EDITAL STEM TECHCAMP IMPULSIONA PRÁTICAS EDUCATIVAS INOVADORAS POR TODO O BRASIL

EDITAL STEM TECHCAMP IMPULSIONA PRÁTICAS EDUCATIVAS INOVADORAS POR TODO O BRASIL

Desde 2018, o STEM TechCamp Brasil tem alavancado e disseminado iniciativas de inovação na educação por todo o território nacional. Alinhado aos pilares de investimento social do Grupo +Unidos, o programa trabalha com a formação de professores e gestores para capacitá-los como multiplicadores do modelo STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) nas redes públicas de ensino locais.

Na edição de 2019, que aconteceu na Universidade de São Paulo (USP) durante a segunda semana de fevereiro, o evento contou com uma programação muito diversa e, sobretudo, inspiradora. Entre muitos convidados, estiveram presentes os participantes que tiveram suas propostas contempladas pelo Edital STEM TechCamp Brasil 2018, idealizado Departamento de Estado dos EUA, a Embaixada dos EUA no Brasil, por meio do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC). Os ganhadores do edital receberam recursos financeiros para implantar projetos demonstrativos da inovação nas ações voltadas à aprendizagem ativa de STEM em seus estados.

Conheça alguns TechCampers responsáveis por efetivamente disseminar habilidades e conhecimentos digitais pelo Brasil, além de ampliar a colaboração entre diferentes escolas e municípios.

Ana Cristina Dantas da Silva, Sergipe

A co-líder Ana Cristina faz parte da Secretaria de Educação de Sergipe. Ela e o líder Flávio Gilberto Bento da Silva Araújo, professor do Colégio Estadual Secretário Francisco Rosa Santos, foram responsáveis pela execução do Projeto de Formação em Robótica Maker em Sergipe.

No seu relato de experiência, a gestora demonstrou como foram criativos na utilização dos recursos e a relevância dos resultados alcançados. Com o valor disponibilizado pelo edital foram adquiridos kits de robótica, impressoras 3D e filamentos para impressora. Além disso, alunos do ensino médio foram treinados e capacitados para atuarem como monitores de Impressão 3D. Com o intuito de formar uma rede que fomente tecnologia e educação de forma criativa, a ideia é que esses monitores sejam responsáveis por ministrar aulas para pelo menos outras três escolas locais, as quais deverão dar continuidade ao projeto.

Shirley Conceição Silva da Costa, Bahia

Shirley compõe a Secretaria da Educação do Estado da Bahia. De forma conjunta com a Co-líder Delmaci Ribeiro de Jesus, professora do Colégio Estadual Maria Isabel de Melo Góes, conseguiu mobilizar toda a rede estadual baiana – que abrange 417 municípios – em torno das temáticas de STEM, reunindo professores em diversas formações, estimulando os estudantes e sensibilizando parceiros.

Em agosto de 2018, foi realizado o I Seminário Colaborativo de Feiras Regionais Filiadas à Feira de Ciências da Bahia – FECIBA, contando com aproximadamente 45 docentes e 60 estudantes. Como resultado, os estudantes participantes das feiras regionais baianas participaram de muitas feiras e ganharam diversos prêmios, como o Prêmio Jovem Cientista – CNPq, a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente – Fiocruz, Prêmio Criativos da Escola, entre outros. Segundo Shirley, “o segredo é envolver os gestores para que eles se comprometam com esses meninos e meninas que querem ser diferentes, que querem fazer ciência”.

Suziane Almeida Toffoli, Rio Grande do Sul

Suziane trabalha como Coordenadora do Núcleo de Tecnologia Educacional da 28ª Coordenadoria Regional de Educação da Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul. Junto à líder Flávia Santos Twardowski Pinto, educadora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Campus Osório, foi responsável pela idealização e realização do 1º Tchê Camp, que promoveu a interação entre alunos e professores através da experimentação de atividades educativas STEM.

