CUMMINS INTENSIFICA AÇÕES NA ÁREA SOCIAL

CUMMINS INTENSIFICA AÇÕES NA ÁREA SOCIAL

A Cummins Brasil celebra o balanço positivo das atividades promovidas pela sua área de responsabilidade corporativa ao longo de 2018, ano em que registrou o engajamento recorde de 92% dos seus colaboradores nos trabalhos realizados junto às comunidades nas quais atua.

Além da inauguração da Escola Victor Civita, em Guarulhos (SP), fruto de um ivestimento de R$ 5,5 milhões, a Cummins deu continuidade às ações permanentes voltadas aos campos da educação, meio ambiente e justiça social.

“O recorde de engajamento dos nossos colaboradores é a prova mais concreta de que conseguimos enraizar a cultura do voluntariado nos valores da companhia”, diz Soraia Senhorini Franco, gerente da área de responsabilidade corporativa da Cummins. “Todos os nossos sites têm um plano para o desenvolvimento de suas comunidades e, com isso, estamos fazendo uma transformação na nossa região”.

Dentre os projetos realizados pelos voluntários, destacam-se aulas de inglês, rodas da leitura e ensino de matemática para as instituições próximas de sua fábrica de Guarulhos.

Os colaboradores também doam sangue frequentemente e realizam visitas e asilos, além de terem plantado no ano passado total de 480 árvores como parte do programa Ilhas Verdes. Outro projeto da empresa é o De gota em gota, que envolve a fabricação de cisternas para minimizar os impactos da crise hídrica na região.

“E 2019 tem mais”, garante Soraia. “Vamos trabalhar com o fortalecimento de ONGs, ministrando treinamentos de qualificação para melhor servirem a comunidade. “Será um bom ano para todos nós”.

Além de já ter selecionado a 7ª turma do Formare, a fabricante de motores também desenvolverá  trabalho de consultoria técnica na oficina de costura Pano Pra Manga e intensificará os projetos já implementados dentro da companhia.

Fonte: https://www.autoindustria.com.br/

MICROSOFT TEM NOVA PRESIDENTE NO BRASIL; CONHEÇA

MICROSOFT TEM NOVA PRESIDENTE NO BRASIL; CONHEÇA

A Microsoft brasileira está com novidades no comando: Tânia Cosentino assumiu a presidência da filial brasileira da empresa, substituindo Paula Bellizia, que vai passar a atuar nas operações latino-americanas da gigante da tecnologia.

Cosentino se junta à Microsoft após atuar durante anos na francesa Schneider Electric, onde ocupava a vice-presidência global de qualidade e satisfação do cliente desde outubro do ano passado. Em seu período na multinacional europeia, a executiva liderou a transformação digital da companhia na América do Sul, além de estimular o desenvolvimento de soluções diferenciadas e sustentáveis com o objetivo de agregar valor aos negócios dos clientes.

Dentro da Microsoft brasileira, a expectativa é alta com a chegada da nova comandante. “Tânia traz uma sólida experiência em diferentes empresas e um foco em agregar valor aos negócios dos clientes, totalmente alinhado ao nosso objetivo prioritário de contribuir para a transformação digital de nossos clientes com soluções inovadoras. Tenho certeza que sua ampla visão de negócio e operações e sua liderança em temas extremamente relevantes como diversidade e inclusão, serão fundamentais para a evolução de nossos negócios no Brasil”, disse Cesar Cernuda, presidente da Microsoft América Latina.

Cosentino vai ocupar a vaga que desde julho de 2015 era ocupada por Paula Bellizia. A executiva vai, após mais de três anos no comando da filial brasileira da Microsoft, vai passar a atuar nas operações latino-americanas da companhia, tendo sido promovida a a vice-presidente de Vendas, Marketing e Operações da Microsoft América Latina.

Fonte: https://olhardigital.com.br/

A 3M DESCOBRIU O SEGREDO PARA FAZER JOVENS SE INTERESSAREM POR CIÊNCIA: INVESTIR NO PROFESSOR

A 3M DESCOBRIU O SEGREDO PARA FAZER JOVENS SE INTERESSAREM POR CIÊNCIA: INVESTIR NO PROFESSOR

Ciência é assunto chato. É coisa de quem atua na área de exatas. É difícil, para poucos. Estes são alguns dos mitos que o Instituto 3M decidiu derrubar com a criação da Formação para a Prática da Ciência na Educação Básica, o Desafio de Inovação, um curso gratuito oferecido em parceria com a USP anualmente para profissionais da rede pública. Na prática, lá eles aprendem como orientar projetos de ciência de alunos do ensino fundamental e médio. Não tem espaço para molecagem: são 110 horas de aulas, 28 delas presenciais, além de uma série de atividades ao longo da formação. Em 2018, em sua sexta edição, o curso aconteceu entre março e novembro e garantiu a nova aptidão a 30 professores.

