‘EDUCAÇÃO É TRANSFORMAR, LIBERTAR E FAZER PENSAR CIÊNCIA’, DIZ AUTORA DE TESE PREMIADA SOBRE LETRAMENTO CIENTÍFICO

‘EDUCAÇÃO É TRANSFORMAR, LIBERTAR E FAZER PENSAR CIÊNCIA’, DIZ AUTORA DE TESE PREMIADA SOBRE LETRAMENTO CIENTÍFICO

Como o método de ensino de um país faz com que a população alcance o letramento científico? Por que o Japão se sai bem em provas de avaliação internacional de ensino de ciência e o Brasil apresenta resultados pífios?

Para entender as diferenças e semelhanças entre o ensino de ciências do Brasil e do Japão, a hoje doutora em educação Andriele Ferreira Muri foi atrás de dados. Ela analisou os resultados dos dois países no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) das edições voltadas a ciências (2006 e 2015), acompanhou como são dadas as aulas, e comparou políticas públicas.

O resultado foi a tese “Letramento científico no Brasil e no Japão a partir dos resultados do Pisa”. O estudo foi considerado a melhor tese em educação do país e ganhou o Grande Prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de Humanas na edição de 2018.

O que motivou Muri a pesquisar o Pisa e comparar resultados foi a convicção de que a educação pode transformar a sociedade.

“Educação é transformar, libertar e fazer pensar ciência. É nisso que eu acredito: em uma educação que transforma, informa, que forma o cidadão crítico para que atue ativamente na sociedade”, disse Muri, em entrevista ao G1.

Letramento científico

O conceito de letramento científico é vasto. Mas, pela definição da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo Pisa, letramento científico é conseguir replicar os conhecimentos básicos de ciência aprendidos na escola nas experiências cotidianas, interpretar dados e tirar uma conclusão válida.

No Brasil, o contexto não é favorável. Em um país em que 55% dos estudantes de 8 anos do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas têm conhecimento insuficiente em matemática e leitura e que 7 em cada 10 alunos do ensino médio não têm níveis suficientes de compreensão e leitura nestas mesmas disciplinas, saber e entender ciência é ainda um vasto campo a ser desenvolvido.

“Um cidadão cientificamente letrado é um cidadão crítico, capaz de participar ativamente das questões como um todo em um país. Questões não apenas científicas e tecnológicas, mas também sociais. Um país cientificamente letrado significa um povo que entende e participa das decisão do dia a dia e transforma a sua realidade”, disse Andriele Muri, em entrevista ao G1.

Conclusões da tese

  • Pisa é um bom instrumento para comparar alunos brasileiros e japoneses. Não foram identificados problemas de compreensão com traduções, por exemplo, ou questões que privilegiassem uma cultura ou outra;
  • Japão se sai melhor porque as crianças veem química e física em meio ao ensino de ciência desde as primeiras séries do ensino fundamental;
  • Não reprovar estudantes tem impacto positivo na aprendizagem no Japão;
  • O Japão tem um currículo nacional comum. Ele foi considerado coerente e focado em tópicos e exploração conceitual. Além disso, ele é revisado a cada dez anos, levando em conta os resultados da avaliação do Pisa;
  • formação dos professores faz diferença: no Japão, os professores têm as aulas analisadas por outros colegas. Esta troca permite aperfeiçoar o método, “acelerando a disseminação das melhores práticas em toda a escola ou comunidade”, escreve Muri;
  • uso do tempo em sala de aula é mais otimizado no país asiático: 20% do tempo de aula no Brasil é perdido com questões como orientações gerais, recados administrativos e controle de alunos em sala. No Japão, o índice é de 2%;
  • Resultados de avaliações guiam a educação: “No Japão, os testes são utilizados como forma de monitoramento e de diagnóstico do desempenho do sistema educacional”, analisa Muri. Segundo ela, em 2006, quando o país repetiu uma tendência de baixa no desempenho, o Japão implementou uma reformulação do ensino. Outro ponto apontado pela doutora é que o Japão não publica resultados por escola, o que evita o ‘ranking’ das instituições.

