RESOLUÇÃO DO MEC DEFINE DIRETRIZES PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

RESOLUÇÃO DO MEC DEFINE DIRETRIZES PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

A capacitação dos docentes é o primeiro passo para a melhoria dos índices de educação no país. Pensando nisso, o Ministério da Educação (MEC) publicou resolução que institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) e define diretrizes para a política.

O texto indica que os currículos dos cursos de formação dos docentes vão ter como referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que define os direitos de aprendizagem de todos os alunos das escolas brasileiras. As instituições de ensino com cursos de licenciatura terão no mínimo dois anos para fazer a adequação dos currículos à base.

Uma das principais mudanças dessa diretriz é a formação baseada em atividades práticas e presenciais. “A prática deve estar presente em todo o percurso formativo do licenciando, com a participação de toda a equipe docente da instituição formadora”, de acordo com a resolução.

“A resolução estabelece as diretrizes e habilidades que irão nortear a formação inicial, definindo as competências que deverão ser desenvolvidas nos futuros professores”, explicou o secretário de Educação Básica do MEC, Janio Macedo. A resolução foi publicada na edição desta segunda-feira, 10 de fevereiro, do Diário Oficial da União (DOU).

Pela primeira vez, a obrigatoriedade de horas práticas também se estende aos cursos a distância. “Para a oferta na modalidade EaD, as 400 horas do componente prático, vinculadas ao estágio curricular, bem como as 400 horas de prática como componente curricular ao longo do curso, serão obrigatórias e devem ser integralmente realizadas de maneira presencial”.

Todos os cursos de nível superior de licenciatura destinados à formação inicial de professores terão carga horária total de no mínimo 3.200 horas, organizadas em três grupos:

  • Grupo I: 800 horas, para a base comum que compreende os conhecimentos científicos, educacionais e pedagógicos e fundamentam a educação e suas articulações com os sistemas, as escolas e as práticas educacionais;
  • Grupo II: 1.600 horas, para a aprendizagem dos conteúdos específicos das áreas, componentes, unidades temáticas e objetos de conhecimento da BNCC, e para o domínio pedagógico desses conteúdos;
  • Grupo III: 800 horas para prática pedagógica. Metade do tempo para o estágio supervisionado, em situação real de trabalho em escola, segundo o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) da instituição formadora, e outras 400 horas para a prática dos componentes curriculares dos Grupos I e II, distribuídas ao longo do curso, desde o seu início.

Competências – A base é estruturada em habilidades e competências gerais e específicas para a formação dos novos professores. O documento pretende que o docente vá além do conteúdo tradicional de sala de aula. A ementa sugere que o profissional desenvolva, nos estudantes, competências éticas, humanas e técnicas para incentivar a reflexão, análise, comparação e uso das tecnologias disponíveis.

Confira abaixo as competências gerais da base:

1. Compreender e utilizar os conhecimentos historicamente construídos para poder ensinar a realidade com engajamento na aprendizagem do estudante e na sua própria aprendizagem colaborando para a construção de uma sociedade livre, justa, democrática e inclusiva.

2. Pesquisar, investigar, refletir, realizar a análise crítica, usar a criatividade e buscar soluções tecnológicas para selecionar, organizar e planejar práticas pedagógicas desafiadoras, coerentes e significativas.

3. Valorizar e incentivar as diversas manifestações artísticas e culturais, tanto locais quanto mundiais, e a participação em práticas diversificadas da produção artístico-cultural para que o estudante possa ampliar seu repertório cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens — verbal, corporal, visual, sonora e digital — para se expressar e fazer com que o estudante amplie seu modelo de expressão ao partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos, produzindo sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas docentes, como recurso pedagógico e como ferramenta de formação, para comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e potencializar as aprendizagens.

6. Valorizar a formação permanente para o exercício profissional, buscar atualização na sua área e afins, apropriar-se de novos conhecimentos e experiências que lhe possibilitem aperfeiçoamento profissional e eficácia e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania, ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Desenvolver argumentos com base em fatos, dados e informações científicas para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns, que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental, o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas, desenvolver o autoconhecimento e o autocuidado nos estudantes.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza, para promover ambiente colaborativo nos locais de aprendizagem.