O evento, que aconteceu durante a 8ª Mostra de Ensino, Extensão e Pesquisa (MoExP), foi realizado a partir da colaboração entre os diversos NTEs (Núcleos de Tecnologias Educacionais) locais e o Instituto Federal. No dia, os alunos e professores tiveram oficinas e formações práticas, além de uma competição de robótica e a uma mostra de pesquisa feita pelos alunos participantes. Durante o seu relato, Suziane enfatizou a importância em democratizar o acesso à metodologia científica. “Para os alunos, ter essa vivência foi excelente. Eles se empoderam e, a partir dessa oportunidade, devem participar de outros eventos, inclusive nacionais”.

Rafael da Luz Herdy, Pará

Rafael é um gestor da Secretaria de Estado de Educação e faz parte do Núcleo de Tecnologia Educacional de Belém e da Coordenação Estadual de Tecnologia Aplicada à Educação. Com os recursos recebidos a partir do Edital STEM TechCamp Brasil, atuou em colaboração com o co-líder Wamilton Gomes Ferreira, professor da Escola Estadual Prof Ecila Pantoja da Rocha, na realização do 1º TechCamp Pará. O evento consistiu na realização de mostra científica voltada à socialização de projetos da rede estadual de educação básica que buscam soluções para problemas locais, de modo a inspirar e capacitar professores e alunos na área de STEM. A partir da realização de 13 oficinas e de uma mostra de projetos com 20 trabalhos apresentados, os idealizadores da iniciativa criaram um rico espaço de disseminação dessa nova cultura, bem como de visibilidade de práticas exitosas da rede.

Segundo Rafael, “essa mostra científica buscou integrar alunos e projetos da Região Metropolitana de Belém com alunos de escolas do interior do Estado. As expectativas foram ultrapassadas, pois houve troca de conhecimento e contatos para o desenvolvimento de outros projetos. Demos o primeiro passo, e os alunos vão dar continuidade à TechCamp para transformar sua realidade”.

Leandro de Oliveira Costa, Rio de Janeiro

Leandro faz parte do corpo da secretaria da Educação do Estado do Rio de Janeiro e é professor do Colégio Estadual Edmundo Bittencourt. Leandro e Eduardo Vasconcellos, também gestor da SEEDUC e professor da CIEP 117 Carlos Drummond de Andrade Brasil/Estados Unidos, atuaram juntos como idealizadores do STEAMTechCamp RJ 2018 – Um encontro entre Rios em parceria com o Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO).

Esse TechCamp reuniu diversos professores a fim de pensar caminhos para o desenvolvimento do ensino das áreas de STEAM (Ciência, Tecnologias, Engenharia, Artes e Matemática). O encontro, que abarcou alguns municípios cariocas, possibilitou aos inscritos receber treinamento e suporte para o desenvolvimento de feiras de ciências e atividades investigativas em suas escolas, além de encontrar profissionais de diferentes áreas que são ativos desenvolvedores de atividades STEAM no Rio de Janeiro.

O programa STEM TechCamp Brasil é uma iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-TEC) e com o apoio da Poli-USP, Grupo +Unidos, Consed e Instituto 3M.

TECNOLOGIA DEVE SER PROPULSORA DA APRENDIZAGEM, DIZ BRASILEIRA ENTRE OS 10 MELHORES PROFESSORES DO MUNDO

TECNOLOGIA DEVE SER PROPULSORA DA APRENDIZAGEM, DIZ BRASILEIRA ENTRE OS 10 MELHORES PROFESSORES DO MUNDO

Com seu projeto ‘Robótica com Sucata’, que já ajudou a tirar mais de 1 tonelada de lixo das ruas de São Paulo, Débora Garofalo foi selecionada entre mais de 10 mil candidatos do mundo inteiro e está entre os 10 melhores professores do mundo. Agora, a professora de Língua Portuguesa, que ensina tecnologia numa área carente da capital paulista, vai representar o país no ‘Global Teacher Prize’ 2019, o ‘Nobel da Educação’, que tem prêmio de US$ 1 milhão.

Em entrevista ao G1 por telefone, Débora conta que ficou muito emocionada com a indicação e que já tem planos para a “pequena fortuna”, caso seja a vencedora: reinvestir o dinheiro e levar a robótica para outros cantos do país. “Já fico imaginando uma comunidade ribeirinha de Manaus recebendo o laboratório e podendo vivenciar essa aprendizagem”, diz, parecendo ainda não acreditar na indicação.