Para chegar a esses resultados, Andriele fez uma imersão na cultura japonesa ao longo do doutorado da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) e com a Universidade Gakugei de Tóquio, onde passou oito meses.

Por meio do programa Ciências Sem Fronteiras, ela pode frequentar escolas e observar como os japoneses davam aulas de ciência. Foi assim que ela constatou que as crianças do Japão veem química e física desde as primeiras séries do ensino fundamental em meio ao conteúdo de ciência, enquanto no Brasil o ensino é específico e fica para as séries posteriores.

“A gente tem pouco contato com conteúdo de química e física, somos mais focados em ciências naturais e biologia. No ensino fundamental, guardamos só para o nono ano uma pincelada dessas disciplinas e depois só retomamos no ensino médio. Os japoneses promovem mais a investigação e a autonomia”, compara.

Antes, no mestrado, ela já havia analisado os resultados do Brasil no exame, o que resultou no livro “A Formação Científica no Brasil e o Pisa”. Também participou do programa de formação de professores, o Teacher Training Program, entre 2007 e 2009, onde teve aulas teóricas por seis meses e depois foi atuar com desenvolvimento de material didático para alunos do ensino fundamental e médio.

Ao voltar do Japão, Andriele diz que ela mesma reviu a forma como dava aulas. “Minhas aulas eram bem tradicionais e eu reproduzia muito o que tinha tido [como aluna]. Só então eu vi que havia outras formas [de ensinar].”

Currículo nacional no Brasil e no Japão

Em dezembro de 2018, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio. Em 2017, foi aprovada a BNCC do ensino infantil e fundamental.

Antes, o Brasil não tinha um currículo nacional obrigatório. No ensino médio, as únicas disciplinas exigidas por lei eram português, matemática, artes, educação física, filosofia e sociologia. Agora, são matemática e portugês. Os demais conhecimentos deverão ser distribuídos ao longo dos três anos (seja concentrado em um ano, ou em dois, ou mesmo em três). No ensino infantil e fundamental, a BNCC não contempla, nas competências gerais, o ensino de ciência ou conteúdos que desenvolvam o letramento científico das crianças.

“Acho a nossa língua e a matemática de fato importantes, mas não dá para não reconhecer a importância das demais disciplinas. A falta de consenso [entre educadores, na formulação das BNCCs] é visível e notória. Sou a favor de uma base nacional curricular, mas que contemple coisas que são básicas, incluindo ciências”, diz.

No Japão, o Pisa é usado como diagnóstico sobre o desenvolvimento da educação. Quando, em 2006, o país caiu no ranking comparado à edição anterior, foi feita uma reformulação de ensino e o resultado na edição seguinte melhorou, conta Andriele.

Já no Brasil, os números do Pisa não influenciam em decisões de políticas educacionais. “Sem avaliação, não temos diagnóstico. Mas tão importante quanto o diagnóstico é saber o que fazer com ele, e não só usar para ranking”, diz. “Não é preparando o aluno para a prova que vamos resolver o problema”, analisa.

O que é o Pisa

Pisa é a sigla para Programme for International Student Assessment, ou, em português, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Ele é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, no Brasil, a aplicação é responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

O Pisa é aplicado a cada três anos para estudantes a partir do 7º ano do ensino fundamental, com média de 15 anos (idade em que a maioria dos estudantes de todos os países concluem o ensino médio). Na última edição, em 2016, 70 países participaram. Cada edição tem foco em uma área de conhecimento. As edições analisadas pela Andriele (de 2006 e 2015) tiveram foco em ciência.

Em 2016, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e 66ª em matemática. O Japão ficou em 2º lugar em ciências, 8º em leitura e em 5º em matemática.