10. Agir e incentivar, pessoal e coletivamente, com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência, a abertura a diferentes opiniões e concepções pedagógicas, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários, para que o ambiente de aprendizagem possa refletir esses valores.

Fonte: Portal do MEC.

LINKEDIN LEVANTA AS 15 PROFISSÕES EMERGENTES EM 2020

LINKEDIN LEVANTA AS 15 PROFISSÕES EMERGENTES EM 2020

O LinkedIn, maior rede social profissional do mundo, divulgou na última quarta-feira (8) a lista das 15 profissões mais promissoras para 2020 no Brasil. Carreiras ligadas aos setores de tecnologia da informação e internet foram as que mais apareceram na lista, ocupando 13 posições.

No topo do levantamento “Profissões Emergentes”, como foi nomeado, aparece gestor de redes sociais, seguido pelo engenheiro de cibersegurança e o representante de vendas. Outro destaque na edição deste ano da lista é motorista. Ao observar os três setores da economia que mais devem demandá-los no próximo ano, constata-se que, entre eles, estão as empresas ligadas a internet e a serviços e facilidades ao cliente, como os aplicativos de transporte de passageiros e os de compras e entregas.

O relatório foi feito com base em dados de usuários do LinkedIn com perfil público que tenham ocupado uma ou mais posições em tempo integral no Brasil nos últimos cinco anos. A partir das informações, identifica-se o grupo de profissões que mais se movimentaram no período e aplica-se, a cada uma delas, uma fórmula que inclui o número de contratações e a taxa de crescimento anual entre 2015 e 2019 para mapear as que tiveram maior expansão.

Confira o ranking completo, além das habilidades mais requisitadas e os setores que mais contratam cada uma das profissões:

1. Gestor de mídias sociais
Cinco conhecimentos primordiais: Marketing digital; redes sociais; Adobe Photoshop; Adobe Illustrator; e marketing.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Publicidade e marketing; mídia online; e internet.

2. Engenheiro de cibersegurança
Cinco conhecimentos primordiais: Docker Products; Ansible; DevOps; Amazon Web Services, AWS; e Kubernetes.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; software de computadores; serviços financeiros.

3. Representante de vendas
Cinco conhecimentos primordiais: Outbound Marketing; inbound marketing; pré-venda; vendas internas; e prospecção.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Softwares de computadores; tecnologia da Informação e serviços; e internet.

4. Especialista em sucesso do cliente
Cinco conhecimentos primordiais: Inbound marketing; auxiliar no sucesso do cliente; relações com o cliente; marketing digital; e experiência do cliente.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; software de computadores; e internet.

5. Cientista de dados
Cinco conhecimentos primordiais: Machine Learning; ciência de dados; linguagem Python; linguagem R; e ciência de dados.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; bancos; e softwares de computadores.

6. Engenheiro de dados
Cinco conhecimentos primordiais: Apache Spark; Apache Hadoop; grandes bancos de dados; Apache Hive; e a linguagem de programação Python.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; bancos; e serviços financeiros.

7. Especialista em Inteligência Artificial
Cinco conhecimentos primordiais: Machine learning; deep learning; linguagem de programação Python; ciência de dados; Inteligência Artificial (IA).
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; softwares de computadores; e instituições de ensino superior.

8. Desenvolvedor em JavaScript
Cinco conhecimentos primordiais: React.js; Node.js; AngularJS; Git; e MongoDB.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; softwares de computadores; e internet.

9. Investidor Day Trader
Cinco conhecimentos primordiais: Bolsa de valores; Technical Analysis; investimentos; mercado de capitais; e o investimento de curto prazo Trading.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Serviços financeiros; mercado de capitais; e gestoras de fundos de investimentos.

10. Motorista
Cinco conhecimentos primordiais: Serviço ao cliente; Microsoft Word; liderança; Microsoft Excel; e vendas.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Internet; transportes terrestres e ferroviários; e serviços e facilidades ao cliente.

11. Consultor de investimentos
Cinco conhecimentos primordiais: Investimentos; mercado de capitais; mercado financeiro; renda fixa; e análise financeira.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Serviços financeiros; mercado de capitais; e bancos.

12. Assistente de mídias sociais
Cinco conhecimentos primordiais: Redes sociais; marketing digital; Adobe Photoshop; Instagram; e publicidade.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Publicidade e marketing; internet; Tecnologia da Informação e serviços.

