QUATRO LIÇÕES DAS ESCOLAS PÚBLICAS COM BONS RESULTADOS NO ENSINO MÉDIO

QUATRO LIÇÕES DAS ESCOLAS PÚBLICAS COM BONS RESULTADOS NO ENSINO MÉDIO

Os pesquisadores do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) investigaram, entre 2018 e 2019, boas práticas de escolas públicas de Ensino Médio que, mesmo inseridas em um contexto socioeconômico adverso, conseguem boa aprendizagem. Os resultados estão no estudo Excelência com Equidade no Ensino Médio: a dificuldade das redes de ensino para dar um suporte efetivo às escolas, lançado na quarta-feira (25), em São Paulo. A pesquisa foi feita em parceria com outras três organizações: Fundação Lemann, Instituto Unibanco e Itaú BBA.

A seguir, compartilhamos algumas práticas e estratégias comuns às escolas de bons resultados:

1. Currículo diversificado efetivo, que engaja e dá autonomia aos alunos

Dentre as 5.042 escolas públicas de Ensino Médio passíveis de serem estudadas, em razão do nível socioeconômico de seus alunos, somente 100 atingiram os critérios de qualidade do estudo. Dessas, 82 são escolas de tempo integral. Nessas unidades, o currículo é dividido em duas partes: Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e Currículo Diversificado, contemplando aspectos pedagógicos e o desenvolvimento de atividades alternativas. O aluno deve ser estimulado a: aprender a ser, aprender a conviver, aprender a conhecer e aprender a fazer.

Diferentes projetos dão sustentação à parte diversificada do currículo. Dentre eles, destacam-se “Projeto de Vida” e “Empreendedorismo”. Ambos são estruturados a partir dos sonhos e objetivos dos estudantes. No “Projeto de Vida”, no 1o ano, são abordados temas sobre a identidade dos jovens e seus valores, com ênfase em autoestima, autoconfiança e autoconhecimento. No 2o ano, são trabalhadas as escolhas profissionais e é desenvolvido um plano de ação para que os alunos alcancem os seus desejos. É um momento sensível de escuta e troca de experiência.

O currículo ainda abre espaço para trabalhos autorais em cada escola. São projetos interdisciplinares que proporcionam a aplicação do conteúdo na prática, com estímulos à conexão de saberes e à expressão mais ampla das habilidades de cada um. Há, por exemplo, trabalhos de iniciação científica, que são apresentados para a comunidade, participam de eventos e concorrem a prêmios. O professor possui a função de orientador, atuando para facilitar os processos de aquisição de conhecimento, incentivando e instigando os jovens.

As disciplinas eletivas, por sua vez, possibilitam aos adolescentes vivenciarem processos de autonomia e escolha. As aulas acontecem, em geral, duas vezes na semana, e as opções são muitas: teatro, danças regionais, música, lutas, aula de idioma ou redação. São aulas dinâmicas e divertidas, que contribuem para aumentar o entrosamento na escola, já que as turmas são compostas por estudantes de diferentes séries. Em Goiânia, algumas aulas eletivas são sugeridas e conduzidas pelos próprios jovens, sem a participação dos professores. 

2. Decisões baseadas em evidências

O trabalho da gestão é pautado em evidências. Por meio de avaliações diagnósticas, aplicadas no início do ano letivo, a gestão elabora um plano de ação junto aos docentes para intervir nas principais fragilidades dos estudantes. O planejamento é contínuo, com monitoramento do desempenho dos alunos por meio de um sistema integrado de gestão educacional (detalhe: o sistema possui foto de todos os alunos). Além disso, há reuniões semanais com professores por área de conhecimento, com foco nos descritores de cada disciplina.

Há uma organização clara das horas de trabalho dos docentes: todos têm seu trabalho semanal apontado em uma planilha, que divide momentos de aula, planejamento, estudo individual, correção de provas, reuniões e acompanhamento dos alunos.

3. Foco nas relações humanas, com parceria entre professores e alunos

Nas visitas às escolas de bons resultados, observamos que a “Pedagogia da Presença” é amplamente destacada por toda a comunidade escolar. “A diferença é a relação humana”, ouvimos de educadores de diferentes unidades.  O conceito é pautado pelo entendimento do universo do jovem, busca por igualdade, abertura ao diálogo e à escuta, respeito à diversidade, e ações que visam à reflexão e não punição.