Sobre a autora

Andriele Ferreira Muri Leite concluiu o doutorado em educação pela PUC-Rio em 2017. Fez doutorado sanduíche na Universidade Gakugei de Tóquio (8 meses) onde antes já havia sido bolsista no Teacher Training Program (2007 a 2009). Atualmente é professora adjunta do Departamento de Educação do Campo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). É autora do livro “A Formação Científica no Brasil e o PISA”. Suas pesquisas situam-se nos campos da educação e do ensino de ciências, com ênfase em Avaliação de Sistemas e Programas Educacionais, Avaliação Internacional Comparada e Desigualdades Educacionais.

Prêmio Capes

Criado em 2005, o Prêmio Capes de Tese é oferecido anualmente às melhores teses de doutorado de cada uma das 49 áreas do conhecimento. Em 2018, 939 trabalhos foram inscritos. Os critérios de premiação consideram a originalidade do trabalho, sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação, além da valorização dada pelo sistema educacional ao candidato.

Fonte: https://g1.globo.com/

CUMMINS INTENSIFICA AÇÕES NA ÁREA SOCIAL

CUMMINS INTENSIFICA AÇÕES NA ÁREA SOCIAL

A Cummins Brasil celebra o balanço positivo das atividades promovidas pela sua área de responsabilidade corporativa ao longo de 2018, ano em que registrou o engajamento recorde de 92% dos seus colaboradores nos trabalhos realizados junto às comunidades nas quais atua.

Além da inauguração da Escola Victor Civita, em Guarulhos (SP), fruto de um ivestimento de R$ 5,5 milhões, a Cummins deu continuidade às ações permanentes voltadas aos campos da educação, meio ambiente e justiça social.

“O recorde de engajamento dos nossos colaboradores é a prova mais concreta de que conseguimos enraizar a cultura do voluntariado nos valores da companhia”, diz Soraia Senhorini Franco, gerente da área de responsabilidade corporativa da Cummins. “Todos os nossos sites têm um plano para o desenvolvimento de suas comunidades e, com isso, estamos fazendo uma transformação na nossa região”.

Dentre os projetos realizados pelos voluntários, destacam-se aulas de inglês, rodas da leitura e ensino de matemática para as instituições próximas de sua fábrica de Guarulhos.

Os colaboradores também doam sangue frequentemente e realizam visitas e asilos, além de terem plantado no ano passado total de 480 árvores como parte do programa Ilhas Verdes. Outro projeto da empresa é o De gota em gota, que envolve a fabricação de cisternas para minimizar os impactos da crise hídrica na região.

“E 2019 tem mais”, garante Soraia. “Vamos trabalhar com o fortalecimento de ONGs, ministrando treinamentos de qualificação para melhor servirem a comunidade. “Será um bom ano para todos nós”.

Além de já ter selecionado a 7ª turma do Formare, a fabricante de motores também desenvolverá  trabalho de consultoria técnica na oficina de costura Pano Pra Manga e intensificará os projetos já implementados dentro da companhia.

Fonte: https://www.autoindustria.com.br/

MICROSOFT TEM NOVA PRESIDENTE NO BRASIL; CONHEÇA

MICROSOFT TEM NOVA PRESIDENTE NO BRASIL; CONHEÇA

A Microsoft brasileira está com novidades no comando: Tânia Cosentino assumiu a presidência da filial brasileira da empresa, substituindo Paula Bellizia, que vai passar a atuar nas operações latino-americanas da gigante da tecnologia.

Cosentino se junta à Microsoft após atuar durante anos na francesa Schneider Electric, onde ocupava a vice-presidência global de qualidade e satisfação do cliente desde outubro do ano passado. Em seu período na multinacional europeia, a executiva liderou a transformação digital da companhia na América do Sul, além de estimular o desenvolvimento de soluções diferenciadas e sustentáveis com o objetivo de agregar valor aos negócios dos clientes.

