STEM TECHCAMP BRASIL DEBATE MECANISMOS PARA ATUALIZAR ENSINO PÚBLICO NO PAÍS

STEM TECHCAMP BRASIL DEBATE MECANISMOS PARA ATUALIZAR ENSINO PÚBLICO NO PAÍS

Neste ano, foi realizada a segunda edição do STEM TechCamp Brasil, iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-TEC) e com o apoio da Poli-USP, Grupo +Unidos, Consed e Instituto 3M. O principal objetivo do programa é formar uma rede de multiplicadores de inovação, de modo que a aprendizagem ativa de STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) seja cada vez disseminada por todo território nacional e utilizada como ferramenta nas instituições públicas de ensino.

O evento aconteceu na Universidade de São Paulo (USP) na segunda semana de fevereiro e contou com diversos encontros, palestras e oficinas voltados ao tema. A ideia é aproximar 60 professores distintos e gestores das 27 unidades federativas do Brasil com iniciativas investigativas e interdisciplinares, despertando o interesse para que possam retornar aos seus estados de origem empoderados e engajados na missão de implementar novos mecanismos de ensino em suas comunidades escolares.

Uma das muitas atividades realizadas na semana de imersão foi um painel expositivo realizado pelo Grupo +Unidos com a colaboração de empresas associadas. 3M, Educando, IBM, Microsoft e Qualcomm puderam compartilhar com os professores e gestores seus principais cases de ações envolvendo STEM na educação pública. Na ocasião, estavam presentes Adam Shub (Cônsul Geral dos Estados Unidos em São Paulo), David Bunce (Presidente do Conselho do Grupo +Unidos), Liedi Legi Bariani Bernucci (Diretora de Escola Politécnica da USP), Marcio Lobo Netto (Diretor Adjunto na Área de Mobilidade Acadêmica da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional – AUCANI), entre outras autoridades.

O Cônsul-Geral da Embaixada dos EUA no Brasil, Adam Shub, enfatizou durante a cerimônia de abertura do STEM TechCamp 2019 a importância do estreitamento dos laços entre os educadores e os setores produtivos de seus estados. “Queremos estimular a criação de uma rede de pessoas criativas e inovadoras que se dedicam à construção de parcerias entre o setor privado e as escolas. Acredito que o trabalho conjunto nessa direção fará diferença no ensino de STEM na rede pública”, comentou.

Cases de sucesso

Os projetos apresentados pelas empresas, possuem um fio condutor que trazem diversos fatores em comum, procurando sempre trazer inovação dos modos de aprendizagem, interdisciplinaridade e colaboração. Além disso, os projetos são adaptáveis a nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC), prevista desde 2014 pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e aprovada em 2018 para a educação infantil e para o ensino fundamental.

Nas falas dos palestrantes, a formação de professores foi um tema importante para debater o processo de implementação de novas tecnologias nas escolas públicas brasileiras.

O projeto RoboLab, idealizado pela empresa de tecnologia Qualcomm, e o STEM Brasil, pela Educando, por exemplo, entendem que investir no professor significa multiplicar os esforços e recursos. Segundo Marcos Paim, Diretor do STEM Brasil, “a capacitação do professor é essencial, porque esse esforço permanece por mais tempo e, consequentemente, oferece aos alunos os melhores caminhos de aprendizado”.

Já a Microsoft, compreendendo as particularidades de investimento em cada estado no país, desenvolveu o serviço Hacking STEM. O programa oferece planos de aula flexíveis, que possibilitam adaptações e colocam o educador como personagem ativo e participante do processo de inovação dos conteúdos oferecidos nas escolas.

