FUNDO MALALA E AVON SE UNEM PELA EDUCAÇÃO DE MENINAS NO BRASIL

FUNDO MALALA E AVON SE UNEM PELA EDUCAÇÃO DE MENINAS NO BRASIL

O Instituto Avon investiu US$ 100 mil no Fundo Malala com o objetivo de treinar professores e líderes comunitários de 15 comunidades quilombolas no Brasil, que vão beneficiar a educação de mais de 3 mil meninas e meninos. A ação da Fundação Avon é parte da plataforma Stand4Her (“PorEla”, em português), iniciativa global para melhorar a vida de mulheres e meninas em todo o mundo.

O investimento do Instituto Avon possibilitará que uma das organizações parceiras do Fundo Malala no Brasil, o Centro de Cultura Luiz Freire, promova educação de qualidade, aprimore políticas públicas educacionais, trabalhe habilidades sociais e psicológicas para desenvolver lideranças quilombolas, com potencial de promover mudanças sociais necessárias. Atualmente, 1,5 milhão de meninas no país não têm acesso à educação pela sua condição social, econômica, racial e geográfica.

Para Malala Yousafzai, co-fundadora do Fundo Malala, “no Brasil, meninas indígenas e afro-brasileiras são desproporcionalmente marginalizadas e lutam para completar sua educação”. “Os parceiros pela educação do Fundo Malala no Brasil estão lutando por um futuro melhor para elas e somos gratos à Avon por investir neste trabalho.”

Esta parceria entre as instituições é uma oportunidade de unir esforços entre sociedade civil, empresas e o poder público, para que elas tenham oportunidades iguais, direitos básicos garantidos, que sejam felizes, independentes e empoderadas.

“Nosso papel é dar ferramentas para que essas meninas tenham a possibilidade de ter diversas trajetórias, escolhas e sonhos. A educação é uma dessas ferramentas importantes para que elas tenham vidas mais saudáveis, seguras e livres. Por isso, ficamos felizes em concretizar essa parceria com o Fundo Malala”, destaca Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon.

“Quando uma garota não tem acesso a direitos básicos, ela fica em uma condição mais vulnerável e com mais chances de sofrer múltiplas violências. Escola, família e sociedade são instituições com papéis fundamentais para elas tenham informação e direitos resguardados.”, afirma Mafoane Odara, gerente e líder da causa de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas do Instituto Avon.

Fonte: Catraca Livre.

PROFESSORES QUE APRENDEM: CAMINHOS PARA UMA FORMAÇÃO CONTINUADA MAIS EFETIVA

PROFESSORES QUE APRENDEM: CAMINHOS PARA UMA FORMAÇÃO CONTINUADA MAIS EFETIVA

Nos últimos dois anos, vivi a intensa e desafiadora rotina de professor. Cerca de cinco das minhas trinta horas semanais estavam destinadas à formação continuada na escola, aspecto fundamental da prática docente que me fez perceber como o uso efetivo desse tempo pode ser um vetor de melhoria da prática pedagógica e desenvolvimento profissional do docente.

Mas, será que todo mundo sabe o que é uma formação continuada efetiva? As evidências mostram que para atingir esse objetivo, cinco elementos devem estar presentes: conhecimento pedagógico do conteúdo, métodos ativos de aprendizagem entre pares, duração prolongada e coerência com outras políticas educacionais. (Fundação Carlos Chagas, 2017).

O elemento mais marcante que vivenciei foi a formação entre pares com uso de metodologia ativas. No início do ano letivo, definíamos em conjunto com a coordenação pedagógica quais temas representavam nossas maiores dificuldades – indisciplina e defasagem dos alunos, montar avaliações e planos de aula e etc. – e então nos dividíamos em grupos e apresentávamos pesquisas existentes sobre o assunto. A partir disso, discutíamos nossos desafios cotidianos e compartilhávamos soluções que já usávamos em sala de aula. O modelo era muito rico, pois partíamos de desafios reais com apoio da teoria para que chegássemos, de forma conjunta, em soluções práticas.

Apesar dos aspectos positivos, também me deparei com o que precisava ser aprimorado. Não eram, por exemplo, desenhados planos de ações pelos professores, o que seria fundamental para que esses aprendizados construídos nas discussões fossem incorporados à prática pedagógica. Outro ponto era que a coordenação pedagógica não assistia as aulas para dar feedback aos professores. Isso seria essencial, pois os docentes, assim como quaisquer profissionais, têm dificuldade para identificar seus pontos de melhorias e traçar soluções claras e aplicáveis com os alunos.