Dentro da Microsoft brasileira, a expectativa é alta com a chegada da nova comandante. “Tânia traz uma sólida experiência em diferentes empresas e um foco em agregar valor aos negócios dos clientes, totalmente alinhado ao nosso objetivo prioritário de contribuir para a transformação digital de nossos clientes com soluções inovadoras. Tenho certeza que sua ampla visão de negócio e operações e sua liderança em temas extremamente relevantes como diversidade e inclusão, serão fundamentais para a evolução de nossos negócios no Brasil”, disse Cesar Cernuda, presidente da Microsoft América Latina.

Cosentino vai ocupar a vaga que desde julho de 2015 era ocupada por Paula Bellizia. A executiva vai, após mais de três anos no comando da filial brasileira da Microsoft, vai passar a atuar nas operações latino-americanas da companhia, tendo sido promovida a a vice-presidente de Vendas, Marketing e Operações da Microsoft América Latina.

Fonte: https://olhardigital.com.br/

A 3M DESCOBRIU O SEGREDO PARA FAZER JOVENS SE INTERESSAREM POR CIÊNCIA: INVESTIR NO PROFESSOR

A 3M DESCOBRIU O SEGREDO PARA FAZER JOVENS SE INTERESSAREM POR CIÊNCIA: INVESTIR NO PROFESSOR

Ciência é assunto chato. É coisa de quem atua na área de exatas. É difícil, para poucos. Estes são alguns dos mitos que o Instituto 3M decidiu derrubar com a criação da Formação para a Prática da Ciência na Educação Básica, o Desafio de Inovação, um curso gratuito oferecido em parceria com a USP anualmente para profissionais da rede pública. Na prática, lá eles aprendem como orientar projetos de ciência de alunos do ensino fundamental e médio. Não tem espaço para molecagem: são 110 horas de aulas, 28 delas presenciais, além de uma série de atividades ao longo da formação. Em 2018, em sua sexta edição, o curso aconteceu entre março e novembro e garantiu a nova aptidão a 30 professores.

“Promover a ciência e a tecnologia é a missão global da 3M, por isso investimos em educação nessa área. Queremos que os professores de escolas públicas sintam-se seguros para estimular os alunos”, conta Liliane Rodrigues, 35, coordenadora de projetos sociais do Instituto 3M. Para ter um impacto tão relevante, o curso é gratuito, para profissionais da rede pública, e feito com a autorização da Secretaria Estadual da Educação, que ajuda na divulgação para os professores sempre que as inscrições são abertas. Ao investir tempo na formação, os profissionais ganham pontos para progredir na carreira, conta Liliane.

“Queremos fomentar o desenvolvimento da chamada STEM, que inclui Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O ponto-chave é que, com o curso, não investimos só na molecada, mas fomentamos este olhar nos professores. As coisas ganham mais força assim”, conta Paulo Gandolfi, vice-presidente do Instituto 3M e, a partir de janeiro de 2019, novo diretor de pesquisa e desenvolvimento da companhia.

Afinal, quem pode fazer ciência?

Se é para derrubar mitos, um dos primeiros é o de que os projetos científicos só podem ser desenvolvidos na área de exatas ou biológicas, como conta Liliane:

“Mostramos para o professor que é possível fazer pesquisa em qualquer área. O ideal é estimular o aluno a encontrar um problema que o incomode e a desenvolver um projeto de pesquisa para resolvê-lo”

Ela cita o exemplo de um professor de Educação Física que foi procurado para orientar o projeto de alguns alunos e ficou absolutamente perdido. Os estudantes queriam a ajuda dele para desenvolver um dispositivo que ajudasse pessoas cegas a praticar corrida sem precisar de um acompanhante do lado, já que nem sempre o ritmo das duas pessoas é o mesmo. Liliane conta que a coordenação pedagógica da escola recomendou que ele se inscrevesse na formação do Instituto 3M. “No fim ele ajudou o grupo a desenvolver um sensor que fica no ouvido de quem tem deficiência visual e alerta para evitar que o atleta queime a faixa”, lembra Liliane.