Outra grande preocupação das organizações é que os jovens ingressantes no mercado de trabalho estejam capacitados para enfrentar os desafios deste século, a partir do desenvolvimento de competências profissionais ligadas ao movimento STEM. O modelo P-Tech, trazido para o Brasil pela IBM, nasce como uma aliança educacional entre os ensinos Médio, Técnico e Superior. O principal diferencial da proposta é a possibilidade de aplicação dos conhecimentos absorvidos em sala de aula no ambiente real de trabalho. “Acreditamos muito que, da forma que toda a costura é feita, o aluno se sente mais atraído, cria uma visão de oportunidades e entende que uma jornada de educação é para o resto da vida”, afirmou Juliana Nobre, gerente de Cidadania Corporativa da IBM Brasil.

Ocupando apenas o 63º lugar de 70 países no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Brasil precisa investir e apostar na educação básica de qualidade para que seus jovens ao ingressar o mercado de trabalho estejam qualificados e consigam acompanhar o contínuo desenvolvimento tecnológico. Somente por esse caminho será possível construir um país inclusivo, desenvolvido e ético.

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA FORMA CIDADÃO CONSCIENTE, DIZEM ESPECIALISTAS

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA FORMA CIDADÃO CONSCIENTE, DIZEM ESPECIALISTAS

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino básico incluiu entre as competências que o aluno deve ter a leitura crítica da informação que recebe por jornais, revistas, internet e redes sociais. Especialistas avaliam que foi um avanço a inclusão da educação midiática na BNCC, pois a escola poderá dar instrumentos para que o estudante possa se tornar um consumidor e produtor de conteúdo responsável.

No fim de 2017, o Ministério da Educação homologou a Base Nacional Comum Curricular do ensino infantil e fundamental e, no fim do ano passado, aprovou a BNCC do ensino médio. O documento estabelece o mínimo que deve ser ensinado em todas as escolas do país, públicas e particulares.

A partir da base, os estados, as redes públicas de ensino e as escolas privadas deverão elaborar os currículos que serão de fato implementados nas salas de aula. Os novos currículos para o ensino básico estão em fase de elaboração pelos estados.

Habilidade

A base prevê, por exemplo, que o aluno do sexto ao nono ano do ensino fundamental desenvolva a habilidade de leitura e produção de textos jornalísticos em diferentes fontes, veículos e mídias, a autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos, além de saber diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio.

“A questão da confiabilidade da informação, da proliferação de fake news [notícias falsas], da manipulação de fatos e opiniões tem destaque e muitas das habilidades se relacionam com a comparação e análise de notícias em diferentes fontes e mídias, com análise de sites e serviços checadores de notícias […]”, diz um trecho do documento.

Para os estudantes do ensino médio, as habilidades preveem a ampliação do repertório de escolhas de fontes de informação e opinião, a comparação de informações sobre um fato em diferentes mídias, além do uso de procedimentos de checagem de fatos e fotos publicados para combater a proliferação de notícias falsas.

A base também recomenda que os alunos possam atuar de maneira ética e crítica na produção e compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião e memes nas redes sociais ou em outros ambientes digitais.

Desafios

A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, afirma que foi um significativo ganho colocar o tema da educação para a mídia na BNCC, pois significa que o campo jornalístico-midiático terá que ser abordado pelas escolas em âmbito nacional. No entanto, ela destacou que há ainda um longo trabalho pela frente para que a prática seja efetivamente adotada nos currículos.

“Nunca foi tão necessário, nesse ambiente de tecnologia, educar para a mídia, para o consumo de informação. Se a criança e o adolescente desenvolvem senso crítico, a escola está contribuindo para a formação de cidadãos que podem exercer melhor sua liberdade de expressão”, diz Patrícia.

“Educação midiática tem o papel de antídoto às fake news: você percebe que tem algo estranho, vai pesquisar outra fonte, e não simplesmente compra uma informação como verdade absoluta e a repassa para a frente”, acrescenta a especialista.

Segundo ela, são três os desafios atuais para a iniciativa chegar às salas de aula: disseminar o conceito da educação midiática, divulgando sua importância, formar os professores para que eles possam abordar o tema, e desenvolver a produção de conteúdos e materiais relevantes para serem usados na escola.