“Promover a ciência e a tecnologia é a missão global da 3M, por isso investimos em educação nessa área. Queremos que os professores de escolas públicas sintam-se seguros para estimular os alunos”, conta Liliane Rodrigues, 35, coordenadora de projetos sociais do Instituto 3M. Para ter um impacto tão relevante, o curso é gratuito, para profissionais da rede pública, e feito com a autorização da Secretaria Estadual da Educação, que ajuda na divulgação para os professores sempre que as inscrições são abertas. Ao investir tempo na formação, os profissionais ganham pontos para progredir na carreira, conta Liliane.

“Queremos fomentar o desenvolvimento da chamada STEM, que inclui Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O ponto-chave é que, com o curso, não investimos só na molecada, mas fomentamos este olhar nos professores. As coisas ganham mais força assim”, conta Paulo Gandolfi, vice-presidente do Instituto 3M e, a partir de janeiro de 2019, novo diretor de pesquisa e desenvolvimento da companhia.

Afinal, quem pode fazer ciência?

Se é para derrubar mitos, um dos primeiros é o de que os projetos científicos só podem ser desenvolvidos na área de exatas ou biológicas, como conta Liliane:

“Mostramos para o professor que é possível fazer pesquisa em qualquer área. O ideal é estimular o aluno a encontrar um problema que o incomode e a desenvolver um projeto de pesquisa para resolvê-lo”

Ela cita o exemplo de um professor de Educação Física que foi procurado para orientar o projeto de alguns alunos e ficou absolutamente perdido. Os estudantes queriam a ajuda dele para desenvolver um dispositivo que ajudasse pessoas cegas a praticar corrida sem precisar de um acompanhante do lado, já que nem sempre o ritmo das duas pessoas é o mesmo. Liliane conta que a coordenação pedagógica da escola recomendou que ele se inscrevesse na formação do Instituto 3M. “No fim ele ajudou o grupo a desenvolver um sensor que fica no ouvido de quem tem deficiência visual e alerta para evitar que o atleta queime a faixa”, lembra Liliane.

O caminho para instigar alunos a investir na ciência

Para a formação ter mais sentido, o Instituto 3M arremata o projeto com a Mostra 3M de Ciência e Tecnologia, um evento anual que exibe e premia os projetos de estudantes de 35 cidades do interior de São Paulo, da macrorregião de Campinas e de Ribeirão Preto. Os projetos passam por uma pré-seleção para estar lá. A edição de 2018 aconteceu no fim de novembro e teve recorde de inscritos, com 525 projetos para 102 vagas.

O Instituto 3M aponta que o a iniciativa coroa todo o trabalho para fomentar a ciência no ensino fundamental e médio. “É a ponta do iceberg, algo que só acontece com essa qualidade depois de todo o trabalho que fazemos com o curso para professores”, diz Paulo. Assim, de um lado a companhia investe na formação dos profissionais e, do outro, cria um pretexto para que os alunos trabalhem no desenvolvimento de projetos e peçam orientação. “A Mostra de Ciência e Tecnologia é a cenourinha que todo mundo sai correndo atrás”, brinca o executivo.

Enquanto a formação é oferecida apenas para quem dá aula na rede estadual, o evento é aberto a todos e coloca alunos de instituições públicas para competir com os que estudam em escolas particulares sem nenhuma desvantagem, assegura a coordenadora. O evento abrange projetos em sete áreas de conhecimento científico: agrárias, biológicas, ciências exatas e da terra, humanas, saúde, sociais e engenharia.

Ali não tem essa de que quem é de humanas só faz miçanga: todo mundo se adéqua aos parâmetros científicos, independentemente da natureza do projeto. Os pré-requisitos da mostra acompanham os do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), instituição que atua na pesquisa e desenvolvimento para diversos setores. Assim, conta Liliane, o estudante pode aplicar novamente e dar continuidade à pesquisa quando entrar na faculdade.

