Garantir que todas as juventudes encontrem caminhos para atuar na construção do melhor mundo. Esta é a ideia que motiva o Em Movimento, rede de organizações que atuam em prol das juventudes brasileiras, como Instituto Arapyaú, Ashoka, Impact Hub São Paulo, Fundação Arymax, Instituto Elos, Historiorama e Grupo +Unidos. O que une tais organizações é o olhar focado para as demandas das juventudes e o suporte que oferecem para que se engajem, se desenvolvam e tenham mais acesso às oportunidades oferecidas pelos campos sociais.

Há algum tempo, com o intuito de alimentar o seu pilar de inteligência coletiva, o Em Movimento criou uma metodologia chamada LAB para realizar conversas aprofundadas com sabedores a respeito de algum tema de relevância aos jovens brasileiros. Assim, a partir do levantamento de provocações e discussões, o LAB ganha relevância enquanto ferramenta de escuta, tradução e disseminação de agendas fundamentais, entre juventudes e organizações.

Nesse percurso, a organização já realizou LABs para discutir sobre temas de extrema pertinência, tais como, saúde mental, genocídio da juventude negra e reforma do ensino médio. Na última semana de outubro, o LAB reuniu jovens e especialistas do terceiro setor em torno de outra  questão central: quando tratamos sobre geração de trabalho e renda, o que é mais importante para as juventudes?

Sabemos que são muitos e diferentes os motivos pelos quais jovens enfrentam dificuldade ao tentar acessar o mercado de trabalho. De maneira geral, a instabilidade econômica da última década impactou especialmente na trajetória daqueles que procuravam a sua primeira oportunidade de atuação profissional. De maneira evidente, as estatísticas do PNAD ilustram esse quadro ao apontar que a probabilidade de um jovem (de 18 a 24 anos) estar sem emprego é quase três vezes maior do que a dos demais brasileiros desocupados.

Ainda, mesmo quando empregados, os jovens são os mais suscetíveis a demissão.  Este cenário pode ser referendado pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) o qual aponta que entre novembro de 2018 a janeiro de 2019 a taxa geral de crescimento de ocupação foi de 0,9% ao mesmo tempo em que houve um retraimento de 1,3% entre os indivíduos de 18 a 24 anos.

Evidentemente, esses dados não atingem todos os jovens de maneira uniforme. As juventudes periféricas, por exemplo, enfrentam  maior dificuldade para acessar oportunidades de qualificação profissional adequada, situação que se agrava quando são considerados os recortes de etnia e gênero no aprofundamento dessas análises.

“Hoje existem avanços em acessos, mas ainda existem inúmeros desafios para esse jovem que está na periferia. Você consegue hoje ter condições mínimas de possibilidades e perspectivas para a juventude, mas pela conjuntura política e econômica atual elas podem ser desconstruídas”, comentou Alex Barcellos, do Solano Trindade, economista e também morador da periferia.

Assim, objetivando tratar dessas e outras questões sobre os jovens e o mundo do trabalho  considerando visões múltiplas, realizamos o “LAB Geração de Trabalho e Renda”. O encontro foi organizado em 3 blocos que discutiram, nesta ordem, as diferenças entre trabalho e geração de renda, as novas formas de trabalho e profissões e quais caminhos devem ser seguidos para amplificar o debate e as oportunidades de trabalho  dentre os jovens. 

O evento aconteceu na sede da Educafro, no centro de São Paulo, e contou com a participação de mais de 30 pessoas, entre membros da mesa de discussão e ouvintes. A facilitação da conversa ficou a cargo de Tony Marlon, do Historiorama, e de Camila Ribeiro, do Em Movimento. Colaboraram com o debate representantes das organizações Solano Trindade, Carambola Tech, Arrastão, Arymax, Embarque no Direito, Wieden e com os jovens Gabriel Oliveira, do projeto E2C (English to Connect, Communicate, Catalyze), Jess Vieira, ilustradora, e Midria, poeta e slammaster do Slam USPerifa.

Para ver fotos do encontro, acesse: www.maisunidos.org/fotos-e-videos/