STEM TECHCAMP BRASIL DEBATE MECANISMOS PARA ATUALIZAR ENSINO PÚBLICO NO PAÍS

STEM TECHCAMP BRASIL DEBATE MECANISMOS PARA ATUALIZAR ENSINO PÚBLICO NO PAÍS

Neste ano, foi realizada a segunda edição do STEM TechCamp Brasil, iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-TEC) e com o apoio da Poli-USP, Grupo +Unidos, Consed e Instituto 3M. O principal objetivo do programa é formar uma rede de multiplicadores de inovação, de modo que a aprendizagem ativa de STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) seja cada vez disseminada por todo território nacional e utilizada como ferramenta nas instituições públicas de ensino.

O evento aconteceu na Universidade de São Paulo (USP) na segunda semana de fevereiro e contou com diversos encontros, palestras e oficinas voltados ao tema. A ideia é aproximar 60 professores distintos e gestores das 27 unidades federativas do Brasil com iniciativas investigativas e interdisciplinares, despertando o interesse para que possam retornar aos seus estados de origem empoderados e engajados na missão de implementar novos mecanismos de ensino em suas comunidades escolares.

Uma das muitas atividades realizadas na semana de imersão foi um painel expositivo realizado pelo Grupo +Unidos com a colaboração de empresas associadas. 3M, Educando, IBM, Microsoft e Qualcomm puderam compartilhar com os professores e gestores seus principais cases de ações envolvendo STEM na educação pública. Na ocasião, estavam presentes Adam Shub (Cônsul Geral dos Estados Unidos em São Paulo), David Bunce (Presidente do Conselho do Grupo +Unidos), Liedi Legi Bariani Bernucci (Diretora de Escola Politécnica da USP), Marcio Lobo Netto (Diretor Adjunto na Área de Mobilidade Acadêmica da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional – AUCANI), entre outras autoridades.

O Cônsul-Geral da Embaixada dos EUA no Brasil, Adam Shub, enfatizou durante a cerimônia de abertura do STEM TechCamp 2019 a importância do estreitamento dos laços entre os educadores e os setores produtivos de seus estados. “Queremos estimular a criação de uma rede de pessoas criativas e inovadoras que se dedicam à construção de parcerias entre o setor privado e as escolas. Acredito que o trabalho conjunto nessa direção fará diferença no ensino de STEM na rede pública”, comentou.

Cases de sucesso

Os projetos apresentados pelas empresas, possuem um fio condutor que trazem diversos fatores em comum, procurando sempre trazer inovação dos modos de aprendizagem, interdisciplinaridade e colaboração. Além disso, os projetos são adaptáveis a nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC), prevista desde 2014 pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e aprovada em 2018 para a educação infantil e para o ensino fundamental.

Nas falas dos palestrantes, a formação de professores foi um tema importante para debater o processo de implementação de novas tecnologias nas escolas públicas brasileiras.

O projeto RoboLab, idealizado pela empresa de tecnologia Qualcomm, e o STEM Brasil, pela Educando, por exemplo, entendem que investir no professor significa multiplicar os esforços e recursos. Segundo Marcos Paim, Diretor do STEM Brasil, “a capacitação do professor é essencial, porque esse esforço permanece por mais tempo e, consequentemente, oferece aos alunos os melhores caminhos de aprendizado”.

Já a Microsoft, compreendendo as particularidades de investimento em cada estado no país, desenvolveu o serviço Hacking STEM. O programa oferece planos de aula flexíveis, que possibilitam adaptações e colocam o educador como personagem ativo e participante do processo de inovação dos conteúdos oferecidos nas escolas.

Outra grande preocupação das organizações é que os jovens ingressantes no mercado de trabalho estejam capacitados para enfrentar os desafios deste século, a partir do desenvolvimento de competências profissionais ligadas ao movimento STEM. O modelo P-Tech, trazido para o Brasil pela IBM, nasce como uma aliança educacional entre os ensinos Médio, Técnico e Superior. O principal diferencial da proposta é a possibilidade de aplicação dos conhecimentos absorvidos em sala de aula no ambiente real de trabalho. “Acreditamos muito que, da forma que toda a costura é feita, o aluno se sente mais atraído, cria uma visão de oportunidades e entende que uma jornada de educação é para o resto da vida”, afirmou Juliana Nobre, gerente de Cidadania Corporativa da IBM Brasil.