Alfabetização

O representante do Comitê Internacional da Aliança Global para Parcerias em Alfabetização de Mídia e Informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na América Latina e Caribe, Alexandre Sayad, lembra que o tema está incluído entre as competências a serem abordadas na disciplina de língua portuguesa.

“O professor de língua portuguesa vai ter que colocar na sua aula. Mas nada impede outra disciplina abordar o tema. A questão da mídia é presente na vida das pessoas. Há uma tendência na educação, em geral, de se descompartimentalizar as disciplinas”, diz Sayad.

Segundo ele, atualmente há poucas escolas no Brasil que tratam do assunto em sala de aula. “Identificar a fonte de notícia é uma habilidade necessária no mundo hoje. É pela alfabetização midiática que você consegue separar o joio do trigo na mídia”.

Fonte: https://istoe.com.br/


COMO O PAYPAL BRASIL SE TORNOU REFERÊNCIA EM IGUALDADE DE GÊNERO

COMO O PAYPAL BRASIL SE TORNOU REFERÊNCIA EM IGUALDADE DE GÊNERO

Mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança de grandes empresas, ainda mais no setor de tecnologia. Para romper essa tendência, a plataforma de pagamentos PayPal criou diversas políticas de inclusão e diversidade. A divisão brasileira da alcançou resultados tão surpreendentes que virou referência global na companhia.

Atualmente, dos mais de 18 mil funcionários espalhados em 31 países, 44% são mulheres. A companhia aumentou, em 2017, em 20% o número de mulheres nos postos de liderança da companhia. No Brasil, os números são ainda maiores. Nos cargos de liderança, elas são 55% por aqui.

Em 2017, o PayPal teve receita de 13,06 bilhões de dólares, contra 10,84 bilhões de dólares no ano anterior. Foi usado por seus clientes como forma de pagamento para mais de 456 bilhões de dólares em produtos e serviços.

O cenário na companhia é exceção entre as grandes multinacionais. Apenas 25 das 500 maiores empresas do mundo, segundo a Forbes, são lideradas por mulheres.

De acordo com uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada com quase 280 empresas, as mulheres representam 48% dos funcionários nos primeiros níveis de uma empresa, mas apenas 25% da diretoria. Para cada 100 homens promovidos para o cargo de gerente, apenas 79 recebem a promoção.

Ao levar em consideração outros grupos, a situação é ainda mais complicada: mulheres não brancas são apenas 4% nos cargos de diretoria.

Os números de diversidade do Paypal são resultado dos últimos anos de políticas de inclusão. “A diversidade é um fato, mas a inclusão é uma escolha”, diz Paula Paschoal, diretora geral da companhia no Brasil.

A diretora acredita que não há uma única fórmula mágica para aumentar a diversidade. “Acredito que esses resultados não se alcançam com ações pontuais, mas sim com transformar a inclusão em um dos principais pilares da empresa”, afirma.

A inclusão passou a fazer parte dos valores da companhia em 2015, ao lado de bem-estar, inovação e colaboração. Por conta disso, entre 2016 e 2017 houve crescimento de 20% no número de mulheres em cargos de liderança no PayPal em nível global.

Mas apenas acrescentar a inclusão aos valores não foi o suficiente. A empresa criou procedimentos para os processos seletivos: a seleção dos candidatos finalistas precisa apresentar diversidade, seja de gênero, racial, idade ou formação.

Cada diretor é incentivado a montar uma equipe diversa. “Não faz sentido ter um time de produtos, por exemplo, formado apenas por engenheiros homens, brancos e com 30 anos, mesmo que eles sejam formados nas melhores faculdades”, diz Paschoal.

Ela afirma que a diversidade não é importante apenas do ponto de vista social, mas sim para o andamento da companhia. “O mercado muda muito rápido e é mais fácil acompanhar as transformações quando a equipe é formada por pessoas diferentes”, diz.

