COMO MELHORAR O ENSINO MÉDIO DO BRASIL E COMBATER A EVASÃO ESCOLAR?

COMO MELHORAR O ENSINO MÉDIO DO BRASIL E COMBATER A EVASÃO ESCOLAR?

Construção coletiva de uma proposta para as políticas públicas de ensino médio. Esse é o nome de uma iniciativa que está percorrendo o País em busca de práticas inovadoras para um currículo que possibilite aos jovens diversas trajetórias e percursos formativos. A ideia é reunir em um documento as propostas para serem apresentadas a agentes públicos.

O grupo é formado por representantes da Faculdade de Educação (FE) da USP, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e pela Ashoka, ONG de empreendedorismo social criada na Índia em 1980 e presente no Brasil desde 1986. Eles contam com patrocínio do Instituto Unibanco, da Fundação Santillana e com o apoio do Instituto Alana e da Associação Cidade Escola Aprendiz. A coordenação é de Elie Ghanem, professor da FE.

“Consideramos necessário aproveitar as formulações já existentes em diferentes organizações do País, mostrando um caminho democrático de elaboração de políticas públicas para o ensino médio”, declara Ghanem. Ele considera natural a liderança da FE na iniciativa já que a unidade integra uma universidade pública e acumula muitas pesquisas científicas sobre educação.

A iniciativa para a motivação do grupo vem de números preocupantes apresentados por eles: 40% da população brasileira entre 25 e 34 anos não possui o ensino médio completo e os que conseguiram completá-lo apresentam uma renda mensal per capita de R$ 1.425, ante R$ 645 daqueles que não concluíram.

“Se o Brasil mantiver o atual ritmo de evasão escolar, o País pode levar até 200 anos – o equivalente a 15 gerações – para atingir a universalização do atendimento escolar a jovens de 15 a 17 anos, meta do Plano Nacional de Educação prevista para 2016. Por isso, é fundamental implementar medidas para combater esse problema”, diz manifesto no site do grupo.

Outro impulso foi a reforma do ensino médio aprovada em 2017 pelo governo federal e as próprias discussões da Base Nacional Comum Curricular. Ghanem fala que o debate sobre políticas para o ensino médio praticamente não ocorreu.“A reforma foi muito abrupta, sem a devida discussão e sem considerar as diferentes realidades dos municípios brasileiros.”

Para o professor, uma reforma do ensino médio precisa estar relacionada com o ensino fundamental, o médio, o superior e com o mercado de trabalho. “A nossa educação escolar é homogênea. Ela não toca naquilo que são as incertezas, preferências e desejos de cada pessoa. A escola fica como algo universal e não chega a ser um lugar que acolhe a subjetividade e as características da origem social das pessoas que a frequentam”, ressalta.

Mas como chegar a uma proposta?

Desde o ano passado, o grupo está realizando séries de encontros por região do País, com participação presencial e virtual, para apresentação de propostas de políticas para o ensino médio e busca de convergências.

A primeira região a ter seminários foi a Sudeste, com o primeiro encontro ocorrido em outubro, seguido de outro em fevereiro e março. Em maio, haverá mais um no dia 4 e o último será em 15 de junho. O primeiro encontro fora do Sudeste será na região Norte, em Palmas, no Tocantins, dia 30 de abril. O primeiro seminário da região Sul ocorre nos dias 17 e 18 de junho no Instituto Federal do Paraná (IFPR), no campus da cidade de Jacarezinho.

“Paralelamente, estamos incentivando outras unidades universitárias coirmãs, de faculdades de educação nos outros Estados, para que estejam em sintonia conosco nas outras quatro regiões, com seus respectivos seminários”, explica Ghanem. As propostas já apresentadas e as futuras podem ser encontradas no site da iniciativa.

Elas são baseadas em três pilares: inclusão, democracia e contemporaneidade. É uma base para que haja o diálogo com as autoridades públicas. A meta é produzir, entre o poder público e a sociedade civil, peças para políticas educacionais para o ensino médio.

“Isso contraria o que é costumeiro: que políticas quaisquer, sejam econômicas ou sociais, não sejam definidas assim, com esse diálogo. Elas são definidas por pequenos ciclos de governança que contratam pequenos ciclos de especialistas, supostamente em benefício da grande parte do povo”, afirma o professor da FE.