Ocupando apenas o 63º lugar de 70 países no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Brasil precisa investir e apostar na educação básica de qualidade para que seus jovens ao ingressar o mercado de trabalho estejam qualificados e consigam acompanhar o contínuo desenvolvimento tecnológico. Somente por esse caminho será possível construir um país inclusivo, desenvolvido e ético.

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA FORMA CIDADÃO CONSCIENTE, DIZEM ESPECIALISTAS

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA FORMA CIDADÃO CONSCIENTE, DIZEM ESPECIALISTAS

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino básico incluiu entre as competências que o aluno deve ter a leitura crítica da informação que recebe por jornais, revistas, internet e redes sociais. Especialistas avaliam que foi um avanço a inclusão da educação midiática na BNCC, pois a escola poderá dar instrumentos para que o estudante possa se tornar um consumidor e produtor de conteúdo responsável.

No fim de 2017, o Ministério da Educação homologou a Base Nacional Comum Curricular do ensino infantil e fundamental e, no fim do ano passado, aprovou a BNCC do ensino médio. O documento estabelece o mínimo que deve ser ensinado em todas as escolas do país, públicas e particulares.

A partir da base, os estados, as redes públicas de ensino e as escolas privadas deverão elaborar os currículos que serão de fato implementados nas salas de aula. Os novos currículos para o ensino básico estão em fase de elaboração pelos estados.

Habilidade

A base prevê, por exemplo, que o aluno do sexto ao nono ano do ensino fundamental desenvolva a habilidade de leitura e produção de textos jornalísticos em diferentes fontes, veículos e mídias, a autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos, além de saber diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio.

“A questão da confiabilidade da informação, da proliferação de fake news [notícias falsas], da manipulação de fatos e opiniões tem destaque e muitas das habilidades se relacionam com a comparação e análise de notícias em diferentes fontes e mídias, com análise de sites e serviços checadores de notícias […]”, diz um trecho do documento.

Para os estudantes do ensino médio, as habilidades preveem a ampliação do repertório de escolhas de fontes de informação e opinião, a comparação de informações sobre um fato em diferentes mídias, além do uso de procedimentos de checagem de fatos e fotos publicados para combater a proliferação de notícias falsas.

A base também recomenda que os alunos possam atuar de maneira ética e crítica na produção e compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião e memes nas redes sociais ou em outros ambientes digitais.

Desafios

A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, afirma que foi um significativo ganho colocar o tema da educação para a mídia na BNCC, pois significa que o campo jornalístico-midiático terá que ser abordado pelas escolas em âmbito nacional. No entanto, ela destacou que há ainda um longo trabalho pela frente para que a prática seja efetivamente adotada nos currículos.

“Nunca foi tão necessário, nesse ambiente de tecnologia, educar para a mídia, para o consumo de informação. Se a criança e o adolescente desenvolvem senso crítico, a escola está contribuindo para a formação de cidadãos que podem exercer melhor sua liberdade de expressão”, diz Patrícia.

“Educação midiática tem o papel de antídoto às fake news: você percebe que tem algo estranho, vai pesquisar outra fonte, e não simplesmente compra uma informação como verdade absoluta e a repassa para a frente”, acrescenta a especialista.

Segundo ela, são três os desafios atuais para a iniciativa chegar às salas de aula: disseminar o conceito da educação midiática, divulgando sua importância, formar os professores para que eles possam abordar o tema, e desenvolver a produção de conteúdos e materiais relevantes para serem usados na escola.

Alfabetização

O representante do Comitê Internacional da Aliança Global para Parcerias em Alfabetização de Mídia e Informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na América Latina e Caribe, Alexandre Sayad, lembra que o tema está incluído entre as competências a serem abordadas na disciplina de língua portuguesa.

“O professor de língua portuguesa vai ter que colocar na sua aula. Mas nada impede outra disciplina abordar o tema. A questão da mídia é presente na vida das pessoas. Há uma tendência na educação, em geral, de se descompartimentalizar as disciplinas”, diz Sayad.

Segundo ele, atualmente há poucas escolas no Brasil que tratam do assunto em sala de aula. “Identificar a fonte de notícia é uma habilidade necessária no mundo hoje. É pela alfabetização midiática que você consegue separar o joio do trigo na mídia”.