Os projetos, diz, têm sempre que partir do aluno. “Vemos muitos trabalhos relacionados com questões ambientais e de melhoria da qualidade de vida das pessoas”, conta a coordenadora. Na edição de 2018 da Mostra foram reconhecidos 21 projetos, três em cada área de conhecimento. Os vencedores impressionaram pela qualidade elevada. Nada ali parecia trabalho de escola, com pesquisas sobre educação financeira, racismo e, ainda, projeto de alternativa aos poluentes canudinhos plásticos.

Os alunos reconhecidos receberam medalha, troféu e prêmio em dinheiro (R$1.100 reais para o primeiro lugar). Os três projetos com melhor nota de toda a Mostra também garantiram vaga na Febrace, Feira Brasileira de Ciência e Engenharia, que acontece em março de 2019. A pesquisa que se destacar no evento conquista uma vaga para concorrer na feira de ciências internacional, nos Estados Unidos.

Professor como agente de transformação

Em todo o processo, a busca do Instituto 3M é por reforçar o papel do professor como agente de transformação. “Os profissionais que realmente abraçam o projeto fazem muita diferença”, diz Paulo. Ele lembra que a coisa toda só funciona com muita paixão. Liliane conta:

“É muito legal ver professores que não se conformam com as dificuldades, com a falta de estrutura. É um esforço coletivo, com muito trabalho fora de hora, nos fins de semana, e mesmo assim eles vão em frente”

Gislaine Aparecida Barana Delbianco, 56, professora da Etec Trajano Camargo em Limeira (SP), sabe bem dos desafios envolvidos, mas diante dos potenciais bons resultados, sempre acaba topando orientar uma série de projetos. “Ela é conhecida por ser rigorosa, por cobrar demais. Os alunos muitas vezes se assustam, mas depois entendem quando alcançam bons resultados”, conta Liliane. Gislaine admite que não facilita para ninguém: “Nós não podemos passar a mão na cabeça. Temos que preparar os estudantes para os desafios que eles vão enfrentar na vida.”

Em 2017 a postura exigente da educadora fez um grupo de alunos reclamar. Em seguida, no entanto, o trabalho deles se destacou na Mostra 3M, foi para a Febrace e, depois de ganhar reconhecimento na feira nacional, acabou escolhido para representar o Brasil na feira de ciências dos Estados Unidos. “Eles voltaram da viagem agradecendo a ela”, conta Liliane, rindo da firmeza e da paixão com que Gislaine trabalha. ”Sou professora há 30 anos e hoje não consigo mais dar aula sem estimular o desenvolvimento de projetos científicos”, conta ela, que  sabe muito bem o que é estar na posição dos alunos, já que nunca parou de estudar: é formada em Química, fez mestrado, doutorado e o curso do Instituto 3M.

“Temos muitas histórias legais de profissionais que passaram pela formação”, conta Liliane. Ela cita também o caso de Carol Fernandes, professora de história, mulher negra, que é mãezona dos alunos, sempre procurada para orientar projetos científicos, ainda que atue na área de humanas. “Ela pega uma série de projetos relacionados principalmente com diversidade e inclusão”, conta.

Para mudar o mundo, comece pequeno

Com as duas frentes – o curso e a Mostra, o Instituto 3M busca empoderar professores e alunos, conta Liliane. “Damos mecanismo para que as pessoas se desenvolvam. Todo mundo sente que pode fazer alguma coisa, pesquisar, levantar um tema capaz de mudar o mundo, ainda que seja devagar.” Ela diz que mesmo os estudantes que torcem o nariz para a escola tradicional acabam se engajando quando precisam trabalhar em projetos em que têm interesse genuíno. Segundo ela, eles superam os mais diversos obstáculos para fazer uma boa entrega. “São histórias de transformação mesmo”, diz.

Os resultados são claros para quem visita a Mostra de Ciência e Tecnologia: um monte de adolescentes com a pesquisa na ponta da língua, prontos para apresentar seus projetos. O Instituto 3M fez recentemente uma pesquisa com estudantes, professores e pais que já se envolveram com a iniciativa nestes seis anos. Entre os 985 alunos entrevistados, 90% disseram que o programa ajudou no rendimento escolar e 96% acreditam que o projeto contribuiu para a escolha da profissão. “Além disso, tanto pais quanto professores concordaram que os estudantes ficaram mais confiantes e comunicativos para expor seus projetos”, conta Liliane.