13. Desenvolvedor de plataforma Salesforce
Cinco conhecimentos primordiais: Desenvolvimento de Salesforce.com; linguagem de programação Apex; recursos do Salesforce.com; administração de Salesforce.com; e Visualforce.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Softwares de computadores; Tecnologia da Informação e serviços; e consultoria em gestão.

14. Recrutador especialista em Tecnologia da Informação
Cinco conhecimentos primordiais: Recrutamento em TI; recrutamento; entrevista; pesquisa de executivos; e técnicas de recrutamento.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; recrutamento e seleção; e Recursos Humanos.

15. Coach de metodologia Agile
Cinco conhecimentos primordiais: Kanban; metodologia Agile; Scrum; gestão de projetos em Agile; e agilidade para os negócios.
Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; softwares de computadores; e internet.

Fonte: Guia do Estudante.

GRUPO +UNIDOS, QUALCOMM E GERDAU COLABORAM COM GOVERNO DE SÃO PAULO PARA FORTALECER ENSINO DE TECNOLOGIA EM ESCOLAS PÚBLICAS

GRUPO +UNIDOS, QUALCOMM E GERDAU COLABORAM COM GOVERNO DE SÃO PAULO PARA FORTALECER ENSINO DE TECNOLOGIA EM ESCOLAS PÚBLICAS

O Grupo + Unidos, a Qualcomm e a Gerdau anunciam colaboração com a Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo para o lançamento do componente de Tecnologia e Inovação do Programa Inova Educação. A iniciativa prevê que 2 milhões de alunos em 3,8 mil escolas da rede pública estadual tenham aulas semanais de tecnologia. O componente conta com três eixos: Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação, Letramento Digital e Pensamento Computacional, que abarcará questões de dados, segurança da Internet, Fake News, cidadania digital, programação e robótica.

Em 2018, o Grupo +Unidos trabalhou com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para realizar um piloto de ensino de programação e robótica em 10 escolas, tendo beneficiado mais de 500 alunos por meio do projeto Robolab. Os aprendizados obtidos demonstraram o impacto positivo do ensino de robótica e no interesse dos alunos pela escola (aumento de 26% para 79%) e por matérias relacionadas a matemática e ciências (crescimento de 2% para 63%).

O Inova Educação abrange toda a rede Estadual do 6º ano do Ensino Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio. Ao todo, 100 mil professores realizaram o curso de formação inicial e eles poderão se candidatar para ministrar as aulas de tecnologia e inovação. A Secretaria de Educação do Estado investirá recursos para a compra de equipamentos e adequação da infraestrutura das escolas.

“O Inova Educação surgiu da resposta que queremos dar aos nossos estudantes sobre o que eles sonham e esperam das escolas. Queremos que a escola faça sentido aos nossos alunos, por isso vamos oferecer três novas disciplinas: Tecnologia e Inovação, Projeto de Vida e Eletivas”, destaca Rossieli Soares, secretário da Seduc.

“Sabemos dos grandes desafios que a educação básica enfrenta no Brasil. Reconhecemos também que é responsabilidade de toda a sociedade se mobilizar para garantir formação humana e profissional de qualidade a todos.  Queremos que os jovens de hoje se tornem, num futuro breve, cidadãos capacitados e principais personagens de seu próprio desenvolvimento. Entendemos que a tecnologia tem papel fundamental neste intento, ao proporcionar acesso a novos conhecimentos, carreiras e possibilidades. Por este motivo, nos esforçamos para articular as inciativas pública e privada para que possam trabalhar em conjunto no sentido de garantir uma educação atual e coerente para a rede pública estadual de ensino”, declarou Augusto Corrêa, Diretor Executivo do Grupo +Unidos.

“A introdução de aulas de tecnologia e robótica para os alunos da rede pública é um importante fator de desenvolvimento das competências do século XXI para os jovens brasileiros, que irão se tornar protagonistas de um mundo cada vez mais conectado e digital. Por meio da Qualcomm Foundation, estamos felizes por dar suporte ao programa Inova Educação, um projeto de grande escala e que trará certamente impacto muito positivo para os alunos da rede estadual”,  afirmou Rafael Steinhauser, Presidente da Qualcomm para América Latina. A participação da Qualcomm Foundation neste projeto foi feita por meio de uma doação ao Grupo + Unidos por um fundo da Qualcomm Foundation na Charities Aid Foundation.