A professora, que trabalha com crianças entre 6 e 14 anos, já conta com uma carreira premiada: foi “professor destaque” pela Secretaria Municipal de Educação SP em 2018 e vencedora na temática “Especial”, do Prêmio Professores do Brasil, também em 2018.

Sua metodologia foi incluída nas diretrizes de formação do CIEB (Centro de Inovação para Educação Brasileira) e virou referência para professores de todo o país. Débora também foi finalista de Aprendizagem Criativa da Fundação Lemann/MIT Media Lab e do Prêmio Claudia na categoria “políticas públicas”.

No meio disso tudo, Débora ainda encontra tempo para terminar um mestrado e dar palestras e treinamentos por todo o Brasil. Mas a indicação ao “Global Teacher Prize” trouxe ainda mais reconhecimento. “Depois da indicação, sem dúvida a visibilidade aumentou muito! Vejo secretarias de educação querendo que eu vá fazer a formação docente. E eu acredito que esse é o caminho. O professor também precisa ser despertado para essa aprendizagem”.

– Como você recebeu a notícia de que estava no Top 10 de professores do mundo?

“Estava em casa e recebi uma mensagem da Fundação Varkey, que gostariam de falar comigo. Eles me ligaram, fizeram algumas perguntas, naquele ar de mistério e de repente, com um grande público reunido na Argentina me deram a notícia: eu era uma Top 10. Foi uma imensa alegria, ver todos reunidos, aplaudindo. Chorei muito, já que eu não esperava essa notícia.

Depois de passar pelo Top 50 e ver o quanto esses professores têm trabalhos maravilhosos, ver nosso trabalho entre os 10 é uma alegria muito grande!”

– E você já tem planos para o caso de ganhar o prêmio de US$ 1 milhão?

“Pensei nesse prêmio desde o primeiro momento. Não por ter uma expectativa, afinal já estou muito feliz de ter chegado até aqui, mas se realmente formos contemplados eu gostaria de investir esse dinheiro em cada canto do país, para poder multiplicar esse trabalho de robótica com sucata. Levar esse aprendizado para onde ele não exista. Já fico imaginando uma comunidade ribeirinha de Manaus recebendo o laboratório e podendo vivenciar essa aprendizagem.”

– As pessoas acham que tecnologia é só um computador. E esse é um ponto importante no seu trabalho, de mostrar que é muito mais que isso. Você acha que esse é um diferencial?

“Acho que a grande diferença do trabalho não é o ensino de robótica, mas você poder olhar para a comunidade e intervir nela, numa educação realmente pautada na questão da sustentabilidade, principalmente pela questão da falta de recursos no nosso país. Eu sempre procuro manifestar publicamente meu desejo de que isso se torne uma política pública, para que o Brasil possa vivenciar esse ensino de robótica em toda a rede pública.”

– Você tem essa proposta forte, que é de intervir na comunidade, e não deixar a educação como algo restrito à sala de aula. Como isso muda a aprendizagem dos alunos?

“É poder trabalhar outra forma de conceber a aprendizagem. É pegar todas as áreas do conhecimento, que até então são muito desconectadas ainda dentro de uma sala de aula, e aplicá-las em cima de um problema real, social, existente. E usar isso na comunidade, intervindo, mudando, e gerenciando o trabalho da robótica, que é tão importante hoje em dia, pela questão das competências socioemocionais, pela colaboração, e pela empatia.”

– Muita gente ainda tem em mente que o ensino, e mesmo as inovações no ensino, tendem a ficar sempre restritos à sala de aula. É possível mudar isso?

“É uma nova abordagem. É poder tirar o aluno da passividade. O aluno que por anos participou desse processo apenas como receptor de conhecimento, agora ele pode atuar, se envolver dentro dessa aprendizagem, e construir algo significativo não só para ele, mas para que ele já vá fazendo essa vivência de mundo como um cidadão global. Esse é um outro grande ponto forte do trabalho: a possibilidade de replicação. Não é algo que precise de muito investimento para que ocorra. Parte somente de uma transformação dos atores que vivenciam a educação.”

