No dia 12 de junho de 2019 aconteceu o 2° Seminário Finanças do Bem: o Estado da Arte, promovido pela SITAWI em São Paulo. O evento reuniu especialistas nacionais e internacionais que compartilharam experiências sobre Investimento de Impacto e Investimento Responsável.

Ao todo, circularam 283 convidados nos espaços da Unibes Cultural, durante um dia inteiro de programação gratuita, fazendo networking e aprendendo mais sobre Finanças do Bem. O evento contou com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), do Instituto Humanize e do Parceiros pela Amazônia (PPA). Para conferir as fotos do evento, acesse aqui.

Foram dez sessões, entre painéis e plenárias, que abordaram temas como Contratos de Impacto Social, Títulos Verdes, Risco Socioambiental, Mecanismos Financeiros Inovadores, Fundos Filantrópicos, Integração ASG, além de Mudanças Climáticas e Investimento na Amazônia.

A primeira plenária do Seminário, “Is Blended the New Finance?”, debateu os diversos tipos de capital para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e contou com a participação do Rodrigo Ordenes, Senior Investment Officer da ResponsAbility, do Fábio Deboni, Gerente-Executivo do Instituto Sabin, da Eliane Lustosa de Andrade, Diretora de Investimento do BNDES, e de Leonardo Letelier, CEO da SITAWI, como moderador. 

‘No painel discutimos oportunidades e desafios do blended finance a partir de diferentes perspectivas e atores – bancos de desenvolvimento, fundações/filantropia, investidores. O avanço recente do tema tem despertado atenção dos diferentes atores em relação à adoção de um mix de distintos capitais para potencializar impacto socioambiental positivo’, comenta Fábio Deboni.

Para finalizar o debate, a SITAWI Finanças do Bem, com o apoio do Instituto Sabin, lançou uma Plataforma de Empréstimo Coletivo que permite que pessoas e organizações invistam diretamente em negócios de impacto socioambiental positivo. 

Em seguida, tivemos dois painéis simultâneos: um sobre Contratos de Impacto Social (CIS) na América Latina e outro sobre Tendências de integração ASG em renda fixa e crédito bancário. 

Para debater sobre CIS, convidamos a Maria Laura Tinelli, Diretora da Acrux Partners, o Adolfo Díaz, Chefe de Gabinete, Ministério de Desenvolvimento Urbano e Transporte de Buenos Aires, o Daniel Uribe, Subdiretor Técnico da Fundación Corona e a Marta Garcia, Diretora da Social Finance UK. Ao final do painel, foi anunciada a Rede Latino-americana de Contratos de Impacto Social, que é formada por 11 organizações intermediárias de países da América Latina e tem como objetivo pôr em prática esse novo mecanismo.

Moderado pelo Frederico Seifert, os integrantes do painel sobre Crédito de Impacto discutiram os riscos e oportunidades da integração de temas socioambientais na renda fixa e no crédito bancário. Pelo lado dos riscos, Cristiane Spercel, Vice Presidente e Analista Sênior da Moody’s América Latina, apresentou como uma agência tradicional de rating vem desenvolvendo metodologias para avaliar e quantificar os temas sociais e ambientais. Samuel Canineu, Country Manager do ING Bank N.V, por sua vez, falou sobre as oportunidades geradas pelo tema, como a criação de instrumentos e mecanismos como green bonds e sustainable loans. Bruno Cavassini, especialista em Tesouraria e Análise de Investimentos da AES Tietê trouxe o caso de uma empresa da economia real, descrevendo os desafios e os benefícios de sua primeira emissão de um título verde. Foi divulgado, também, o Programa de Fomento à Estruturação e Avaliação Externa de Títulos Verdes (PEAX), que tem como objetivo fomentar emissões pioneiras de Títulos Verdes com alta adicionalidade climática. Para quem tiver interesse, acesse aqui. 

Mudanças Climáticas

Cada vez mais, grupos de investidores começam a considerar questões ambientais e sociais em seus portfólios de investimento. Além da rentabilidade, a preocupação com as mudanças climáticas, devido à elevada emissão de gás carbônico na atmosfera, leva o investidor a analisar também o uso eficiente e sustentável dos recursos naturais pelas empresas. Para entender melhor o tema, convidamos especialistas no assunto para nossa segunda plenária do Seminário. Carlos Takahashi, Managing Director & Country Head Brazil da BlackRock, João Lampreia, Gerente Sênior do Carbon Trust, Daniel Ricas, Assessor Técnico Sênior do GIZ, e Gustavo Pimentel, Diretor da SITAWI, participaram da sessão “Clima de Mudança: Descarbonizando portfólios para investir em soluções climáticas”. A plenáriadiscutiu as diferentes opções para se avaliar como portfólios de investimento afetam o clima e reduzir os impactos de tais investimentos, e como o clima afeta portfólios de investimento e como se pode mitigar estes riscos.

“Instituições financeiras, investidores institucionais e empresas estão cada vez mais atentos à necessidade de se avaliar os impactos de suas ações no clima e os riscos climáticos que incidem sobre seus investimentos. As razões para fazê-lo são diversas, desde assegurar a longevidade e prosperidade de seus negócios, responder às demandas de investidores ou consumidores, até contribuir com compromissos setoriais ou globais, como o Acordo de Paris. É ótimo ver esta discussão tomando forma no Brasil”, comentou João Lampreia. 

“Esta é uma agenda em franca expansão, e cabe ao Brasil se posicionar para assumir um papel de protagonista ou observador”, conclui Daniel Ricas.