“O mundo está mudando cada vez mais rápido, assim como o mercado de trabalho e as profissões. A iniciativa Inova Educação, por meio do módulo de robótica, tem como objetivo preparar os jovens para esse novo mundo. Na Gerdau, acreditamos que a educação empreendedora é um importante meio para construirmos uma sociedade mais justa, com oportunidades para todos, empoderando esses jovens para que eles construam e sejam protagonistas de seu próprio futuro. Por isso, firmamos a parceria com o Grupo Mais Unidos e o Governo do Estado de São Paulo nesse projeto, a fim de aprimorar o ensino, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de professores e alunos”, declarou Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.

Componente de Tecnologia – Inova Educação

No Inova Educação, cada escola receberá investimentos de acordo com seu nível de maturidade, podendo receber novos equipamentos dependendo de sua evolução ao longo programa. Para efeito de mensuração, serão utilizados os seguintes critérios: aplicação da tecnologia relacionada à Proposta Pedagógica da escola, envolvendo os critérios dimensão, formação, infraestrutura e recursos digitais em que serão ouvidos os três grupos: gestão, professores e alunos.

Os alunos poderão se beneficiar das descobertas que a tecnologia permite, qualquer que seja a quantidade de computadores, qualidade da conexão à internet ou nível de familiaridade dos professores com as tecnologias digitais. O objetivo é usar a tecnologia como ferramenta para comunicação, criação de projetos e soluções.

Para este projeto, foi criado um Grupo de Trabalho voltado exclusivamente para a construção de um modelo pedagógico. Esse grupo é composto por professores, coordenadores, técnicos, consultores externos, especialistas em linguística e em desenvolvimento pedagógico

No total, 100 mil professores de toda rede pública do Estado de São Paulo se inscreveram no primeiro módulo de treinamento à distância. Mais de 3800 escolas de todo o Estado receberão investimentos em infraestrutura. A nova edição do projeto visa contemplar 2 milhões de estudantes do Fundamental II e Ensino Médio.

No que se refere à linha pedagógica, o foco passa a ser o desenvolvimento pleno do estudante, unindo habilidades cognitivas com habilidades socioemocionais, em que entram conteúdos sobre mídias digitais e cidadania digital nas aulas.

Resultados do projeto Robolab

O projeto piloto, inaugurado em abril de 2018, fez sucesso entre os estudantes e superou as expectativas dos professores e idealizadores. De acordo com uma pesquisa feita com as escolas participantes, ajudou a aumentar o interesse dos estudantes por matemática e ciências, de 2% para 63%, assim como o interesse em tecnologia em geral, de 53% para 84%.

O engajamento dos estudantes com a escola também cresceu de 26% para 79%, de acordo com os professores consultados. O levantamento mostra ainda que 93% dos estudantes que tiveram experiência com pensamento computacional e robótica disseram que pretendem aplicar a maior parte do conhecimento adquirido em sala de aula. 

EUA APOIAM PROGRAMA QUE AUXILIA IMIGRANTES VENEZUELANOS NO BRASIL

EUA APOIAM PROGRAMA QUE AUXILIA IMIGRANTES VENEZUELANOS NO BRASIL

Autoridades da USAID disseram que a agência vai fornecer 4 milhões de dólares para financiar o programa que irá facilitar o acesso a trabalho formal, treinamentos corporativos e cursos de línguas para facilitar a integração econômica e social a imigrantes da Venezuela.

Dos 4,6 milhões de venezuelanos que fugiram da crise política e econômica em seu país, quase 900 mil cruzaram a fronteira para o Brasil desde 2018. Em média, 500 pessoas por dia ainda fazem a travessia, de acordo com o governo brasileiro.

A maioria também continua a fazê-lo em outros países, especialmente na América Latina de língua espanhola. Cerca de 264 mil venezuelanos se inscreveram para permanecer no Brasil, sobrecarregando os serviços sociais em Roraima.

O programa apoiado pela USAID e pela OIM vai complementar os esforços do Exército brasileiro para transferir os imigrantes venezuelanos para cidades de outros pontos do país, onde há mais oportunidades de trabalho e de estabelecer uma nova vida.