O caminho para instigar alunos a investir na ciência

Para a formação ter mais sentido, o Instituto 3M arremata o projeto com a Mostra 3M de Ciência e Tecnologia, um evento anual que exibe e premia os projetos de estudantes de 35 cidades do interior de São Paulo, da macrorregião de Campinas e de Ribeirão Preto. Os projetos passam por uma pré-seleção para estar lá. A edição de 2018 aconteceu no fim de novembro e teve recorde de inscritos, com 525 projetos para 102 vagas.

O Instituto 3M aponta que o a iniciativa coroa todo o trabalho para fomentar a ciência no ensino fundamental e médio. “É a ponta do iceberg, algo que só acontece com essa qualidade depois de todo o trabalho que fazemos com o curso para professores”, diz Paulo. Assim, de um lado a companhia investe na formação dos profissionais e, do outro, cria um pretexto para que os alunos trabalhem no desenvolvimento de projetos e peçam orientação. “A Mostra de Ciência e Tecnologia é a cenourinha que todo mundo sai correndo atrás”, brinca o executivo.

Enquanto a formação é oferecida apenas para quem dá aula na rede estadual, o evento é aberto a todos e coloca alunos de instituições públicas para competir com os que estudam em escolas particulares sem nenhuma desvantagem, assegura a coordenadora. O evento abrange projetos em sete áreas de conhecimento científico: agrárias, biológicas, ciências exatas e da terra, humanas, saúde, sociais e engenharia.

Ali não tem essa de que quem é de humanas só faz miçanga: todo mundo se adéqua aos parâmetros científicos, independentemente da natureza do projeto. Os pré-requisitos da mostra acompanham os do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), instituição que atua na pesquisa e desenvolvimento para diversos setores. Assim, conta Liliane, o estudante pode aplicar novamente e dar continuidade à pesquisa quando entrar na faculdade.

Os projetos, diz, têm sempre que partir do aluno. “Vemos muitos trabalhos relacionados com questões ambientais e de melhoria da qualidade de vida das pessoas”, conta a coordenadora. Na edição de 2018 da Mostra foram reconhecidos 21 projetos, três em cada área de conhecimento. Os vencedores impressionaram pela qualidade elevada. Nada ali parecia trabalho de escola, com pesquisas sobre educação financeira, racismo e, ainda, projeto de alternativa aos poluentes canudinhos plásticos.

Os alunos reconhecidos receberam medalha, troféu e prêmio em dinheiro (R$1.100 reais para o primeiro lugar). Os três projetos com melhor nota de toda a Mostra também garantiram vaga na Febrace, Feira Brasileira de Ciência e Engenharia, que acontece em março de 2019. A pesquisa que se destacar no evento conquista uma vaga para concorrer na feira de ciências internacional, nos Estados Unidos.

Professor como agente de transformação

Em todo o processo, a busca do Instituto 3M é por reforçar o papel do professor como agente de transformação. “Os profissionais que realmente abraçam o projeto fazem muita diferença”, diz Paulo. Ele lembra que a coisa toda só funciona com muita paixão. Liliane conta:

“É muito legal ver professores que não se conformam com as dificuldades, com a falta de estrutura. É um esforço coletivo, com muito trabalho fora de hora, nos fins de semana, e mesmo assim eles vão em frente”

Gislaine Aparecida Barana Delbianco, 56, professora da Etec Trajano Camargo em Limeira (SP), sabe bem dos desafios envolvidos, mas diante dos potenciais bons resultados, sempre acaba topando orientar uma série de projetos. “Ela é conhecida por ser rigorosa, por cobrar demais. Os alunos muitas vezes se assustam, mas depois entendem quando alcançam bons resultados”, conta Liliane. Gislaine admite que não facilita para ninguém: “Nós não podemos passar a mão na cabeça. Temos que preparar os estudantes para os desafios que eles vão enfrentar na vida.”