As estratégias de acolhimento e recepção mostram-se importantes. O acolhimento ocorre no primeiro dia de aula, com atividades organizadas e geridas pelos próprios alunos. A ideia é entrosar os novatos de maneira descontraída e alegre, além de informá-los sobre o funcionamento da escola, as regras e os combinados. “É uma conversa de jovem para jovem”, contou um deles. Já em algumas escolas, todos os dias, os alunos são recebidos no portão pela diretora (ou outro funcionário) com um bom dia, um sorriso, um aceno. “Muitas vezes, os alunos não têm isso em casa. Aqui todos são esperados”, afirma uma gestora.

Outro projeto relevante que contribui para o fortalecimento das relações entre alunos e professores é chamado de “Tutoria” ou “Professor Diretor de Turma”. Eles têm o papel de acompanhar os jovens de forma mais individualizada, auxiliando-os em relação aos conteúdos escolares e às notas, mas também os apoiando em questões pessoais. O professor tutor ou diretor de turma estabelece bons vínculos com os alunos e cria uma relação de amizade e confiança. “O aluno se sente acolhido, apoiado. É visto, reconhecido”, afirma um dos diretores entrevistados.

Nas rodas de conversa com os jovens, quando questionados sobre seu professor(a) preferido(a), era comum eles mencionarem três ou mais nomes. Eles citavam o empenho do professor para deixar a aula atrativa e tornar o conteúdo claro. “Se você não entendeu, ele explica, e explica de novo, de novo e de novo, até você aprender”, afirmou uma aluna. Outros estudantes disseram que os professores “cobram muito e pegam no pé” quando necessário. “É amorosidade com disciplina”, definiu um deles. Em nenhuma das escolas visitadas foram citados conflitos graves entre alunos ou entre alunos e professores. 

4. Estratégias pedagógicas que conversam com a realidade dos alunos e atendem às diferentes necessidades de aprendizagem

Além dos métodos já citados, que estimulam a criatividade e o protagonismo, as escolas também usam métodos mais tradicionais de fixação do conteúdo, como exercícios e simulados.

Nas escolas visitadas, há um foco na preparação para o Enem e as avaliações externas. Em Pernambuco, por exemplo, são realizados quatro simulados do Enem ao ano, desde o 1º ano do Ensino Médio. As estratégias de preparação incluem grupos de estudos, “aulões” sobre temas específicos, palestras com psicólogos, estudantes universitários ou ex-alunos. Em algumas redes são oferecidos cursinhos gratuitos idealizados por universidades públicas. Na entrada das escolas é comum ter murais com fotos de alunos aprovados em universidades.

Em Pernambuco, existe o projeto ‘A presença que faz diferença’, em que gestores e docentes realizam uma força tarefa nos dias do Enem, com pontos de apoio próximos às escolas. Eles levam kits com lanches, água e bombons para os alunos, assim como estojos com caneta, lápis e borracha. Além disso, formam grupos no WhatsApp para monitorar se todos irão chegar a tempo para fazer a prova.

Em Pernambuco, vale citar outra iniciativa pioneira: o Programa Ganhe o Mundo. São oferecidas a alunos de escolas estaduais mais de 1.000 vagas de intercâmbio para cursos de idiomas, em oito países. O estudante deve optar por língua inglesa, espanhola ou alemã, e participar de um processo seletivo.

Por fim, é preciso dizer que, nas escolas com bons resultados, presenciamos uma comunidade escolar apropriada de suas ações e que se reconhece nos bons resultados obtidos. Foi marcante observar a autonomia, o orgulho e a motivação dos jovens no ambiente escolar.

Texto por Gustavo Rodrigues, coordenador da pesquisa de campo do “Excelência com Equidade no Ensino Médio: a dificuldade das redes de ensino para dar um suporte efetivo às escolas”.

Fonte: Nova Escola.