Chamada de Integração Econômica de Nacionais Vulneráveis da Venezuela no Brasil, a medida foi lançada em Brasília por John Barsa, administrador adjunto da USAID para a América Latina. Não é uma solução a longo prazo, mas fornece a ajuda necessária até que a estabilidade volte à Venezuela, disse ele.

“Isso só acontecerá quando o regime ilegítimo de Maduro não estiver mais no poder”, afirmou Barsa, reiterando a política de apoio do governo Trump ao líder da oposição Juan Guaidó, em detrimento ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

A agência informou que já forneceu cerca de 15 milhões de dólares em apoio a venezuelanos no Brasil.

O governo Trump reduziu para 18 mil o número de refugiados de qualquer país cuja reinstalação nos EUA será permitida em 2020, o nível mais baixo da história do moderno programa de refugiados.

Desde abril de 2019, o Brasil transferiu 27.222 refugiados e imigrantes venezuelanos para diferentes cidades do país, disse o coronel do Exército Georges Kanaan, que dirige a operação logística humanitária das Forças Armadas na fronteira, elogiada pela OIM.

Em um desses voos estava José Ángel Pérez e sua família, de Anaco, no leste da Venezuela, onde era motorista de caminhão-tanque da petroleira estatal PDVSA. Ele espera que, com o novo programa, encontre trabalho estável no Brasil.

“Eu preciso de um emprego, assim como minha esposa. Planejamos ficar. A mudança não acontecerá rapidamente na Venezuela”, afirmou.

Fonte: Terra.

RUMO AO MIT: JOVEM CRIA TINDER DO EMPREGO PARA MORADORES DE PARAISÓPOLIS

RUMO AO MIT: JOVEM CRIA TINDER DO EMPREGO PARA MORADORES DE PARAISÓPOLIS

A virada do ano para um jovem estudante brasileiro de engenharia mecatrônica promete muito mais do que votos de saúde e paz. Em 2020, Davi Dom Bosco Silva, universitário bolsista do Insper, vai levar o nome do Brasil para uma das instituições de ensino mais importantes no mundo, o MIT (Massachusetts), nos Estado Unidos.

Aos 21 anos, o estudante se prepara para vencer distâncias. E não só a física. Distância, aqui, tem um sentido mais amplo: o de ir além dos próprios preconceitos na busca por aprender com o outro e também ajudá-lo.

Em terras estrangeiras, o jovem vai apresentar para alunos e docentes do MIT a sua plataforma online “Quero Trampo”, uma espécie de Tinder do emprego para os moradores de Paraisópolis, segunda maior comunidade de São Paulo.

A ideia de Silva foi elaborada junto com Flávia Rodrigues, estudante de marketing da faculdade Ítalo-Americana e educadora social de Paraisópolis.

Como a ideia surgiu e como vai funcionar

A oportunidade de levar o nome do Brasil para o mundo surgiu a partir de uma parceria entre o Insper e o MIT Brasil, braço da universidade norte-americana por aqui. E tudo ganhou forma durante o curso de férias “Design com contextos sociais”.

Voltado para estudantes de diversas áreas, os dois universitários escolheram como objeto de estudo e trabalho do curso “a problemática da empregabilidade na favela”. Trocando em miúdos, a gigante expressão resume a dificuldade que os moradores de comunidades enfrentam ao buscar um emprego simplesmente ao revelarem sua origem, conta Silva.

Com o tema definido, os dois jovens foram se aproximando de Paraisópolis. Conheceram alguns projetos sociais e compreenderam que havia uma necessidade de conectar os moradores às vagas disponíveis no mercado de trabalho, e não só criar sistemas que apenas armazenassem currículos.

“Inicialmente, o projeto era bem aberto: a ideia era ir lá e identificar qual o principal problema dos moradores. Fomos às ruas, fizemos várias entrevistas e perguntávamos: ‘Qual a maior dor enfrentada pela comunidade? Em quase 100% das vezes, o desemprego foi o relato ouvido”, lembrou Silva.

“Ouvimos pessoas que estavam na fila por atendimento médico havia horas. Foi muito impressionante ouvir ali, naquela condição, com problemas mais evidentes, que mesmo a empregabilidade era a maior dor delas”, acrescentou.

Tinder do Emprego

Já com o problema detectado, agora era hora de pensar formas para resolvê-lo. Ou pelo menos, tentar.