Em 2017 a postura exigente da educadora fez um grupo de alunos reclamar. Em seguida, no entanto, o trabalho deles se destacou na Mostra 3M, foi para a Febrace e, depois de ganhar reconhecimento na feira nacional, acabou escolhido para representar o Brasil na feira de ciências dos Estados Unidos. “Eles voltaram da viagem agradecendo a ela”, conta Liliane, rindo da firmeza e da paixão com que Gislaine trabalha. ”Sou professora há 30 anos e hoje não consigo mais dar aula sem estimular o desenvolvimento de projetos científicos”, conta ela, que  sabe muito bem o que é estar na posição dos alunos, já que nunca parou de estudar: é formada em Química, fez mestrado, doutorado e o curso do Instituto 3M.

“Temos muitas histórias legais de profissionais que passaram pela formação”, conta Liliane. Ela cita também o caso de Carol Fernandes, professora de história, mulher negra, que é mãezona dos alunos, sempre procurada para orientar projetos científicos, ainda que atue na área de humanas. “Ela pega uma série de projetos relacionados principalmente com diversidade e inclusão”, conta.

Para mudar o mundo, comece pequeno

Com as duas frentes – o curso e a Mostra, o Instituto 3M busca empoderar professores e alunos, conta Liliane. “Damos mecanismo para que as pessoas se desenvolvam. Todo mundo sente que pode fazer alguma coisa, pesquisar, levantar um tema capaz de mudar o mundo, ainda que seja devagar.” Ela diz que mesmo os estudantes que torcem o nariz para a escola tradicional acabam se engajando quando precisam trabalhar em projetos em que têm interesse genuíno. Segundo ela, eles superam os mais diversos obstáculos para fazer uma boa entrega. “São histórias de transformação mesmo”, diz.

Os resultados são claros para quem visita a Mostra de Ciência e Tecnologia: um monte de adolescentes com a pesquisa na ponta da língua, prontos para apresentar seus projetos. O Instituto 3M fez recentemente uma pesquisa com estudantes, professores e pais que já se envolveram com a iniciativa nestes seis anos. Entre os 985 alunos entrevistados, 90% disseram que o programa ajudou no rendimento escolar e 96% acreditam que o projeto contribuiu para a escolha da profissão. “Além disso, tanto pais quanto professores concordaram que os estudantes ficaram mais confiantes e comunicativos para expor seus projetos”, conta Liliane.

Segundo ela, a iniciativa tem um efeito multiplicador. Alguns jovens que participam entram na faculdade e, mais tarde, eles mesmos passam a orientar projetos científicos em escolas. Por enquanto, não há nenhum colaborador da 3M que tenha passado pela Mostra, mas o objetivo é mudar isso em breve. “Quero ter a alegria de contratar alguém que começou sua atuação científica por lá”, diz Paulo. Assim, contrariando o senso comum, ele reforça um dos pilares da companhia: a ciência é para todos.

Fonte: https://projetodraft.com/

ESCOLAS PARTICULARES DE SÃO PAULO, RIO E MINAS DIVULGAM CARTA COM CRÍTICAS A VÉLEZ RODRÍGUEZ

ESCOLAS PARTICULARES DE SÃO PAULO, RIO E MINAS DIVULGAM CARTA COM CRÍTICAS A VÉLEZ RODRÍGUEZ

O Grupo de Escolas Critique, que reúne inúmeras escolas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, divulgou uma carta endereçada ao ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. A mensagem apresenta críticas às ideias do titular.