Investidores pelo Clima

Ao final, foi lançado o Investidores pelo Clima (IPC) que tem como objetivo engajar e capacitar investidores profissionais do Brasil para que avancem na descarbonização de seus portfólios, contribuindo para o alcance das metas brasileiras no Acordo de Paris. O IPC tem a coordenação técnica e secretaria executiva da SITAWI e patrocínio do Instituto Clima e Sociedade . A iniciativa promoverá um grupo de diálogo sobre descarbonização, criação de ferramentas para fomentar a descarbonização, exposição do tema em mídia especializada e advocacy para inserção do tema na agenda do mercado.

Logo após a segunda plenária, o encontro teve sequência com dois painéis: “Filantropia turbinada para desafios do século XXI” e “Sustentabilidade no bolso e na bolsa: como empresas e investidores vêm transformando ASG em dinheiro?”. No primeiro, participaram Luciane Gorgulho, Chefe do Departamento de Educação e Cultura do BNDES, Roland Widmer, Gerente de Programas e Fundos da SITAWI, Augusto Corrêa, Diretor Executivo do Grupo +Unidos e Graciela Selaimen, Coordenadora de Programa da Fundação Ford, para discutir sobre experiências onde a combinação de instrumentos financeiros maximizou o impacto socioambiental positivo dos projetos. Nesse caso, a filantropia esteve associada a outros mecanismos para a geração de impacto, impulsionando o mesmo. Luciane comentou sobre a iniciativa de apoio ao patrimônio cultural a partir da combinação de financiamento coletivo com o matchfunding. Por sua vez, Graciela comentou sobre a criação de fundos filantrópicos para a alavancagem de campos sociais estratégicos. Complementando a discussão, Roland trouxe o panorama do Território Médio Juruá, onde foram combinados doações de diferentes agentes econômicos para catalisar o desenvolvimento local.

Já no segundo painel, a discussão foi sobre abordagens para criação de valor através da integração ASG do ponto de vista de ativos líquidos (equities e crédito), private equity e corporativo. O painel contou com os especialistas Julio Ramundo, Diretor de Finanças Corporativas da Suzano, Natalia Galarti, COO / E&S Officer da Crescera Investimentos, Cristóvão Alves, Analista-chefe da SITAWI, e Fabio Guido, Gerente de Relações Institucionais do CEBDS.

Na sequência, dois painéis para arrematar o encontro. Um sobre investimento na Amazônia e outro sobre evolução regulatória e impacto socioambiental. O painel “Investindo na Amazônia: One size does not fit all” teve como debate a necessidade de promover o desenvolvimento de uma economia sustentável com a adoção de práticas econômicas com maior produtividade por unidade de área, capazes de sustentar a população local em um nível de renda mais alto e com menos impacto ambiental, sendo necessário o desenvolvimento e implementação de um ecossistema de investimento, envolvendo empreendedores, doadores e investidores de impacto. Esse tema contou com os especialistas Mariano Cenamo, Diretor de Novos Negócios do IDESAM/PPA, Joanna Martins, CEO da Manioca, Georgia Pessoa, CEO da Instituto Humanize, e Nick Oakes, Diretor de Investimentos da Althelia Funds. Ao final, foi divulgada a 2° Chamada de Negócios PPA, que busca apoiar negócios e empreendedores de impacto que estejam gerando e fortalecendo uma nova economia, baseada na conservação dos recursos naturais e na valorização da sociobiodiversidade da Amazônia. Saiba mais aqui. 

Ao mesmo tempo, no teatro, aconteceu o painel “Convicção, Conveniência, Compliance? Evolução regulatória e impacto socioambiental em diferentes classes de ativo”, que teve a participação de Luís Stancato, Coordenador na área de fiscalização do Banco Central do Brasil, Cláudio Maes, Gerente de Desenvolvimento de Normas da CVM, Élida Almeida, Coordenadora de Sistemas Financeiros da Subsecretaria de Políticas Microeconômicas e Financiamento da Infraestrutura da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, e Guilherme Teixeira, Consultor Sênior da SITAWI, como moderador do debate. Para encerrar o painel, foi feito o anúncio da SITAWI como parte do consórcio implementador do UK Prosperity Fund Green Finance Programme.

Plataforma de Empréstimo Coletivo SITAWI

Com o apoio do Instituto Sabin, a SITAWI lançou durante o Seminário uma Plataforma de Empréstimo Coletivo que permite que pessoas e organizações invistam diretamente em negócios de impacto socioambiental positivo. A iniciativa, que aumenta o acesso ao investimento de impacto no Brasil, tem expectativa de mobilizar R$ 1,5 milhão, multiplicando o capital investido e o impacto positivo gerado.

A plataforma está no ar no endereço www.emprestimocoletivo.net. Nela, os interessados podem pesquisar o perfil, o impacto e as projeções financeiras de 5 negócios de impacto selecionados pela SITAWI e investir na que escolherem, com valores a partir de R$ 1 mil. Os negócios de impacto usarão o dinheiro para alavancar suas operações e pagarão juros de 1% ao mês pelo empréstimo.

“A SITAWI está dando um grande passo, não só em reduzir barreiras para que mais pessoas façam investimentos de impacto e para que o recurso se torne mais abundante para os negócios, mas também em transformar a maneira como cada um lida com a força do dinheiro. Lançar a plataforma no Seminário, com os parceiros presentes e com captação expressiva no primeiro dia de lançamento, mostra que estamos caminhando com uma rede poderosa em que, juntos, podemos transformar a nossa realidade”

O Seminário Finanças do Bem: o Estado da Arte terá sua terceira edição em 2021. Para não perder nenhuma notícia até lá, acompanhe o Facebook LinkedIn da organização e, para o lançamento da sua próxima websérie, seu canal no Youtube.

Fonte: SITAWI.