– Desde a indicação do Top 50, você conseguiu alguma visibilidade maior do seu projeto, como por exemplo treinar professores em outras unidades, outros estados?

“Eu já vinha fazendo um pouco desse trabalho de formação de professores, de forma gratuita, desde 2016, quando tudo ficou conhecido nacionalmente. Eu me propus a isso já por ter visto os resultados, e vale lembrar que é um trabalho vivo, ainda em atividade, que eu espero que prossiga por um bom tempo. Mas depois da visibilidade após a indicação para o prêmio, sem dúvida aumentou muito! Vejo secretarias de educação interessadas, querendo que eu vá fazer a formação docente. E eu acredito que esse é o caminho. O professor também precisa ser despertado para essa aprendizagem. Nós não somos formados para trabalhar com tecnologia. É necessário também que o professor desperte. E uma forma para ele despertar é ele vivenciando essa aprendizagem, para que ele tenha uma parceria com seus alunos.”

– E você está tendo tempo, no meio disso tudo, de documentar seu projeto, os sucessos, as dificuldades?

“Estou finalizando o mestrado esse ano. E vou poder dar sequência a esse trabalho justamente estudando e levando isso para a academia. Eu acredito que esse é um dos caminhos importantes para que isso ocorra. O professor em sala de aula, e a gente falha por isso, não consegue registrar. E por isso é importante retornar, voltar a estudar, documentar. Eu brinco que vou ser uma eterna estudante. Não para por aí, na sala de aula.

E eu vejo a escola pública muito isolada. Escola pública não é ilha. Nós precisamos das universidades na escola pública assim como os professores precisam ter voz em outros lugares além da escola. É assim que a gente constrói uma educação sólida.”

– Você já teve convites para divulgação do trabalho fora do país?

“Em 2017 eu fui contatada pelo Ministério da Educação, querendo que eu fizesse uma apresentação para o consulado da Finlândia, que se encantou pelo trabalho. Eles tentaram investir, mas por um problema de verba não aconteceu. Recebi muito apoio, muito suporte, para que eu pudesse continuar – justamente nessa parte de formação docente.

O que gerou mais interesse foi sair do tradicional, ver as crianças experimentando, exercendo a criatividade, a inventividade, de forma livre. (…) Recentemente eu tive um aluno que voltou à escola para dizer que havia ingressado na USP em Física – ele havia começado o 9º ano com a gente, no nosso projeto. Nosso objetivo é mostrar que não é o lugar que determina o que essas crianças podem ser. E que essas crianças podem ser o que elas quiserem, elas podem ter as mesmas condições de qualquer outra criança. A escola tem esse papel, de estimular todas essas vivências. É na escola que é permitido testar, vivenciar, testar hipóteses, então precisamos trazer um aprendizado diferenciado para essas crianças.”

E qual seria sua mensagem para os professores que não entraram na lista final, para aqueles que têm um projeto, que planejam mudar algo na educação, não para ganhar prêmios, mas para inovar?

“O recado que eu gostaria de deixar para os professores é: continuem com resiliência. Muitas das soluções que nós estamos buscando em educação, muitos professores já fazem no dia a dia. E o único caminho que pode mudar uma sociedade é o da educação. Então, a cada professor, meu sincero agradecimento. Aos meus professores, que passaram pela minha vida, meu agradecimento. Que todos se sintam representados por essa grande premiação, por mostra que temos competência para apresentar uma educação de qualidade em nosso país.”

Fonte: https://g1.globo.com/

STEM TECHCAMP BRASIL DEBATE MECANISMOS PARA ATUALIZAR ENSINO PÚBLICO NO PAÍS

STEM TECHCAMP BRASIL DEBATE MECANISMOS PARA ATUALIZAR ENSINO PÚBLICO NO PAÍS

Neste ano, foi realizada a segunda edição do STEM TechCamp Brasil, iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-TEC) e com o apoio da Poli-USP, Grupo +Unidos, Consed e Instituto 3M. O principal objetivo do programa é formar uma rede de multiplicadores de inovação, de modo que a aprendizagem ativa de STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) seja cada vez disseminada por todo território nacional e utilizada como ferramenta nas instituições públicas de ensino.