ENCONTRO DE EXECUTIVOS PROMOVE DEBATE SOBRE A TEMÁTICA DA DIVERSIDADE NO AMBIENTE CORPORATIVO

ENCONTRO DE EXECUTIVOS PROMOVE DEBATE SOBRE A TEMÁTICA DA DIVERSIDADE NO AMBIENTE CORPORATIVO

Há quem pense que os temas da Diversidade & Inclusão são pouco ou nada jurídicos. É importante lembrar que essas questões envolvem o elemento fundamental presente na construção de leis, motivo pelos quais condutas, relações, costumes e valores mudam o tempo todo: pessoas. Vamos falar de pessoas!

O fato é que não existem duas pessoas idênticas, seja do ponto de vista social, humano ou mesmo corporativo, de modo que a diversidade – em todas as suas variações – é inerente à nossa existência. Nesse sentido, é cada vez mais frequente o uso das palavras inclusão e diversidade dentro das organizações.

Há tempos a diversidade perdeu o status de simples “ação social”, passando a ser um ativo estratégico de grande necessidade e sobrevivência para muitas organizações. Segundo estudo realizado pela Harvard Business Review, a implementação de políticas de diversidade tornam as companhias mais competitivas, inovadoras e tecnológicas. A análise aponta que empresas que trabalham com ações dessa natureza possuem 45% de chances a mais de aumentar a participação de mercado durante o ano, em comparação com as que não trabalham.

Entretanto, mesmo que a relevância desses temas sejam evidentes, enfrentamos ainda múltiplos desafios no que diz respeito ao acesso de expressiva parcela da população ao meio corporativo. 

Pensando nisso, o Grupo +Unidos promoveu no último dia 12 um evento gratuito para tratar dos temas da Diversidade & Inclusão. Durante o encontro, nomes importantes no setor como Gabriela Szprinc (Mercado Pago/Grupo +Unidos), Maite Schneider (Transempregos), Suelen Marcolino (LinkedIn) e Thatiana Zukas (GPA) compartilharam suas vivências e ideias com os convidados. Após o painel, ocorreu um almoço e um momento destinado a networking e trocas de experiências entre os presentes.

Dos executivos presentes, 83% afirmaram que a empresa em que trabalham possui alguma política voltada a Diversidade & Inclusão, o que evidencia a centralidade da agenda. O principal objetivo do encontro foi apontar caminhos para garantir a sua implementação efetiva dentro das corporações.

Para Thatiana Zukas, é fundamental que as lideranças das empresas se mostrem ativas no desenvolvimento dos novos hábitos e cruzamento de culturas. Deve-se levar em consideração que, quanto mais diversa a empresa, mais engajados os seus colaboradores. “Pesquisas já provaram que esse é um diferencial de retenção, e essa é uma métrica a ser exaltada pelas lideranças como forma de quantificar o retorno dessas ações”, comentou.

Segundo o ponto de vista de Maite Schneider, co-fundadora do Transempregos, iniciativas de diversidade e inclusão precisam ser trabalhadas diariamente e são mais um trabalho de harmonização do que inserção, no que afirma que “50% do tempo é dedicado a fazer as pessoas perderem o medo de pessoas, harmonizando as relações”.

Para a gerente de vendas na área de Soluções de Talentos do LinkedIn, o tema requer uma mudança de cultura das práticas cotidianas da empresa e, assim, é necessário “desenhar um processo de educação, fazendo com que o ambiente seja seguro para todos e influenciando outras empresas”. Para tanto, é imprescindível que as organizações que começaram no caminho da diversidade, como o próprio LinkedIn, agora sejam referências.

O evento aconteceu nas dependências do hotel Hilton Morumbi e reuniu mais de 40 executivos de grandes empresas brasileiras, como Alcoa, Danone, GPA, LinkedIn, Nubank, Telefônica Vivo, 99App, entre outras.

Uma das principais competências do Grupo +Unidos é reunir pessoas. Queremos fortalecer uma rede que esteja interessada em compartilhar boas práticas de gestão e investimento social privado. Nosso principal objetivo é levar às empresas experiências reais que demonstram a importância da inclusão destas questões em seu cotidiano, tornando-as verdadeiras agentes transformadoras em nossa sociedade.