Ao pensar em um novo produto, é importante levar em consideração as dificuldades de pessoas mais velhas ou de certas camadas sociais, por exemplo, para alcançar o maior público possível.

Ter um ambiente de trabalho mais adaptável, com horários flexíveis e política de home office, também ajudou o PayPal. “A empresa sempre trabalhou, aqui e lá fora, respeitando o timing de seus funcionários. A companhia sabe que flexibilidade é uma característica fundamental para a boa administração”, diz a diretora.

O exemplo da liderança é outro fator que impulsiona a diversidade, afirma. “Uma empresa não precisa ser liderada por uma mulher para pensar sobre esse assunto, mas ter mulheres na diretoria é importante para inspirar os funcionários”, diz Paschoal. Para ela, as funcionárias se sentem mais motivadas a buscar cargos mais altos quando há mulheres no topo.  

A representatividade no tipo não é importante apenas para mulheres, mas também outros grupos. Em 2017, o conselho de diretores da empresa ganhou duas mulheres e, mais recentemente, um diretor afro-americano. Assim, 45% do conselho é composto por mulheres e grupos étnicos.

A executiva participa ainda de iniciativas com outras empresas para melhorar a diversidade, como a CEO Legacy, da Fundação Dom Cabral. “Ainda há um caminho longo pela frente, para igualar salários em todas as companhias, mas vamos continuar nos esforçando para isso”, afirma.

Fonte: https://exame.abril.com.br/

EXXONMOBIL DOA MAIS DE UM MILHÃO DE DÓLARES A PROJETOS SOCIAIS

EXXONMOBIL DOA MAIS DE UM MILHÃO DE DÓLARES A PROJETOS SOCIAIS

Um milhão e duzentos e cinquenta mil dólares americanos foram doados, em Luanda, pela companhia petrolífera e petroquímica ExxonMobil Foundation, para apoiar esforços da luta contra a malária, incentivo a construção de mais escolas, desenvolvimento das mulheres rurais e preservação da Palanca Negra.

As organizações beneficiárias incluem a Organização de Apoio ao Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP Angola), a Africare/CORE GROUP, a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Kickstart, RiSE International e a Fundação Kissama.

A Esso Angola e a Fundação ExxonMobil, em parceria com os ministérios da Saúde, Educação, Ambientem e Acção Social, Família e Promoção da Mulher apresentaram os fundos às respectivas organizações.

O presidente da ExxoMobil Foundation, Kevin Murphy, afirmou que as contribuições vao permitir a continuação dos projectos comunitários estratégicos nas diversas áreas, em 2019.

De acordo com o responsável, a fundação é o principal meio filantrópico para ajudar no combate a malária e aumentar o acesso aos cuidados primários de saúde, bem como na promoção da mulher como catalisadora para o empoderamento económico e educação avançada.

Desde 2003, a empresa já investiu mais de 30 milhões em programas de saúde, além de mais cinco milhões em outras acções desde 2005.

Para este ano as contribuições serão aplicadas para desenvolver ainda mais as competências agrícolas e a literacia empresarial para mulheres agrícolas.

A preservação da Palanca Negra Gigante foi igualmente referenciada como um contributo de sucesso, para resgatar a simbologia nacional angolana que esteve em vias de extinção.

Fonte: https://mercado.co.ao/

COMO FOMENTAR A DIVERSIDADE? NA 3M A RESPOSTA É LEVANTAR A BANDEIRA DO RESPEITO

COMO FOMENTAR A DIVERSIDADE? NA 3M A RESPOSTA É LEVANTAR A BANDEIRA DO RESPEITO

A 3M tem nas mãos o desafio de fomentar a diversidade entre seus funcionários, seja ela de gênero, orientação sexual, étnica ou até de bagagem cultural. Para alcançar o objetivo, no entanto, a companhia precisa fugir de discussões polarizadas e pavimentar uma trilha única, capaz de levar as pessoas a um consenso. Sandra Barquilha, 39, diretora de recursos humanos da organização, aponta ter encontrado uma solução: “Abordar a diversidade a partir da discussão sobre respeito”, diz.