Para ele, uma política educacional deve responder às necessidades da população. E precisa ser, ao mesmo tempo, uma política habitacional, de transporte, ambiental, cultural, esportiva, uma política de emprego. “E isso não faz parte da nossa tradição.”

Os principais interessados na discussão não ficam de fora. Ghanem diz que está se empenhando para que a participação dos estudantes aumente e se possa contar com as opiniões deles também.

“É comum ouvirmos até mesmo docentes falarem que, se desejam que se dê uma educação tão boa para quem está na periferia quanto para quem não está, isso seria ilusório e pouco. Porque a educação será boa se a prática escolar estiver conjugada ao esforço para que não haja pessoas em vulnerabilidade social. Não se trata apenas de dar escola de certo padrão para essa população. Trata-se de dar escola em padrões que se conjugam no esforço para que não haja gente vivendo em favela”, considera Ghanem.

Mais informações: https://www.politicasensinomedio.org/

Fonte: https://jornal.usp.br/

GRUPO +UNIDOS REALIZA ASSEMBLEIA ANUAL COM CEO’S E PRESIDENTES DAS EMPRESAS MEMBRO

GRUPO +UNIDOS REALIZA ASSEMBLEIA ANUAL COM CEO’S E PRESIDENTES DAS EMPRESAS MEMBRO

Na última terça-feira, 16 de abril, o Grupo +Unidos, fundo de investimento social atuante no Brasil há mais de 10 anos , realizou sua Assembleia Anual e reunião do Conselho Consultivo, instância máxima nas tomadas de decisão da organização. Na ocasião, os resultados de impacto social e financeiros obtidos ao longo do ano de 2018 foram apresentados às empresas associadas, bem como discutidos os próximos passos a serem dados para consolidar ainda mais a participação do Grupo no atendimento às demandas por investimento social privado no país.

As falas de abertura do encontro ficaram sob responsabilidade de David Bunce, presidente do Conselho Diretivo +Unidos e sócio aposentado da KPMG no Brasil, e de Adam Shub, Cônsul Geral dos Estados Unidos em São Paulo. Na ocasião, o Cônsul parabenizou o trabalho desenvolvido pelo Grupo e deu ênfase à importância do Projeto RoboLab, desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, a empresa de tecnologia Qualcomm e o Instituto TIM: “Obtivemos grandes estatísticas e resultados a partir dessa iniciativa, pois ela despertou o interesse em STEM entre os alunos das escolas públicas”, disse.

O diretor executivo do Grupo +Unidos, Augusto Corrêa, apresentou números que expressam o crescimento da organização nos últimos dois anos. Nesse período, foi aprovada a Política de Investimento Social do Grupo +Unidos, que consolidou o seu escopo de atuação e definiu métricas e indicadores para a mensuração do impacto social do investimento aplicado. É importante destacar que, desde 2016, o número de projetos apoiados praticamente triplicou e o número de estudantes e professores beneficiados aumentou em 5,7 vezes.

Ainda, nos últimos dois anos, o Grupo se especializou em algumas competências de trabalho. Além do investimento social, a instituição oferece aos seus parceiros a gestão e consultoria de projetos de impacto e promove o encontro entre diferente setores da sociedade – mundo corporativo, organizações sociais e poder público -, incentivando trocas de experiências e fortalecendo uma potente rede.

Gabriela Szprinc, presidente do Comitê Gestor +Unidos e responsável pela área de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) do PayPal no Brasil, fez uma breve fala de encerramento e, em seguida, prestou uma homenagem ao diretor da USAID no Brasil, Michael Eddy, por todo o apoio dado à iniciativa a partir da facilitação das relações com a Missão Diplomática Americana.

O Grupo +Unidos permite que o investimento colaborativo seja mais fácil e transparente para todas as partes envolvidas. Esperamos continuar trabalhando para atrair mais membros e continuar catalisando os resultados de um desenvolvimento transformador da educação brasileira. Se sua empresa também quer apoiar projetos de impacto, faça parte da nossa rede enviando um e-mail para contato@maisunidos.org.

Para ver as fotos do evento, acesse este link.