PARTICIPANTE DE PROGRAMA DO INSTITUTO TIM VENCE PRÊMIO GLOBAL DA ONU

PARTICIPANTE DE PROGRAMA DO INSTITUTO TIM VENCE PRÊMIO GLOBAL DA ONU

Anna Luísa Beserra, 21 anos, criadora do Aqualuz – startup formada ao longo do programa Academic Working Capital do Instituto TIM – foi uma das vencedoras do Prêmio Jovens Campeões da Terra, da ONU. É a primeira vez que uma brasileira recebe o prêmio da Organização das Nações Unidas voltado para jovens empreendedores com ideias inovadoras para o futuro do planeta.

A empreendedora baiana desenvolveu, junto a outros estudantes da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Federal do Ceará, um sistema mecatrônico de filtragem baseada em luz solar. A solução busca resolver um problema muito comum no Nordeste do Brasil: a falta de acesso à água potável. O filtro purifica a água da chuva coletada por cisternas de áreas rurais por meio de raios solares e um indicador muda de cor quando o consumo é seguro. O Aqualuz já distribui água potável para 265 pessoas e alcançará mais 700 ainda este ano.

Anna Luísa ficou entre os 35 finalistas globais e concorreu na categoria América Latina e Caribe com outros quatro jovens. O prêmio será entregue em cerimônia durante a 74ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 26 de setembro, em Nova York.

Apoio ao empreendedorismo universitário

O AWC é um programa de educação empreendedora do Instituto TIM que, desde 2015, apoia universitários de todo o país que querem transformar seus Trabalhos de Conclusão de Curso em uma startup de base tecnológica. Anna Luísa fez parte da turma de 2018 e ressalta a importância da iniciativa: “Seria impossível evoluir tanto em tão pouco tempo. O programa abriu portas incríveis e mesmo depois do término do nosso período de acompanhamento oficial, continuamos recebendo muito apoio do AWC. Os resultados de hoje são todos frutos do treinamento e do suporte financeiro que recebemos”, conta.

Além do apoio financeiro para os estudantes desenvolverem suas ideias e soluções, o AWC oferece orientação técnica e de negócios, por meio de workshops e acompanhamento semanal com monitores. No fim do ano, os universitários participam da feira de investimentos do programa e apresentam suas soluções para profissionais do mercado e investidores-anjo. Já participaram do programa 300 estudantes, desenvolvendo 109 projetos.

Sobre o Instituto TIM

Criado em 2013, o Instituto TIM tem como principal objetivo criar e potencializar recursos e estratégias para a democratização da ciência, tecnologia e inovação, promovendo o desenvolvimento humano, utilizando a tecnologia móvel como um dos principais habilitadores. Possui quatro pilares que definem sua atuação: Ensino, que tem como foco a educação e a ciência; Aplicações, com o objetivo de desenvolver novas soluções tecnológicas; Inclusão, com a difusão do conhecimento de tecnologias de informação e de comunicação; e Trabalho, criando novas formas de atuação por meio do conhecimento tecnológico. Até o momento, os projetos do Instituto TIM já envolveram cerca de 700 mil pessoas em mais de 250 municípios de todas as regiões do Brasil.

O Instituto TIM (www.institutotim.org.br) tem como missão criar e potencializar recursos e estratégias para a democratização da ciência, tecnologia e inovação, promovendo o desenvolvimento humano, utilizando a tecnologia móvel como um dos principais habilitadores. Define sua atuação em projetos focados em quatro pilares: Ensino (projetos educacionais para crianças e jovens); Aplicações (soluções em software livre); Inclusão (difusão do conhecimento) e Trabalho (novas oportunidades de atuação e capacitação).

Em parceria com diversas instituições federais e aproximadamente 70 secretarias municipais e estaduais, como de Educação, Cultura e Planejamento em todo o País, as ações do Instituto TIM já alcançaram cerca de 500 municípios, em todos os 26 estados e Distrito Federal, beneficiando mais de 700 mil pessoas, especialmente, crianças de 6 a 12 anos.

Por Adriana Mendes.

ORÇAMENTO DO MEC TERÁ CORTES PARA EDUCAÇÃO BÁSICA EM 2020

ORÇAMENTO DO MEC TERÁ CORTES PARA EDUCAÇÃO BÁSICA EM 2020

O orçamento do Ministério da Educação (MEC) terá uma queda prevista de 54% para 2020 nos recursos para o apoio à infraestrutura para a Educação Básica, se comparada à proposta apresentada em 2018 para o orçamento deste ano, segundo o Todos pela Educação.