Acompanhem a carta:

Senhor Ministro da Educação,

Nossa longa e ampla experiência na escola nos impele ao dever de contribuir para a atual discussão sobre a educação escolar brasileira. Precisamos começar por esclarecer que o problema de nossas escolas não são ideologias de esquerda em sala de aula, mas a incapacidade do sistema de conseguir que os alunos aprendam. São muitas e complexas as razões que trouxeram a Educação Básica aos péssimos resultados que se repetem há alguns anos. Mas, certamente, entre as muitas principais delas, não estão ideologias de esquerda. Antes podemos nos lembrar da ausência de apreço que se tem, no Brasil, pela escola e a pouca valorização que se dá ao professor, à sua ação e formação. Para citar apenas duas bastante relevantes.

A insistência em enfatizar problemas ideológicos serve apenas para desviar o foco do problema real e prejudica o aprimoramento da educação escolar, tão essencial para que o país se torne viável. A Educação Básica é um problema nacional importante e grave demais para que se reduza a acusações a pretensas maquinações de esquerda.

Considerar que a escola ensina e a família e a igreja promovem a educação moral é uma opinião desatualizada, pois o desenvolvimento moral é inseparável do desenvolvimento intelectual, e a educação das crianças não se limita a memorizar informações e fatos. O conhecimento existe em um contexto, numa abordagem que, necessariamente, envolve o desenvolvimento emocional, social, intelectual, moral e físico do aluno.

Confundir educação moral – que tem como objetivo construir a autonomia do sujeito – com moral religiosa obscurece o conhecimento e relega a aprendizagem a uma pedagogia transmissiva obsoleta.

Aguardamos de Vossa Excelência um projeto coerente, fundamentado, lógico e sensato para enfrentar as dificuldades da nossa educação escolar que precisa cumprir sua função de garantir que as novas gerações compreendam e contribuam para o aperfeiçoamento da sociedade.

Não concordamos que – num país em que muitos alunos não chegam a aprender a ler – se tenha como meta principal vigiar professores e criar Conselhos de Ética, nas escolas, para “zelarem pela “reta educação moral dos alunos”. Excelência, escola é lugar de falar de alfabetização, comunicação, pensamento lógico, científico, humanidades, moral, tudo o que fundamenta o acervo cultural da humanidade. O pensamento moral implica transformação interna do sujeito, que se constrói discutindo ações e conhecimentos, e não com punição e obediência.

No texto “Um roteiro para o MEC”, Vossa Excelência se preocupa com “uma estrutura armada para desmontar valores tradicionais da nossa sociedade, (…) da família, da religião, da cidadania, em suma, do patriotismo”. Asseguramos que o que existe, de fato, é a dificuldade de aprender dos alunos. Para tanto, os professores não necessitam de vigilância, mas de formação e de valorização.

Alertamos que a Escola sem Partido, que Vossa Excelência considera “uma providência fundamental”, não está atualizada com as pedagogias contemporâneas, discutidas e estudadas em todos os países do mundo que se preocupam com formar gerações que consigam interpretar a realidade, em sua complexidade, para lidar com as transformações radicais decorrentes do mundo digital.

A acusação de que supostas ‘educação de gênero’ e ‘ideologia marxista’ estão infiltradas na escola soa como um discurso anacrônico que remete aos anos da guerra fria no século 20. E é, mais uma vez, um deslocamento da questão realmente grave que é a da dificuldade de tornar as crianças e jovens brasileiros aprendizes eficientes e preparados para os desafios do mundo atual.

O Brasil precisa se educar para o novo mundo, criado pelas novas tecnologias, com questões demasiadamente desafiadoras para a humanidade. Não há tempo a perder com convicções vetustas que parecem ignorar que a humanidade foi capaz de levar o homem à Lua, que é capaz de manipular genes, descobrir curas para doenças, inventar máquinas que facilitam a vida, tudo isso porque a espécie humana é dotada de mentes curiosas, criadoras e inventivas. Essa capacidade de pensar, discutir, refletir e trocar conhecimento trouxe a humanidade até aqui. Cercear essa capacidade é preocupante e, mais ainda, se nossa educação básica é sabidamente ruim, com menos discussão, troca e reflexão certamente não vai melhorar.