Em relação ao conhecimento pedagógico do conteúdo, nós, da área de matemática, nos reuníamos para compartilhar atividades, avaliações e estratégias usadas com os alunos que tinham mais defasagem. Lá o momento não era institucionalizado, mas deveria e pode ser, tal como fazem algumas redes do estado do Ceará – em que um dia da semana é destinado à formação continuada por área. Além disso, vivíamos o desafio da falta de periodicidade dos encontros devido a outros acontecimentos, como reuniões, organização de festa, correção de avaliação, entre outros. Isso reflete a equivocada percepção de que a formação continuada não é tão urgente quanto as outras pautas escolares. Alguns docentes também não conseguiam participar, pois davam aulas em mais de uma escola ou rede, e usavam o tempo de formação para dar aulas ou deslocar-se entre os colégios. Por isso, garantir a jornada de trabalho em uma única escola é um pré-requisito para uma boa formação continuada.

Também cabe destacar que os referenciais da secretaria de Educação para a formação continuada eram pouco específicos e não dialogavam com outros pontos das políticas da rede e as equipes do Centro de Formação de Professores iam pouco à minha escola. Assim, todo o trabalho de preparação dos encontros ficava a cargo da coordenação pedagógica que, muitas vezes, encontrava dificuldade para manter a periodicidade e qualidade dos encontros ao longo do ano.

A partir da experiência aqui relatada, pode-se enumerar três pontos fundamentais que as redes devem atentar-se ao criar seus programas de formação continuada:

  1.  Ter referenciais específicos e com cronograma anual de encontros;
  2.  Promover formação de coordenadores pedagógicos para observação de sala de aula e feedback aos professores;
  3. Possibilitar encontros de formação na escola, com ênfase no diálogo entre desafios cotidianos e teoria em busca de soluções práticas.

Construir uma formação continuada mais efetiva é a ferramenta primordial para que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não seja apenas um marco regulatório e, de fato, chegue às salas de aulas de todas escolas brasileiras com qualidade. O desafio é grande, mas as evidências e as experiências exitosas apontam para caminhos cada vez mais claros. Cabe às redes estaduais e municipais e o Ministério da Educação colocarem mais atenção nesse ponto fundamental para a melhoria da formação dos professores e, consequentemente, para a qualidade da Educação oferecida a nossas crianças e nossos jovens.

* Ivan Gontijo é coordenador de projetos do Todos Pela Educação e professor de matemática. 

Fonte: Estadão.

MAPEAMENTO IDENTIFICA MAIS DE 320 POLÍTICAS PARA O MICROEMPREENDEDOR NO BRASIL

MAPEAMENTO IDENTIFICA MAIS DE 320 POLÍTICAS PARA O MICROEMPREENDEDOR NO BRASIL

De 2015 a 2018, foram identificadas mais de 320 iniciativas de apoio ao microempreendedorismo no Brasil, desde leis, projetos de leis até projetos e programas em frentes das mais diferentes políticas públicas. É o que mostra o estudo Mapa das Políticas Públicas, com base nas informações compartilhadas nos sites oficiais dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, da União, dos Estados e suas capitais.

A pesquisa foi conduzida pelo Empreender360, iniciativa da Aliança Empreendedora e do Bank of America Merrill Lynch, e divulgada no início de julho, no Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo. O evento aconteceu na Unibes Cultural, em São Paulo, reunindo entidades públicas, privadas e do terceiro setor para discutir o suporte ao setor.

Dentre as iniciativas mapeadas em todo o país, quase metade (47%) dedicam-se à cultura empreendedora pela valorização do microempreendedor, eliminação de barreiras aos negócios e diminuição da burocracia. Em seguida vem o apoio a grupos específicos ou prioritários (21%), financiamento (13%), capacitação ou educação (7%) e tecnologia ou inovação (5%).

“Mais importante do que criar novas políticas públicas é fazer com que as informações cheguem até o microempreendedor. Por exemplo, muitos relatam a dificuldade em encontrar apoio financeiro, mas vemos que existem ações nesse sentido, só não estão tão acessíveis”, defende a diretora-executiva da Aliança Empreendedora, Lina Useche.