Segundo ela, a iniciativa tem um efeito multiplicador. Alguns jovens que participam entram na faculdade e, mais tarde, eles mesmos passam a orientar projetos científicos em escolas. Por enquanto, não há nenhum colaborador da 3M que tenha passado pela Mostra, mas o objetivo é mudar isso em breve. “Quero ter a alegria de contratar alguém que começou sua atuação científica por lá”, diz Paulo. Assim, contrariando o senso comum, ele reforça um dos pilares da companhia: a ciência é para todos.

Fonte: https://projetodraft.com/

ESCOLAS PARTICULARES DE SÃO PAULO, RIO E MINAS DIVULGAM CARTA COM CRÍTICAS A VÉLEZ RODRÍGUEZ

ESCOLAS PARTICULARES DE SÃO PAULO, RIO E MINAS DIVULGAM CARTA COM CRÍTICAS A VÉLEZ RODRÍGUEZ

O Grupo de Escolas Critique, que reúne inúmeras escolas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, divulgou uma carta endereçada ao ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. A mensagem apresenta críticas às ideias do titular.

Acompanhem a carta:

Senhor Ministro da Educação,

Nossa longa e ampla experiência na escola nos impele ao dever de contribuir para a atual discussão sobre a educação escolar brasileira. Precisamos começar por esclarecer que o problema de nossas escolas não são ideologias de esquerda em sala de aula, mas a incapacidade do sistema de conseguir que os alunos aprendam. São muitas e complexas as razões que trouxeram a Educação Básica aos péssimos resultados que se repetem há alguns anos. Mas, certamente, entre as muitas principais delas, não estão ideologias de esquerda. Antes podemos nos lembrar da ausência de apreço que se tem, no Brasil, pela escola e a pouca valorização que se dá ao professor, à sua ação e formação. Para citar apenas duas bastante relevantes.

A insistência em enfatizar problemas ideológicos serve apenas para desviar o foco do problema real e prejudica o aprimoramento da educação escolar, tão essencial para que o país se torne viável. A Educação Básica é um problema nacional importante e grave demais para que se reduza a acusações a pretensas maquinações de esquerda.

Considerar que a escola ensina e a família e a igreja promovem a educação moral é uma opinião desatualizada, pois o desenvolvimento moral é inseparável do desenvolvimento intelectual, e a educação das crianças não se limita a memorizar informações e fatos. O conhecimento existe em um contexto, numa abordagem que, necessariamente, envolve o desenvolvimento emocional, social, intelectual, moral e físico do aluno.

Confundir educação moral – que tem como objetivo construir a autonomia do sujeito – com moral religiosa obscurece o conhecimento e relega a aprendizagem a uma pedagogia transmissiva obsoleta.

Aguardamos de Vossa Excelência um projeto coerente, fundamentado, lógico e sensato para enfrentar as dificuldades da nossa educação escolar que precisa cumprir sua função de garantir que as novas gerações compreendam e contribuam para o aperfeiçoamento da sociedade.

Não concordamos que – num país em que muitos alunos não chegam a aprender a ler – se tenha como meta principal vigiar professores e criar Conselhos de Ética, nas escolas, para “zelarem pela “reta educação moral dos alunos”. Excelência, escola é lugar de falar de alfabetização, comunicação, pensamento lógico, científico, humanidades, moral, tudo o que fundamenta o acervo cultural da humanidade. O pensamento moral implica transformação interna do sujeito, que se constrói discutindo ações e conhecimentos, e não com punição e obediência.

No texto “Um roteiro para o MEC”, Vossa Excelência se preocupa com “uma estrutura armada para desmontar valores tradicionais da nossa sociedade, (…) da família, da religião, da cidadania, em suma, do patriotismo”. Asseguramos que o que existe, de fato, é a dificuldade de aprender dos alunos. Para tanto, os professores não necessitam de vigilância, mas de formação e de valorização.

Alertamos que a Escola sem Partido, que Vossa Excelência considera “uma providência fundamental”, não está atualizada com as pedagogias contemporâneas, discutidas e estudadas em todos os países do mundo que se preocupam com formar gerações que consigam interpretar a realidade, em sua complexidade, para lidar com as transformações radicais decorrentes do mundo digital.