De acordo com análise dos projetos de Lei Orçamentária realizada pelo Todos pela Educação e obtida com exclusividade pela GloboNews, serão R$ 230,1 milhões, uma queda significativa quando comparados com os R$ 500 milhões autorizados anteriormente.

A dotação prevista para a concessão de bolsas de apoio à Educação Básica em 2020 é de R$ 451,7 milhões, uma redução de 43% quando comparados com os R$ 793,5 milhões previstos na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviada pelo Executivo ao Congresso Nacional para ser executada este ano.

A análise do Todos pela Educação aponta que as estimativas de receita para essas duas áreas são as mais baixas das quatro últimas propostas orçamentárias do MEC.

No total, o orçamento do MEC para 2020 terá um corte de 17%: serão R$ 101,2 bilhões em comparação com os R$ 121,9 bilhões previstos na proposta entregue para este ano.

Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do Todos pela Educação, lembra que estes cortes colocam em dúvida a afirmação do governo federal de que a Educação Básica é prioridade.

“O cenário econômico do país é, de fato, gravíssimo e os cortes atingem praticamente todas as áreas. Tendo um dos maiores orçamentos da Esplanada, seria difícil deixar a (verba da) Educação intacta. Porém, não está claro que houve uma priorização da Educação Básica”, destacou Olavo em entrevista à Globo.

Em resposta ao questionamento sobre o corte de 17% em seu orçamento, por meio de nota, o MEC informou que outras verbas vinculadas ao ministério devem ser consideradas nesse cálculo. Nesse caso, o ministério afirma que o orçamento previsto para 2019 foi de R$ 148,8 bilhões. Para 2020, a previsão é de R$ 149,4 bilhões, de acordo com o ministério.

A respeito da divergência de valores, o MEC informou que “o orçamento do Ministério da Educação – MEC abrange todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos instituídos, cuja execução é de sua responsabilidade. Nesse sentido, o valor destinado ao Fundo de Financiamento Estudantil – FIES, órgão 74902 e ao órgão 73107, Transferência da Cota-Parte do Salário-Educação, que são recursos sob supervisão do Ministério da Educação, deve ser incluído no computo do orçamento total destinado ao MEC”.

A estimativa de receita e a fixação de despesa da União para a área da Educação em 2020 pode ser alterada pelo Congresso Nacional, que recebeu o texto dessa proposta do Ministério da Economia no dia 30 de agosto. E isso vale para o orçamento das demais áreas, estimado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). 

Cortes em Goiás, PECs em Minas Gerais

Seguindo a tendência de cortes no setor, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou nesta semana a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que muda a aplicação de recursos públicos na Educação do estado. Esta proposta já vem com uma mudança que vai diminuir a verba destinada à Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Segundo a nova PEC aprovada na quarta-feira (11/09), a UEG deixa de possuir um orçamento exclusivo, que contava com 2% de toda a arrecadação do estado. Agora, a universidade terá que tirar seus 2% apenas da receita que o governo de Goiás investe no ensino público – por lei, o governo do estado precisa investir 25% de toda sua arrecadação no setor. A UEG precisará dividir os recursos que são destinados para toda a rede de Ensino Básico, Profissional e Superior de Goiás.

A PEC não precisa passar por sanção do governo e deve ser promulgada nos próximos dias pela Assembleia Legislativa de Goiás.

Já em Minas Gerais, a Assembleia Legislativa tem duas PECs em tramitação que propõem proteção e destinação de recursos para a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Uma das PECs prevê a proibição à retenção ou restrições ao repasse ou emprego de recursos destinados a estas instituições. A outra, determina que serão destinados, no mínimo, 10% dos recursos para a manutenção da infraestrutura e das atividades de suporte à pesquisa e extensão nas instituições.

Fonte: Nova Escola.