Os estados que apresentam maior quantidade de políticas públicas divulgadas em seus sites oficiais são: São Paulo, com 32; Amazonas, com 22; e Rio Grande do Norte, com 20. “A posição de São Paulo é mais previsível, pois é um grande centro econômico e populacional. Já os motivos que impulsionam Amazonas e Rio Grande do Norte merecem maiores estudos, mas podemos pensar que uma das possibilidades é que, diante da crise econômica, há uma maior preocupação do poder público em incentivar o empreendedorismo”, disse a coordenadora da pesquisa, Juliana Felicidade Armede.

Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo

Além do lançamento do estudo, a terceira edição do Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo contou com painéis, palestras e oficinas práticas, com o objetivo de promover trocas de ideias e experiências entre entidades que apoiam o setor.

Entre os painelistas estiveram presentes a fundadora do Banco Pérola, Alessandra França, o sócio e diretor-executivo do Plano CDE Maurício de Almeida Prado, a presidente do Afrobusiness Brasil Mafone Odara, entre outros.

“Mais de 60% dos empreendedores brasileiros têm vontade de tomar um empréstimo para crescer, mas não o fazem porque têm medo. Precisamos de soluções para essas pessoas, juros mais baixos, burocracia menor e atendimento mais humanizado”, disse Lemuel Simis, co-fundador da startup Firgun, ao apresentar ao público a plataforma de financiamento coletivo para microempreendedores que precisam de crédito acessível.

Além da apresentação de cases e da realização de painéis, os participantes puderam exercitar seus conhecimentos em oficinas práticas, com a elaboração de solução para diversos problemas enfrentados pelo setor.

Fonte: Página 1 Comunicação.

VELOCIDADE DE CONEXÃO EM ESCOLAS AINDA É BAIXA, DIZ PESQUISA

VELOCIDADE DE CONEXÃO EM ESCOLAS AINDA É BAIXA, DIZ PESQUISA

A velocidade de conexão à internet das escolas públicas ainda é baixa, segundo pesquisa TIC Educação 2018, divulgada pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br). O estudo mostrou que, em 2018, nas escolas públicas pesquisadas, 5% tinham uma conexão com velocidade de até 999 kbps; 26% contavam com conexão de 1 a 2 Mbps; 33% trabalhavam com velocidade de 3 a 10 Mbps; apenas 12% usavam uma conexão com velocidade de 11 Mbps ou mais e 24% não sabiam.

“A recomendação do (programa do MEC) Educação Conectada é que tenhamos pelo menos 16 (Mbps), que seja suficiente para nós trabalharmos. Você vê que nenhuma está dentro desse nível ideal, todas elas (as escolas pesquisadas) estão muito abaixo. Com a conectividade muito baixa, você não consegue rodar coisas básicas para que os estudantes tenham, de fato, o uso compartilhado”, explica Débora Garofalo, professora que foi uma das 10 finalistas do Global Teacher Prize e hoje é assessora especial de tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

“Temos grandes softwares que ocupam esses espaços, como vídeos. E isso trava mesmo. É quase como se a escola não possuísse esse recurso. E tem outro fator que acho que pesa também: olhar o quanto isso é dividido com a parte administrativa da escola e o quanto disso é dedicado para os fins pedagógicos”, acrescenta.

A professora afirma que a conexão de uma escola precisa ser separada: uma para a parte administrativa e outra para a parte pedagógica.

“Até porque o administrativo da escola também precisa (de conexão com a internet), tem uma série de questões burocráticas que precisam ser resolvidas com o uso da tecnologia. Dentro das escolas tem esse uso dedicado para a parte administrativa e você acaba então deixando em defasagem essa parte pedagógica”, diz.

Para a educadora, a falta de uma conexão adequada para desenvolver os trabalhos em sala de aula pode gerar um impacto muito grande na vida dos alunos.

“Você gera a falta de oportunidade para esse estudante trabalhar com tendências tecnológicas fundamentais para ele e que essa sociedade contemporânea exige. Você acaba não trabalhando competências e habilidades como estipula a BNCC. A tecnologia é uma das dez competências de ensino. E é onde vemos uma grande desigualdade, principalmente da Educação Particular para a Educação Pública. Mas é necessário levar em conta que 86% dos nossos estudantes estão nas escolas públicas, é onde, de fato, a tecnologia precisa chegar para fazer a diferença e transformar a vida desses jovens”, afirma.