VOLUNTEER DAY 2019 PROMOVE ENCONTRO ENTRE PROFISSIONAIS DE GRANDES CORPORAÇÕES E ESTUDANTES PARTICIPANTES DE PROJETOS SOCIAIS

VOLUNTEER DAY 2019 PROMOVE ENCONTRO ENTRE PROFISSIONAIS DE GRANDES CORPORAÇÕES E ESTUDANTES PARTICIPANTES DE PROJETOS SOCIAIS

Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) apontaram que a taxa de desemprego da população brasileira ativa passou para 11,6% em dezembro de 2018 (12.195 milhões de pessoas). Dentre esses 12,2 milhões, 32,4% possuem entre 18 e 24 anos de idade e 34,4% está na faixa dos 25 a 39 anos. Ainda, há de se considerar a porcentagem de pretos e pardos que se enquadram neste grupo: 64,6%, o que expressa um aumento de 5,5%, desde 2012. Esses números evidenciam o desafio do ingresso do jovem no mercado, em função das diversas barreiras a ele impostas. Diante disso, a sociedade tem o dever de trabalhar para melhorar a nossa educação e aumentar a empregabilidade desses jovens.

Pensando nisso, o Grupo +Unidos criou a cultura de promover semestralmente o programa Volunteer Day, com o intuito de colaborar na preparação de jovens brasileiros socialmente vulneráveis para o mercado de trabalho. No último sábado, 13 de abril, foi realizada a 3ª edição do evento, que aconteceu durante o período da manhã no espaço Plug Calixto e contou com a colaboração dos executivos de empresas associadas ao Grupo, como Bank of America, BCW (Burson Cohn & Wolfe), Dow, PayPal e Trench Rossi Watanabe.

A ação voluntária consistiu em simulações de entrevistas de emprego em inglês, conduzidas pelos executivos das organizações vinculadas ao +Unidos, a 25 estudantes dos programas E2C (English to Connect, Communicate, Catalyze) e English Access. O principal objetivo foi colaborar para que os jovens tenham um melhor desempenho em futuras oportunidades de seleção, com dicas de importantes profissionais do mercado.

Não menos importante, o programa permitiu um rico intercâmbio entre voluntários e estudantes. No seu segundo ano como voluntário, Phelipe Torres, gerente de riscos e compliance da PayPal Brasil, comentou sobre a importância dessa troca e sobre os aprendizados adquiridos com a experiência. “Eu sinto que aprendi muito sobre as pessoas que estão aqui, sobre as suas realidades e sobre o quanto se esforçam para ter algo tão normal para nós, como poder se comunicar em inglês no dia-a-dia”, apontou.

Durante a manhã, os executivos também estiveram envolvidos em oficinas de capacitação para a atividade. As instituições ILIS (Instituto Lira de Inclusão Social) e Electi Educacional foram responsáveis por explicar aos voluntários como conduzir as entrevistas e em seguida como aplicar os feedbacks aos alunos. “Essa interação com as empresas, quando feita de uma forma mais afetuosa e amorosa, traz para os jovens a possibilidade de quebrar a tensão de uma entrevista ou de uma relação estritamente comercial. Acredito que todos tiveram uma experiência muito completa e enriquecedora”, afirmou Sami Elia, sócio da Electi Educacional.

Simultaneamente, os alunos participaram de um workshop realizado pelo LinkedIn sobre ferramentas e caminhos para aprimorar a apresentação dos seus perfis profissionais. Para Fabio Okino, executivo das soluções de marketing do LinkedIn, foi significativo ter uma diversidade tão grande no perfil dos jovens interessados em utilizar e aprender sobre a plataforma. “Fiquei surpreso com o conhecimento que as pessoas já possuíam sobre o LinkedIn. A atividade gerou muitas dúvidas e bastante interação. Foi muito bacana como modo de influenciá-los a se conectarem com as oportunidades que surgem”, comentou.

Para Gabriel Oliveira, advogado e aluno do projeto E2C, participar do evento foi uma ocasião importante para entrar em contato com pessoas em posições de destaque em suas carreiras: “Para mim, o inglês foi uma barreira muito grande na minha história acadêmica e profissional. Perdi muitas oportunidades grandes por não ter essa ferramenta de trabalho. Hoje, eu tenho a chance de trabalhar com essa deficiência que possuo e desenvolvê-la, para que não seja mais uma limitação. Eventos como esse são importantes para que tenhamos uma comunidade cada vez mais unida”.

Para ver as fotos do evento, acesse este link.