Fonte: https://istoe.com.br/


COMO O PAYPAL BRASIL SE TORNOU REFERÊNCIA EM IGUALDADE DE GÊNERO

COMO O PAYPAL BRASIL SE TORNOU REFERÊNCIA EM IGUALDADE DE GÊNERO

Mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança de grandes empresas, ainda mais no setor de tecnologia. Para romper essa tendência, a plataforma de pagamentos PayPal criou diversas políticas de inclusão e diversidade. A divisão brasileira da alcançou resultados tão surpreendentes que virou referência global na companhia.

Atualmente, dos mais de 18 mil funcionários espalhados em 31 países, 44% são mulheres. A companhia aumentou, em 2017, em 20% o número de mulheres nos postos de liderança da companhia. No Brasil, os números são ainda maiores. Nos cargos de liderança, elas são 55% por aqui.

Em 2017, o PayPal teve receita de 13,06 bilhões de dólares, contra 10,84 bilhões de dólares no ano anterior. Foi usado por seus clientes como forma de pagamento para mais de 456 bilhões de dólares em produtos e serviços.

O cenário na companhia é exceção entre as grandes multinacionais. Apenas 25 das 500 maiores empresas do mundo, segundo a Forbes, são lideradas por mulheres.

De acordo com uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada com quase 280 empresas, as mulheres representam 48% dos funcionários nos primeiros níveis de uma empresa, mas apenas 25% da diretoria. Para cada 100 homens promovidos para o cargo de gerente, apenas 79 recebem a promoção.

Ao levar em consideração outros grupos, a situação é ainda mais complicada: mulheres não brancas são apenas 4% nos cargos de diretoria.

Os números de diversidade do Paypal são resultado dos últimos anos de políticas de inclusão. “A diversidade é um fato, mas a inclusão é uma escolha”, diz Paula Paschoal, diretora geral da companhia no Brasil.

A diretora acredita que não há uma única fórmula mágica para aumentar a diversidade. “Acredito que esses resultados não se alcançam com ações pontuais, mas sim com transformar a inclusão em um dos principais pilares da empresa”, afirma.

A inclusão passou a fazer parte dos valores da companhia em 2015, ao lado de bem-estar, inovação e colaboração. Por conta disso, entre 2016 e 2017 houve crescimento de 20% no número de mulheres em cargos de liderança no PayPal em nível global.

Mas apenas acrescentar a inclusão aos valores não foi o suficiente. A empresa criou procedimentos para os processos seletivos: a seleção dos candidatos finalistas precisa apresentar diversidade, seja de gênero, racial, idade ou formação.

Cada diretor é incentivado a montar uma equipe diversa. “Não faz sentido ter um time de produtos, por exemplo, formado apenas por engenheiros homens, brancos e com 30 anos, mesmo que eles sejam formados nas melhores faculdades”, diz Paschoal.

Ela afirma que a diversidade não é importante apenas do ponto de vista social, mas sim para o andamento da companhia. “O mercado muda muito rápido e é mais fácil acompanhar as transformações quando a equipe é formada por pessoas diferentes”, diz.

Ao pensar em um novo produto, é importante levar em consideração as dificuldades de pessoas mais velhas ou de certas camadas sociais, por exemplo, para alcançar o maior público possível.

Ter um ambiente de trabalho mais adaptável, com horários flexíveis e política de home office, também ajudou o PayPal. “A empresa sempre trabalhou, aqui e lá fora, respeitando o timing de seus funcionários. A companhia sabe que flexibilidade é uma característica fundamental para a boa administração”, diz a diretora.

O exemplo da liderança é outro fator que impulsiona a diversidade, afirma. “Uma empresa não precisa ser liderada por uma mulher para pensar sobre esse assunto, mas ter mulheres na diretoria é importante para inspirar os funcionários”, diz Paschoal. Para ela, as funcionárias se sentem mais motivadas a buscar cargos mais altos quando há mulheres no topo.  

A representatividade no tipo não é importante apenas para mulheres, mas também outros grupos. Em 2017, o conselho de diretores da empresa ganhou duas mulheres e, mais recentemente, um diretor afro-americano. Assim, 45% do conselho é composto por mulheres e grupos étnicos.

A executiva participa ainda de iniciativas com outras empresas para melhorar a diversidade, como a CEO Legacy, da Fundação Dom Cabral. “Ainda há um caminho longo pela frente, para igualar salários em todas as companhias, mas vamos continuar nos esforçando para isso”, afirma.

Fonte: https://exame.abril.com.br/