“É claro que também é necessário a gente ter o ângulo de que a tecnologia não é só ter infraestrutura, tecnologia não é só ter conectividade. Você trabalha hoje de várias formas, inclusive a forma desplugada. Mas o mínimo você tem que garantir para que esse estudante tenha alguma diversidade dentro do currículo”, completa.

A pesquisa é realizada anualmente em todo o país desde 2010 em escolas urbanas públicas e privadas, e desde 2017 em escolas localizadas em áreas rurais. Em 2018 foram ouvidos 11.142 alunos de 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e 2º ano do Ensino Médio de escolas urbanas.

Também foram ouvidos 1807 professores de Língua Portuguesa, Matemática e que lecionam múltipla disciplinas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, 906 coordenadores pedagógicos e 979 diretores de escola. Na as escolas localizadas em áreas rurais, foram ouvidos 1.433 diretores ou responsáveis.

Sozinhos

A pesquisa, realizada com questionários e entrevistas entre os meses de agosto e dezembro de 2018, mostrou que 76% dos docentes pesquisados buscaram formas para desenvolver ou aprimorar seus conhecimentos sobre o uso destes recursos nos processos de ensino e de aprendizagem.

Além disso, o estudo também apontou que 92% dos professores de escolas públicas e 86% de escolas particulares buscam, por conta própria, se informar sobre novos recursos que podem usar no ensino e sobre inovações tecnológicas.

“Nós vemos um grande movimento no qual eles (os professores) buscam se aperfeiçoar naquilo que não tiveram. Eu pego até o meu exemplo, como educadora: não tive formação em tecnologia na faculdade. Já se falava, já era forte o movimento de tecnologia na minha época (de estudante na faculdade). O computador já era acessível, já se falava em internet para todos, ou seja, a faculdade foi precária”, diz Débora Garofalo.

O TIC Educação revelou que, em 2018, 64% dos professores de até 30 anos tiveram a oportunidade de participar, durante a graduação, de cursos, debates e palestras sobre o uso de tecnologias e aprendizagem promovidos pela faculdade, assim como 59% realizaram projetos e atividades para o seu curso sobre o tema. Mas, apenas 30% dos professores afirmaram ter participado de algum programa de formação continuada no último ano. Além disso, apenas 21% dos diretores de escolas públicas disseram que os professores da instituição participam de algum programa de formação de professores para o uso de tecnologias em atividades com os alunos.

O estudo também mostrou que 58% dos professores de escolas públicas urbanas utilizam o celular em atividades com os alunos, sendo que 51% deles fazem uso da própria rede 3G e 4G para realizar estas atividades. Já nas escolas rurais, 58% dos responsáveis pelas escolas utilizaram o telefone celular para atividades administrativas, sendo que 52% afirmaram que se tratava de um dispositivo próprio, não custeado pela escola.

“A grande maioria acaba fazendo isso. Até pelas minhas andanças pelo Brasil, o que eu mais escuto de professores é: eu comprei um roteador e estou levando este roteador para trabalhar na sala de aula. Isso é muito sério, é o professor investindo para que o aluno tenha interatividade dentro de suas aulas, para que ele possa realmente utilizar as tecnologias”, afirma Débora.

De acordo com a pesquisa, 67% das escolas públicas possuem perfil ou página em redes sociais em comparação com 76% das escolas particulares. Mas, apenas 17% das escolas púbicas contam com ambiente ou plataforma virtual de aprendizagem, em comparação com 47% das escolas privadas.

Fonte: Nova Escola.

‘O PRECONCEITO ESTÁ PRESENTE NA CARREIRA DA MULHER E PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO’, DIZ CEO DA PAYPAL

‘O PRECONCEITO ESTÁ PRESENTE NA CARREIRA DA MULHER E PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO’, DIZ CEO DA PAYPAL

Quando engravidou pela primeira vez, Paula Paschoal chegou a questionar se daria conta da própria carreira. Um pensamento não saía da sua cabeça: como equilibrar tanta coisa ao mesmo tempo?

Hoje mãe de duas filhas e aos 37 anos, ela se vê como CEO da Paypal Brasil, após ter sido promovida com sete anos na empresa. Paula diz que, ao contrário do que imaginava, a gravidez ajudou seu progresso profissional, e atribui parte de sua ascensão como líder à maternidade. Mas reconhece o papel da cultura favorável à diversidade na empresa onde trabalha.