Quanto ao exame do Enem, Senhor Ministro, a prova não é elaborada por pessoas mal-intencionadas que desejam prejudicar jovens. Não, pelo contrário, a prova é construída por professores que tentam ligar o conhecimento a diversos contextos, que é o que se busca hoje na educação escolar. Quando Vossa Excelência diz que a “prova tem que avaliar realmente os conhecimentos. O aluno não pode ter medo de levar pau” não é claro como Vossa Excelência significa o conhecimento. Para nós, conhecer é conseguir aplicar o conhecimento em diversas situações, é estabelecer relações entre os saberes, é saber usar na vida o que se aprendeu. Não consideramos que conhecimento são conteúdos memorizados e descontextualizados. Quanto ao receio de o aluno de ser reprovado deve-se à má qualidade da educação escolar e não a intenções perversas de quem corrige as provas.

Senhor Ministro, sua biografia informa que é autor de mais de 30 obras e professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Também é mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ); doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho; e pós-doutor pelo Centro de Pesquisas Políticas Raymond Aron. Com tanto lastro intelectual, é difícil acreditar que V. Excia considere a Escola sem Partido “providência fundamental”. Afinal, é um grupo de amadores, que carece de saberes básicos sobre educação, e que divulga fantasias sobre influência de partidos políticos sobre estudantes dentro de escolas de Ensino Fundamental e Médio. Com tanto embasamento cultural, esperamos que Vossa Excelência não aceite esses ataques ao conhecimento.

Concordamos com sua opinião de que “doutrinação não é boa para o aluno, nos primeiros anos, no ensino básico, fundamental”, mas vamos mais longe: doutrinação não é boa nunca. O que forma a consciência cidadã é a discussão e a dúvida, o que é muito diferente de reprimir a expressão e incentivar a denúncia, ação altamente deseducativa do ponto de vista moral.

Falar sobre gênero, senhor ministro, é falar de um conceito moral muito mais amplo, que abrange ideais de respeito e aceitação do outro, essenciais para o convívio. Todos têm a liberdade de ser como são, sem moldes determinados. Isso é respeitar o indivíduo, sem regulamentação do que ele é por decreto, numa interpretação oposta à que Vossa Excelência manifestou numa entrevista.

Saber que planeja melhorar as condições do ensino, nas escolas municipais, para “resgatar a qualidade do nosso ensino” é alvissareiro, porém ficou faltando esclarecer como isso será proposto e realizado.

Como educadores que dedicaram sua vida profissional à escola, pedimos que Vossa Excelência não permita que o país entre numa rota de retrocesso, a partir da instituição escolar. Para assegurar a laicidade da educação, como prevista na constituição brasileira, pedimos que não deixe que a exploração da credulidade dos despossuídos, por meio da religião, se imiscua no processo da educação escolar. O conhecimento e a cultura são patrimônio de um país. A arte atravessa a História da Humanidade e é expressão de civilização, que não pode ser demonizada.

E, com sua formação, Vossa Excelência sabe que criacionismo e darwinismo não são histórias equivalentes para serem objeto de opção. Crença e conhecimento são coisas muito diferentes. Uma é fé, e outra é ciência.

Até aqui, senhor ministro, suas declarações deixaram a desejar. Ainda aguardamos um plano criterioso que assegure a aprendizagem que vai preparar nossas crianças e jovens para enfrentarem, entre outros muitos desafios, o aquecimento global, as mudanças climáticas, as questões éticas da manipulação genética, da inteligência artificial, e os muitos problemas ainda desconhecidos, mas que sabemos que virão com a transformação cada vez mais rápida da realidade.

Atenciosamente,

Grupo de Escolas Critique

Fonte: https://www.revistaforum.com.br/