O evento aconteceu na Universidade de São Paulo (USP) na segunda semana de fevereiro e contou com diversos encontros, palestras e oficinas voltados ao tema. A ideia é aproximar 60 professores distintos e gestores das 27 unidades federativas do Brasil com iniciativas investigativas e interdisciplinares, despertando o interesse para que possam retornar aos seus estados de origem empoderados e engajados na missão de implementar novos mecanismos de ensino em suas comunidades escolares.

Uma das muitas atividades realizadas na semana de imersão foi um painel expositivo realizado pelo Grupo +Unidos com a colaboração de empresas associadas. 3M, Educando, IBM, Microsoft e Qualcomm puderam compartilhar com os professores e gestores seus principais cases de ações envolvendo STEM na educação pública. Na ocasião, estavam presentes Adam Shub (Cônsul Geral dos Estados Unidos em São Paulo), David Bunce (Presidente do Conselho do Grupo +Unidos), Liedi Legi Bariani Bernucci (Diretora de Escola Politécnica da USP), Marcio Lobo Netto (Diretor Adjunto na Área de Mobilidade Acadêmica da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional – AUCANI), entre outras autoridades.

O Cônsul-Geral da Embaixada dos EUA no Brasil, Adam Shub, enfatizou durante a cerimônia de abertura do STEM TechCamp 2019 a importância do estreitamento dos laços entre os educadores e os setores produtivos de seus estados. “Queremos estimular a criação de uma rede de pessoas criativas e inovadoras que se dedicam à construção de parcerias entre o setor privado e as escolas. Acredito que o trabalho conjunto nessa direção fará diferença no ensino de STEM na rede pública”, comentou.

Cases de sucesso

Os projetos apresentados pelas empresas, possuem um fio condutor que trazem diversos fatores em comum, procurando sempre trazer inovação dos modos de aprendizagem, interdisciplinaridade e colaboração. Além disso, os projetos são adaptáveis a nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC), prevista desde 2014 pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e aprovada em 2018 para a educação infantil e para o ensino fundamental.

Nas falas dos palestrantes, a formação de professores foi um tema importante para debater o processo de implementação de novas tecnologias nas escolas públicas brasileiras.

O projeto RoboLab, idealizado pela empresa de tecnologia Qualcomm, e o STEM Brasil, pela Educando, por exemplo, entendem que investir no professor significa multiplicar os esforços e recursos. Segundo Marcos Paim, Diretor do STEM Brasil, “a capacitação do professor é essencial, porque esse esforço permanece por mais tempo e, consequentemente, oferece aos alunos os melhores caminhos de aprendizado”.

Já a Microsoft, compreendendo as particularidades de investimento em cada estado no país, desenvolveu o serviço Hacking STEM. O programa oferece planos de aula flexíveis, que possibilitam adaptações e colocam o educador como personagem ativo e participante do processo de inovação dos conteúdos oferecidos nas escolas.

Outra grande preocupação das organizações é que os jovens ingressantes no mercado de trabalho estejam capacitados para enfrentar os desafios deste século, a partir do desenvolvimento de competências profissionais ligadas ao movimento STEM. O modelo P-Tech, trazido para o Brasil pela IBM, nasce como uma aliança educacional entre os ensinos Médio, Técnico e Superior. O principal diferencial da proposta é a possibilidade de aplicação dos conhecimentos absorvidos em sala de aula no ambiente real de trabalho. “Acreditamos muito que, da forma que toda a costura é feita, o aluno se sente mais atraído, cria uma visão de oportunidades e entende que uma jornada de educação é para o resto da vida”, afirmou Juliana Nobre, gerente de Cidadania Corporativa da IBM Brasil.

Ocupando apenas o 63º lugar de 70 países no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Brasil precisa investir e apostar na educação básica de qualidade para que seus jovens ao ingressar o mercado de trabalho estejam qualificados e consigam acompanhar o contínuo desenvolvimento tecnológico. Somente por esse caminho será possível construir um país inclusivo, desenvolvido e ético.