Nascida em Araraquara, no interior paulista, Paula iniciou a carreira na área de hotelaria, mudou de ramo e passou por diversas empresas de destaque até chegar ao comando da operação brasileira da Paypal, uma fintech (empresa de tecnologia voltada para o mercado financeiro) declaradamente aberta ao tema da diversidade.

No topo do braço brasileiro de uma multinacional, Paula admite que o preconceito é uma condição presente na carreira feminina e acredita que quem discorda deve sofrer de desatenção.

Ao G1, ela falou sobre o que falta para a equidade de gênero evoluir dentro das empresas e como as novas gerações devem encarar o desafio ainda presente na vida da mulher.

O ambiente nas empresas de tecnologia é, em grande parte, masculino. Como anda a questão da liderança feminina no setor?

É majoritariamente masculino, mas tem que deixar de ser. As soft skills passam a ter uma importância cada vez maior no dia a dia de quem lida com tecnologia. Essa sensibilidade, paciência, esse cuidado da mulher no dia a dia deve ser valorizado cada vez mais. 17% são mulheres nas turmas de faculdades de cursos técnicos. Cada vez mais a gente tem que incentivar essas meninas desde pequenas a se interessarem. Não faz sentido criar nossas filhas para brincar somente de boneca, tem que ter oportunidade de experimentar um videogame, algo mais ligado a tecnologia desde cedo. O Paypal trabalha nisso em alguns países, temos programas para que crianças de 8 a 12 anos possam ter a experiência de como é essa vida em fintech, isso nos faz incentivar a sociedade a buscar isso. Hoje no Brasil é com muito orgulho que digo que 54% da nossa liderança é feminina.

A sua evolução na carreira foi natural após engravidar de duas filhas?

Eu trabalho em uma empresa muito aberta à inclusão e que respeita a diversidade, e mesmo assim foi muito difícil. Eu falo muito sobre isso e me esforço para que as mulheres se sintam confortáveis e que as empresas aceitem bem e entendam que a maternidade faz muito bem para as mulheres, não só mulheres como mulheres, mas mulheres como executivas, gestoras e trabalhadoras em geral. Isso nos torna muito mais eficientes e completas.

Você acha que a maternidade ajudou sua carreira?

Foi decisivo. Eu falo para quem quiser ouvir que, se eu não tivesse minhas duas filhas, eu não teria o cargo que eu teria hoje. Me ensinou a lidar com pessoas, me ensinou a ser mais eficiente, me ensinou muitas coisas em pouquíssimo tempo. Eu fiquei bastante receosa, apesar de trabalhar em uma empresa super aberta, que incentiva a diversidade. Acho que tem algo tão forte na sociedade de que quando a mulher engravida impacta negativamente na sua carreira… Mesmo assim, eu tive por muitos anos um chefe que sempre me incentivou muito. Com todo esse cenário super favorável, quando eu engravidei foi muito difícil, foi uma barreira minha, eu tinha a preocupação de como isso ia atrapalhar minha carreira. Como eu ia equilibrar tantas coisas ao mesmo tempo? Mas eu contei e foi algo tão bem recebido… Quando eu tive, foi tão acolhedor que eu tive as duas (filhas) em pouquíssimo tempo. Tive, voltei e em menos de um ano saí para a licença maternidade de novo. As pessoas precisam aprender a enxergar e acolher essas mulheres e é preciso falar mais sobre isso.

O que falta para as empresas estimularem maior participação das mulheres em cargos de chefia?

Faltam exemplos. Não só nas empresas, mas na sociedade como um todo. Exemplos de que a mulher não precisa ser a mulher-maravilha para dar conta de tudo, mas que a gente consegue equilibrar uma vida executiva e vida de mãe. Eu sinto falta, e por isso tenho me esforçado para falar sobre isso, de trazer exemplos para essas meninas que muitas vezes chegam num cargo de gerência média e acham que ali já está bom, que a partir dali elas não conseguem mais serem mães, esposas ou o que elas quiserem porque não vão dar conta do trabalho, e a gente dá conta de tudo.

Você sentiu que o fato de ser mulher já atrapalhou de alguma forma sua evolução na carreira?