A acusação de que supostas ‘educação de gênero’ e ‘ideologia marxista’ estão infiltradas na escola soa como um discurso anacrônico que remete aos anos da guerra fria no século 20. E é, mais uma vez, um deslocamento da questão realmente grave que é a da dificuldade de tornar as crianças e jovens brasileiros aprendizes eficientes e preparados para os desafios do mundo atual.

O Brasil precisa se educar para o novo mundo, criado pelas novas tecnologias, com questões demasiadamente desafiadoras para a humanidade. Não há tempo a perder com convicções vetustas que parecem ignorar que a humanidade foi capaz de levar o homem à Lua, que é capaz de manipular genes, descobrir curas para doenças, inventar máquinas que facilitam a vida, tudo isso porque a espécie humana é dotada de mentes curiosas, criadoras e inventivas. Essa capacidade de pensar, discutir, refletir e trocar conhecimento trouxe a humanidade até aqui. Cercear essa capacidade é preocupante e, mais ainda, se nossa educação básica é sabidamente ruim, com menos discussão, troca e reflexão certamente não vai melhorar.

Quanto ao exame do Enem, Senhor Ministro, a prova não é elaborada por pessoas mal-intencionadas que desejam prejudicar jovens. Não, pelo contrário, a prova é construída por professores que tentam ligar o conhecimento a diversos contextos, que é o que se busca hoje na educação escolar. Quando Vossa Excelência diz que a “prova tem que avaliar realmente os conhecimentos. O aluno não pode ter medo de levar pau” não é claro como Vossa Excelência significa o conhecimento. Para nós, conhecer é conseguir aplicar o conhecimento em diversas situações, é estabelecer relações entre os saberes, é saber usar na vida o que se aprendeu. Não consideramos que conhecimento são conteúdos memorizados e descontextualizados. Quanto ao receio de o aluno de ser reprovado deve-se à má qualidade da educação escolar e não a intenções perversas de quem corrige as provas.

Senhor Ministro, sua biografia informa que é autor de mais de 30 obras e professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Também é mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ); doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho; e pós-doutor pelo Centro de Pesquisas Políticas Raymond Aron. Com tanto lastro intelectual, é difícil acreditar que V. Excia considere a Escola sem Partido “providência fundamental”. Afinal, é um grupo de amadores, que carece de saberes básicos sobre educação, e que divulga fantasias sobre influência de partidos políticos sobre estudantes dentro de escolas de Ensino Fundamental e Médio. Com tanto embasamento cultural, esperamos que Vossa Excelência não aceite esses ataques ao conhecimento.

Concordamos com sua opinião de que “doutrinação não é boa para o aluno, nos primeiros anos, no ensino básico, fundamental”, mas vamos mais longe: doutrinação não é boa nunca. O que forma a consciência cidadã é a discussão e a dúvida, o que é muito diferente de reprimir a expressão e incentivar a denúncia, ação altamente deseducativa do ponto de vista moral.

Falar sobre gênero, senhor ministro, é falar de um conceito moral muito mais amplo, que abrange ideais de respeito e aceitação do outro, essenciais para o convívio. Todos têm a liberdade de ser como são, sem moldes determinados. Isso é respeitar o indivíduo, sem regulamentação do que ele é por decreto, numa interpretação oposta à que Vossa Excelência manifestou numa entrevista.

Saber que planeja melhorar as condições do ensino, nas escolas municipais, para “resgatar a qualidade do nosso ensino” é alvissareiro, porém ficou faltando esclarecer como isso será proposto e realizado.

Como educadores que dedicaram sua vida profissional à escola, pedimos que Vossa Excelência não permita que o país entre numa rota de retrocesso, a partir da instituição escolar. Para assegurar a laicidade da educação, como prevista na constituição brasileira, pedimos que não deixe que a exploração da credulidade dos despossuídos, por meio da religião, se imiscua no processo da educação escolar. O conhecimento e a cultura são patrimônio de um país. A arte atravessa a História da Humanidade e é expressão de civilização, que não pode ser demonizada.

E, com sua formação, Vossa Excelência sabe que criacionismo e darwinismo não são histórias equivalentes para serem objeto de opção. Crença e conhecimento são coisas muito diferentes. Uma é fé, e outra é ciência.