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA FORMA CIDADÃO CONSCIENTE, DIZEM ESPECIALISTAS

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA FORMA CIDADÃO CONSCIENTE, DIZEM ESPECIALISTAS

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino básico incluiu entre as competências que o aluno deve ter a leitura crítica da informação que recebe por jornais, revistas, internet e redes sociais. Especialistas avaliam que foi um avanço a inclusão da educação midiática na BNCC, pois a escola poderá dar instrumentos para que o estudante possa se tornar um consumidor e produtor de conteúdo responsável.

No fim de 2017, o Ministério da Educação homologou a Base Nacional Comum Curricular do ensino infantil e fundamental e, no fim do ano passado, aprovou a BNCC do ensino médio. O documento estabelece o mínimo que deve ser ensinado em todas as escolas do país, públicas e particulares.

A partir da base, os estados, as redes públicas de ensino e as escolas privadas deverão elaborar os currículos que serão de fato implementados nas salas de aula. Os novos currículos para o ensino básico estão em fase de elaboração pelos estados.

Habilidade

A base prevê, por exemplo, que o aluno do sexto ao nono ano do ensino fundamental desenvolva a habilidade de leitura e produção de textos jornalísticos em diferentes fontes, veículos e mídias, a autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos, além de saber diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio.

“A questão da confiabilidade da informação, da proliferação de fake news [notícias falsas], da manipulação de fatos e opiniões tem destaque e muitas das habilidades se relacionam com a comparação e análise de notícias em diferentes fontes e mídias, com análise de sites e serviços checadores de notícias […]”, diz um trecho do documento.

Para os estudantes do ensino médio, as habilidades preveem a ampliação do repertório de escolhas de fontes de informação e opinião, a comparação de informações sobre um fato em diferentes mídias, além do uso de procedimentos de checagem de fatos e fotos publicados para combater a proliferação de notícias falsas.

A base também recomenda que os alunos possam atuar de maneira ética e crítica na produção e compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião e memes nas redes sociais ou em outros ambientes digitais.

Desafios

A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, afirma que foi um significativo ganho colocar o tema da educação para a mídia na BNCC, pois significa que o campo jornalístico-midiático terá que ser abordado pelas escolas em âmbito nacional. No entanto, ela destacou que há ainda um longo trabalho pela frente para que a prática seja efetivamente adotada nos currículos.

“Nunca foi tão necessário, nesse ambiente de tecnologia, educar para a mídia, para o consumo de informação. Se a criança e o adolescente desenvolvem senso crítico, a escola está contribuindo para a formação de cidadãos que podem exercer melhor sua liberdade de expressão”, diz Patrícia.

“Educação midiática tem o papel de antídoto às fake news: você percebe que tem algo estranho, vai pesquisar outra fonte, e não simplesmente compra uma informação como verdade absoluta e a repassa para a frente”, acrescenta a especialista.

Segundo ela, são três os desafios atuais para a iniciativa chegar às salas de aula: disseminar o conceito da educação midiática, divulgando sua importância, formar os professores para que eles possam abordar o tema, e desenvolver a produção de conteúdos e materiais relevantes para serem usados na escola.

Alfabetização

O representante do Comitê Internacional da Aliança Global para Parcerias em Alfabetização de Mídia e Informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na América Latina e Caribe, Alexandre Sayad, lembra que o tema está incluído entre as competências a serem abordadas na disciplina de língua portuguesa.

“O professor de língua portuguesa vai ter que colocar na sua aula. Mas nada impede outra disciplina abordar o tema. A questão da mídia é presente na vida das pessoas. Há uma tendência na educação, em geral, de se descompartimentalizar as disciplinas”, diz Sayad.

Segundo ele, atualmente há poucas escolas no Brasil que tratam do assunto em sala de aula. “Identificar a fonte de notícia é uma habilidade necessária no mundo hoje. É pela alfabetização midiática que você consegue separar o joio do trigo na mídia”.

Fonte: https://istoe.com.br/


COMO O PAYPAL BRASIL SE TORNOU REFERÊNCIA EM IGUALDADE DE GÊNERO

COMO O PAYPAL BRASIL SE TORNOU REFERÊNCIA EM IGUALDADE DE GÊNERO

Mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança de grandes empresas, ainda mais no setor de tecnologia. Para romper essa tendência, a plataforma de pagamentos PayPal criou diversas políticas de inclusão e diversidade. A divisão brasileira da alcançou resultados tão surpreendentes que virou referência global na companhia.