ONU MIGRAÇÃO ATUA EM DIVERSAS FRENTES PARA APOIAR A GESTÃO DO FLUXO VENEZUELANO NO BRASIL

ONU MIGRAÇÃO ATUA EM DIVERSAS FRENTES PARA APOIAR A GESTÃO DO FLUXO VENEZUELANO NO BRASIL

Nos últimos anos, mais de quatro milhões de venezuelanos deixaram seu país para viver majoritariamente em outros territórios da América Latina e Caribe. Dentre os países que mais recebem esses imigrantes, o Brasil é a quinta nação de destino. Segundo dados oficiais da Polícia Federal de maio, existem mais de 178 mil pessoas venezuelanas residindo em solo brasileiro (residência temporária e solicitantes de refúgio).

Frente a esse fluxo de venezuelanos entrando no Brasil via Roraima, o Governo Federal estabeleceu a Operação Acolhida, com o apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM) – a agência da ONU para as migrações, e outras agências das Nações Unidas, assim como de organizações da sociedade civil.

A Operação atua na assistência emergencial para o acolhimento de migrantes e solicitantes de refúgio provenientes da Venezuela, promovendo apoio na documentação, abrigamento, transporte, alimentação e saúde, e na estratégia de interiorização voluntária dos venezuelanos que os leva de Roraima para diversos estados do país. Até julho de 2019, mais de 12 mil migrantes e refugiados haviam passado pelo processo.

Além do apoio logístico, humanitário e de proteção, a OIM promove junto com seus parceiros a inclusão socioeconômica dos venezuelanos interiorizados, um dos maiores desafios de todo o processo. Dados da OIM coletados em abril por meio do Monitoramento de Fluxo Migratório (DTM, na sua sigla em inglês) revelam que 56% dos venezuelanos que entram no país terminaram o ensino secundário, e 14% possuem diplomas de nível técnico ou superior. Mesmo tendo qualificação e estando com os documentos brasileiros em dia, os venezuelanos (e outros migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio) têm encontrado barreiras para entrar no mercado de trabalho ou empreender, como a discriminação, falta de conhecimento dos empregadores, barreira linguística e adversidades na revalidação de diplomas.

Buscando atuar em rede e construindo parcerias para superar estes desafios, a OIM procura fortalecer a relação com o setor privado, fundamental em distintos eixos temáticos. O combate à exploração laboral, a integração e intercâmbio de experiências no mercado de trabalho, e os benefícios da integração dessa mão-de-obra qualificada, são alguns exemplos. 

Uma das iniciativas da OIM para enfrentar esse desafio é a organização de oficinas a fim de sensibilizar e estimular o setor privado para a integração laboral de migrantes. Eventos em Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo já foram realizados e outros estão programados para os próximos meses. 

As oficinas abordam estratégias para a inclusão de migrantes internacionais no mercado de trabalho brasileiro, e servem para esclarecer mitos e tirar dúvidas sobre o processo de contratação, documentação, além de destacar os benefícios e a importância da diversidade para o desenvolvimento de estratégias corporativas nas áreas de recursos humanos e responsabilidade social. 

Também são discutidas estratégias para tornar os processos seletivos mais acessíveis aos migrantes e refugiados. Essas medidas podem incluir, entre outras, o uso de descrições mais inclusivas de ofertas de emprego, que assinalem a busca não só por profissionais brasileiros como também por migrantes. Outra ação recomendada é a divulgação de vagas junto a organizações especializadas. Desde 2019, a OIM passou a também promover informações específicas sobre a possibilidade de as empresas contratarem venezuelanos com apoio da Operação Acolhida.

“O desafio atual é identificar as diferentes maneiras como os venezuelanos podem somar aos recursos humanos das empresas, seja porque têm um diferencial de experiência de vida, cultural e domínio de outra língua, seja pela formação profissional específica que trazem consigo”, destaca o coordenador de projetos da OIM, Marcelo Torelly.

Este projeto é apoiado pelo Escritório para População, Refugiados e Migração (PRM, em inglês), do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, assim como o Governo dos Países Baixos.

A OIM – A Organização Internacional para as Migrações (OIM), criada em 1951 e membro do Sistema ONU desde 2016, é o principal organismo intergovernamental para as migrações. Comprometida com o princípio de que a migração segura, ordenada e digna beneficia os migrantes e as sociedades, a OIM atua com parceiros em diversas áreas da gestão migratória.