Até aqui, senhor ministro, suas declarações deixaram a desejar. Ainda aguardamos um plano criterioso que assegure a aprendizagem que vai preparar nossas crianças e jovens para enfrentarem, entre outros muitos desafios, o aquecimento global, as mudanças climáticas, as questões éticas da manipulação genética, da inteligência artificial, e os muitos problemas ainda desconhecidos, mas que sabemos que virão com a transformação cada vez mais rápida da realidade.

Atenciosamente,

Grupo de Escolas Critique

Fonte: https://www.revistaforum.com.br/

AFROEMPREENDEDORES REVOLUCIONAM O AMBIENTE DE NEGÓCIOS BRASILEIRO

AFROEMPREENDEDORES REVOLUCIONAM O AMBIENTE DE NEGÓCIOS BRASILEIRO

Ao contrário de diversas expressões pejorativas relacionadas ao negro no vocabulário brasileiro, “grana preta” talvez seja aquela que logo vêm à mente quando buscamos alguma que seja sinônimo de algo positivo. Mas se, por um lado, a expressão hoje conota fartura, bem-estar e sucesso, ela também faz pensar sobre quando realmente o dinheiro esteve nas mãos negras deste País.

Trazida ao Brasil para servir de mão de obra escrava, essa enorme parcela da população viveu séculos sem o direito a uma remuneração justa pelo seu trabalho. Contudo, mesmo na adversidade, muitas pessoas optavam por abrir seu próprio negócio e, assim, garantir ganhos melhores com mais respeito e liberdade.

A criadora e presidente da Feira Preta, maior evento de empreendedorismo negro da América Latina, Adriana Barbosa, salienta que é preciso conhecer a história da população negra no País para compreender as soluções e as dificuldades enfrentadas por esses empreendedores hoje. “Porém, também há de se reconhecer pelo menos 130 anos de empreendedorismo do povo negro no Brasil. Foi criando seus negócios por necessidade que a população negra deu conta da sua vida”, diz Adriana. Para ela, agora é o momento de empreender porque quer, com mais planejamento e qualificação.

Atualmente, os negros formam o maior contingente de empreendedores no Brasil (51%), segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Sebrae com dados de 2017. O grupo representa 38,8% dos pequenos negócios no País, contra 32,9% dos brancos, e lidera tanto no ranking dos empresários já estabelecidos quanto no de iniciantes.

Isso se deve, conforme especialistas, a uma conjunção entre medidas de reparação político-econômicas adotadas no País e, é claro, anos de luta do movimento negro e de mulheres negras por cidadania. O aumento do poder de compra da população das classes média e baixa, o maior acesso de negros à educação superior através de cotas raciais e sociais, o ingresso com mais qualificação ao mercado de trabalho e a valorização da negritude e da estética afro são os principais fatores que geraram o surgimento de negócios encabeçados por negros e negras e seu sucesso.

A coordenadora da Rede Afroempreendedor no Estado (Reafro-RS), Mariana Ferreira dos Santos, destaca que “o negro está perdendo a vergonha de ser negro”. “Não é fácil ser negro no Brasil, então muitas pessoas tentavam esconder, principalmente quando ascendiam socialmente. Vimos, recentemente, uma maior valorização da nossa cultura, costumes e estética. E, com isso, houve também o crescimento da busca por encontrar produtos voltados para nós”, lembra a também empresária.

Esse aumento da busca por produtos que atendam às necessidades específicas desses consumidores e que gerem reconhecimento, bem como a busca por representatividade negra, criou o que Adriana descreve como uma “onda de ressonância”. Não basta o produto ser voltado à população negra. O lucro com a venda desse produto também deve movimentar iniciativas com recorte racial.

Os consumidores passaram a ver o potencial de mudança atrelado ao seu dinheiro e a escolher o destino do seu investimento. “A própria ideia da Feira Preta surgiu quando eu e uma amiga passamos a vender roupas usadas e alimentos em feiras na Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo, e observamos que grande parte dos consumidores que compravam e se divertiam ali e que trabalhavam eram negros e negras. Mas os donos das casas noturnas, ou seja, quem ficava com o lucro, eram homens brancos”, salienta Adriana.

Mas a criadora e presidente da Feira Preta destaca que a ideia não é se fechar em um gueto. “Estamos abertos a negócios com pessoas de todas etnias”, salienta. Porém, em um sistema que nunca deu protagonismo à população negra, o uso das finanças para o empoderamento é mais uma ação política.

Fonte: https://www.jornaldocomercio.com/