Em contato com o programa “Emprega Paraisópolis”, desenvolvido na própria comunidade, os estudantes perceberam que o deslocamento dos moradores até o projeto era um dos fatores limitantes para o fortalecimento da iniciativa —isso limitava cadastramentos (presenciais e centralizados em uma única pessoa, por exemplo).

Foi então que a plataforma online “Quero Trampo”, nos formatos de site e aplicativo, ganhou vida para auxiliar os moradores da comunidade a formularem os seus próprios currículos e conectá-los a vagas compatíveis oferecidas por empresas parceiras.

“Pude entender o quanto ainda de preconceito há contra as pessoas simplesmente em função do local em que elas vivem. A plataforma vai digitalizar e deixar mais ágil o match entre candidatos e vagas, mas a ideia por trás disso é tentar mudar a perspectiva das empresas de que um mercado com mais diversidade é melhor para todo mundo, inclusive para elas, explicou.

“Foi novo e enriquecedor entrar em uma nova realidade e tirar os pré-conceitos da mente para realmente entender a necessidade das pessoas dali, e não vir, simplesmente, com uma fórmula pronta para resolver”, acrescentou.

A versão beta da plataforma deve ficar pronta até março do ano que vem.

Os custos de viagem e hospedagem para os Estados Unidos serão bancados pelo MIT Brasil. Mas, por não ter condições de arcar com o restante, Silva tem tentado diferentes formas para conseguir pagar as futuras despesas.

Uma delas foi a confecção e venda de chaveiros com a mensagem “I love Paraisópolis” —o que já rendeu a ele algum trocado. Paralelamente, começou a procurar estágio para as férias de verão.

Do preconceito a um novo olhar sobre Paraisópolis

O trajeto de Silva até o MIT foi de esforço, mas contou também com boas oportunidades que foram surgindo pelo caminho. Estudou em escola pública a vida toda e é um dos três filhos de um casal de vendedores de pão de queijo de Franca, interior paulista, cidade em que cresceu.

Na infância e adolescência, a saída para uma condição financeira um pouco melhor teve um foco desde cedo: “Sempre tive que buscar meu crescimento e revolução a partir da educação – sempre me interessei por cursos de língua. Por meio de bolsas [de estudo], fiz trabalho voluntário, com a Igreja, com moradores de rua, em projetos para biblioteca. Isso foi me proporcionando oportunidades muito legais”, lembrou.

Uma dessas oportunidades surgiu em 2013, quando ele ganhou um curso de inglês oferecido pela embaixada americana a alunos de escola pública e de baixa renda. Em 2015, participou do programa “Jovens embaixadores”, por meio do qual passou um mês nos EUA em estudos focados em justiça social e liderança.

Já na graduação de engenharia mecatrônica, se tornou bolsista integral e passou a viver em um alojamento estudantil fornecido pela universidade.

Encontrei meu próprio encantamento com os jovens extremamente incríveis dali, que estudam, que sonham. Pude ver diversas faces sociais de uma comunidade que não desiste, apesar das tantas dificuldades”

estudante Davi Dom Bosco Silva

Quando perguntado sobre o que mudou após a experiência em Paraisópolis, o jovem ressaltou que o seu olhar sobre a comunidade mudou bastante. Com o aprendizado diário durante o período que frequentou o local, certas percepções criadas a partir de estereótipos e pela falta de conhecimento foram caindo por terra.

Um dos pré-conceitos, segundo Silva, dizia respeito à própria apresentação do projeto. Inicialmente, foi pensando apenas como site. Nada de aplicativos. Durante a experiência, percebeu que um sistema móvel seria muito mais prático para os moradores.

“Nunca me veio à mente criar um app. E eu deveria entender que, em pleno século 21, todo mundo tem internet, celular”, admitiu. “Meu olhar era muito cru, e creio que toda a percepção que eu tinha era a que me passavam os meios de comunicação. Então, eu estava também muito ansioso para entender aquela realidade”, completou.

Os planos para o futuro de Silva não têm limites. Ele quer continuar usando a sua “engenharia mão na massa” para criar soluções no mundo real. Fora isso, ajudar os seus pais a conquistar o sonho da casa própria está entre as suas metas para o futuro. “Ajudar meus pais seria o sinônimo de sucesso para mim”, concluiu.

Fonte: Uol