Eu sempre respondi essa pergunta até muito pouco tempo atrás falando que não. Que eu tenho um jeito muito duro e sempre fui muito focada, que tenho base para chegar aonde eu quiser sempre, sendo mulher ou sendo homem — eu sempre ignorei o fato de ser mulher. Mas eu ouvi isso recentemente da Denise, uma executiva sênior do Itaú, que a mulher que diz que nunca sofreu preconceito no ambiente corporativo é muito desatenta, ela é muito desligada — e é bem por aí. Quando a gente começa a discutir mais o assunto, a conhecer melhor o que é preconceito e quais as situações de tratamento diferenciado, sim, a gente sofreu muito preconceito e sofre até hoje. Eu, muitas vezes num olhar mais atento, pelo fato de estar mais envolvida nesse assunto, percebo corriqueiramente mulheres sendo interrompidas por homens em reuniões ou sendo desrespeitadas em situações como “deixa ela falar, ela é bonita”. Infelizmente, a mulher ainda sofre [preconceito] no trabalho e precisamos falar sobre isso. Não precisa ser ativista como profissão para ter a responsabilidade de mudar esse preconceito.

Uma pesquisa da Ipsos diz que no Brasil, cerca de 27% dos funcionários se sentem incomodados por ter uma chefe mulher. Você percebe que isso acontece?

Não conheço a pesquisa, mas sabendo que tem o preconceito tão enraizado na nossa sociedade, isso não me assusta. Eu tenho a felicidade de trabalhar com um time aqui há muitos anos, nossa taxa de troca de funcionários é muito baixa, as pessoas que estão comigo estão há muitos anos, então acho que foram crescendo junto e aprendendo a respeitar. Eu não saberia lidar com esse tipo de preconceito e com nenhum tipo de preconceito aqui dentro.

Você acredita que ainda se espera que a mulher tenha características masculinas para evoluir na carreira?

Cada vez mais a gente consegue ser o que somos e não o que precisaríamos ser. Eu tive recentemente uma conversa com a Luiza Helena [Trajano, fundadora do Magazine Luiza], ela diz que é caipira e não mudou o jeito dela e assim liderou uma das empresas mais valiosas — se não for a mais valiosa — do varejo do Brasil. Cada vez mais, a sociedade abre espaço para sermos únicas. Que cada uma traga o que tem de melhor e que se respeite cada vez mais nossos soft skills em ambientes predominantemente masculinos.

A maior presença de mulheres nas empresas já é uma realidade?

Eu percebo uma constante evolução. A gente ainda está muito longe. Eu trabalho num mundo onde a gente é minoria, a gente faz parte dessa categoria de startups ou fintechs, empresas que estão surgindo no mercado, mas tenho a oportunidade de trabalhar em parceria com algumas empresas onde a participação da mulher ainda é irrelevante. Empresas de mineração, petroquímica, [e] indústria pesada ainda têm um desafio muito grande de posicionar a mulher. Eu participo de um grupo que discute melhores práticas de como a Gerdau traz pra dentro de casa maior diversidade não só de gênero, mas de raça, religião, de formação. […] Falar de diversidade e do respeito à mulher ainda é uma realidade muito distante das grandes indústrias, e acho que ainda temos o papel como comunicadores para criar esse ambiente favorável à diversidade.

Como é a política de diversidade na empresa?

A gente leva em consideração a diversidade, não só no processo de seleção mas ao longo de toda a vida, não só para a mulher, mas o negro ou a pessoa com deficiência. A diversidade é convidar para a festa, inclusão é chamar para dançar. Aqui no Brasil a diversidade é um fato, a inclusão é uma escolha. Escolhemos ser uma empresa inclusiva. Desde o processo de seleção, a gente se força a trazer pessoas, sair da nossa zona de conforto e buscar pessoas diferentes, e aqui dentro fazer com que elas se sintam acolhidos. Desde princípios básicos, que ainda não são tão básicos, como o pagamento igual independentemente do gênero, até situações em que eu favoreço a comunicação. Temos grupos de afinidades para mulheres, LGBTs, diversidade de raça, para que aqui dentro as pessoas se sintam ouvidas e proponham melhorias.

O que você diria para as mulheres que aspiram evoluir na carreira mas têm receio de engravidar ou sofrer algum tipo de preconceito?

Eu diria que não existe super mulher. Encontre o seu jeito, mas parta do princípio de que tudo é possível, ser motorista de caminhão, astronauta, CEO de uma multinacional. Falta a nós mulheres acreditarmos mais no nosso potencial. Se candidatem àquela vaga, não esperem ter todos os pré-requisitos, deem a cara e vamos ser mais ousadas e agressivas às oportunidades.

Fonte: G1 Globo.