Atualmente, dos mais de 18 mil funcionários espalhados em 31 países, 44% são mulheres. A companhia aumentou, em 2017, em 20% o número de mulheres nos postos de liderança da companhia. No Brasil, os números são ainda maiores. Nos cargos de liderança, elas são 55% por aqui.

Em 2017, o PayPal teve receita de 13,06 bilhões de dólares, contra 10,84 bilhões de dólares no ano anterior. Foi usado por seus clientes como forma de pagamento para mais de 456 bilhões de dólares em produtos e serviços.

O cenário na companhia é exceção entre as grandes multinacionais. Apenas 25 das 500 maiores empresas do mundo, segundo a Forbes, são lideradas por mulheres.

De acordo com uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada com quase 280 empresas, as mulheres representam 48% dos funcionários nos primeiros níveis de uma empresa, mas apenas 25% da diretoria. Para cada 100 homens promovidos para o cargo de gerente, apenas 79 recebem a promoção.

Ao levar em consideração outros grupos, a situação é ainda mais complicada: mulheres não brancas são apenas 4% nos cargos de diretoria.

Os números de diversidade do Paypal são resultado dos últimos anos de políticas de inclusão. “A diversidade é um fato, mas a inclusão é uma escolha”, diz Paula Paschoal, diretora geral da companhia no Brasil.

A diretora acredita que não há uma única fórmula mágica para aumentar a diversidade. “Acredito que esses resultados não se alcançam com ações pontuais, mas sim com transformar a inclusão em um dos principais pilares da empresa”, afirma.

A inclusão passou a fazer parte dos valores da companhia em 2015, ao lado de bem-estar, inovação e colaboração. Por conta disso, entre 2016 e 2017 houve crescimento de 20% no número de mulheres em cargos de liderança no PayPal em nível global.

Mas apenas acrescentar a inclusão aos valores não foi o suficiente. A empresa criou procedimentos para os processos seletivos: a seleção dos candidatos finalistas precisa apresentar diversidade, seja de gênero, racial, idade ou formação.

Cada diretor é incentivado a montar uma equipe diversa. “Não faz sentido ter um time de produtos, por exemplo, formado apenas por engenheiros homens, brancos e com 30 anos, mesmo que eles sejam formados nas melhores faculdades”, diz Paschoal.

Ela afirma que a diversidade não é importante apenas do ponto de vista social, mas sim para o andamento da companhia. “O mercado muda muito rápido e é mais fácil acompanhar as transformações quando a equipe é formada por pessoas diferentes”, diz.

Ao pensar em um novo produto, é importante levar em consideração as dificuldades de pessoas mais velhas ou de certas camadas sociais, por exemplo, para alcançar o maior público possível.

Ter um ambiente de trabalho mais adaptável, com horários flexíveis e política de home office, também ajudou o PayPal. “A empresa sempre trabalhou, aqui e lá fora, respeitando o timing de seus funcionários. A companhia sabe que flexibilidade é uma característica fundamental para a boa administração”, diz a diretora.

O exemplo da liderança é outro fator que impulsiona a diversidade, afirma. “Uma empresa não precisa ser liderada por uma mulher para pensar sobre esse assunto, mas ter mulheres na diretoria é importante para inspirar os funcionários”, diz Paschoal. Para ela, as funcionárias se sentem mais motivadas a buscar cargos mais altos quando há mulheres no topo.  

A representatividade no tipo não é importante apenas para mulheres, mas também outros grupos. Em 2017, o conselho de diretores da empresa ganhou duas mulheres e, mais recentemente, um diretor afro-americano. Assim, 45% do conselho é composto por mulheres e grupos étnicos.

A executiva participa ainda de iniciativas com outras empresas para melhorar a diversidade, como a CEO Legacy, da Fundação Dom Cabral. “Ainda há um caminho longo pela frente, para igualar salários em todas as companhias, mas vamos continuar nos esforçando para isso”, afirma.

Fonte: https://exame.abril.com.br/