diz respeito à política, os palestrantes conversaram sobre fake news, desburocratização do acesso à informação e colocaram os dados como uma valiosa ferramenta de fortalecimento da possibilidade de uma democracia cada vez mais participativa e representativa.

Aposta-se que iniciativas como essa, que congregam ideais e interesses comuns, podem contribuir para que cada vez mais as tecnologias exponenciais possam ser aliadas da transformação social. Em um período em que uma visão sobre o impacto dos negócios é cada vez mais exigida de consumidores e investidores, a troca de conhecimento e experiências estimula um ambiente em que a inovação esteja mais presente no dia a dia das empresas.

POTÊNCIAS NEGRAS: CONHEÇA O PROJETO DE FINANCIAMENTO COLETIVO VOLTADO PARA MULHERES NEGRAS

POTÊNCIAS NEGRAS: CONHEÇA O PROJETO DE FINANCIAMENTO COLETIVO VOLTADO PARA MULHERES NEGRAS

Mulheres negras podem transformar o mundo. Essa é a crença do projeto Negras Potências, parceria entre o site de financiamento coletivo (crowdfunding) Benfeitoria, o Fundo Baobá e o Movimento Coletivo, organização ligada a Coca-Cola. A iniciativa abriu um edital para mulheres negras que quisessem tocar projetos de empoderamento econômico, combate à violência ou fomento na educação e cultura. Das mais de 100 submissões, 16 projetos foram escolhidos para integrarem a plataforma no endereço da Benfeitoria, abertos para receberem contribuições. A cada R$ 1 arrecadado, o Movimento Coletivo investe mais R$ 2, triplicando o potencial de investimento.

Trabalhar com esses temas foi uma escolha conectada com a sociedade, segundo Yasmin Youssef, gestora de Projetos Especiais na Benfeitoria. Feminismo e o movimento negro são assuntos presentes em diversas camadas sociais. “A gente viu uma possibilidade de empoderamento desses grupos – não só de investir dinheiro, mas de ensinar e empoderar essas mulheres a captar fundos para seus projetos”, explica.

 
Desigualdade de gênero e de raça

Por que é importante falar no desenvolvimento nessa interseccionalidade? Alguns dados são importantes para compreender a realidade de cerca de 25% da população brasileira (IBGE). As mulheres negras tem um rendimento médio muito abaixo a de outras pessoas, como mulheres brancas e homens negros. A média de rendimento é de R$ 800, enquanto o de um homem branco chega a ser quase R$ 1600. Além da gritante diferença salarial, apenas 5,2% das mulheres negras no Brasil chegaram a cursar o Ensino Médio, contra 18,2% das brancas.

E mesmo quando graduadas, elas ganham 43% menos que um homem branco e 27% menos que uma mulher branca, com o mesmo nível de graduação (O Desafio da Inclusão – Instituto Locomotiva).

 
Negras potências

Entre os projetos selecionados, estão iniciativas como capacitação de empreendedoras negras; campanhas de incentivo a carreira científica para meninas negras; produções culturais como um documentário e um espetáculo de circo; cursos de bordado e doula, entre outros.

A ideia é que, após o período de captação de recursos, o Fundo Baobá acompanhe a execução dos projetos. “A captação fecha em novembro, os projetos recebem o dinheiro e o Fundo Baobá acompanha a execução, ver como o que foi captado está sendo destinado”, explica Yousseff.

É a primeira vez que o Movimento Coletivo trabalha com iniciativas relacionadas ao financiamento coletivo e avalia que o trabalho foi muito agregador, segundo Daniela Redondo, Diretora Executiva do Instituto Coca-Cola Brasil. “Gênero e raça são questões fortes que estamos trabalhando de maneira transversal. O Negras Potências era uma oportunidade de investir e potencializar uma causa crucial para o país. Além disso, assumimos dois compromissos empresariais: o da equidade racial e do empoderamento das mulheres. Queríamos fazer isso de maneira mais experimental, recrutando a sociedade civil a participar, trazendo mais luz para essa temática”, explica.

Para conhecer mais sobre os projetos que buscam financiamento, acesse o site Negras Potências.

Fonte: https://economia.estadao.com.br/