A empresa começou a avançar por este terreno há cerca de cinco anos, após perceber este movimento ganhando força na matriz nos Estados Unidos. Sandra aponta que o primeiro time criado para abordar o tema foi o Fórum de Liderança Feminina: “O grupo de trabalho diagnosticou uma série de desafios para aumentar a participação das mulheres em cargos de comando, como a maternidade, o preconceito e, ainda, a falta de autoconfiança de algumas profissionais para pleitear cargos mais altos. O esforço rendeu bons resultados: “A presença de diretoras no board da organização, por exemplo, saltou de 7% para 30% nos últimos anos”.

Mais tarde a 3M criou o Comitê de Diversidade e Inclusão, uma iniciativa multidisciplinar que reúne profissionais de várias áreas. As pessoas se inscrevem para participar de forma voluntária, algo que Sandra entende ser essencial para a iniciativa dar certo. Assim, o grupo atraiu três diretores da companhia e uma série de outras lideranças.

O trabalho começou a se desdobrar em grupos de afinidade que precisam de fortalecimento na organização: há cerca de dois anos nasceu um destinado à promoção da presença de pessoas LGBT e, mais recentemente, em 2018, foi estabelecido o grupo de afinidade de etnia e raça, focado principalmente em aumentar a participação de negros no ambiente de trabalho. Os times são formados por colaboradores que se identificam com o tema e querem fazer parte, e ajudar a construir um caminho de transformação.

Opinião é pessoal, mas respeito é obrigatório

Em paralelo às iniciativas do comitê, Sandra diz que a 3M vem abordando a diversidade em sua comunicação e reconhece que há, sim, alguma resistência ao tema. Até agora ninguém se opôs de forma direta e clara, mas aqueles mais conservadores demonstram certa surpresa diante de algumas iniciativas, principalmente quando o assunto envolve orientação sexual. “Há uma série de paradigmas pessoais envolvidos”, diz.

Segundo Sandra, a intenção da empresa é colocar o assunto em pauta internamente, provocando uma discussão necessária, ainda que ela não seja muito confortável. “É normal encontrarmos um olhar mais conservador, mas decidimos tratar estes temas de forma aberta e transparente”, diz. E prossegue:

“Não abordamos a diversidade simplesmente porque está moda, é bonito ou para que as pessoas concordem. É impossível controlar a opinião de todo mundo, mas aqui estamos falando de respeito. Você pode discordar, mas precisa respeitar”

Assim, o principal antídoto da companhia para eventuais resistências internas é fugir de discussões filosóficas e abordar tudo sob o mesmo guarda-chuva, o do respeito, independentemente da origem, gênero, orientação sexual ou cor de cada um. Sandra conta que a 3M tem feito uma série de iniciativas para provocar esta reflexão.

Ao trazer para o Brasil a campanha global Wonder, que promoveu uma Post-It War entre funcionários, a empresa usou o nome “Mentes diferentes inspiram” para fomentar a colaboração e a construção coletiva entre pessoas diferentes. Outra ação foi levar o Museu da Empatia para dentro da 3M. A iniciativa traz experiências para que as pessoas olhem o mundo através dos pontos de vista de outras pessoas: é só calçar o sapato de alguém e fazer uma imersão por meio de um áudio. São depoimentos diversos, crianças, transexuais, idosos, negros e representantes de outros grupos. Tudo feito para sensibilizar a audiência e criar novas conexões, estabelecer o diálogo.

“É uma experiência que te coloca no lugar do outro ainda que você não acredite nas mesmas coisas que ele”, resume Sandra. Segundo ela, as mensagens são cuidadosas, mas direto ao ponto, justamente o tipo de comunicação em que a 3M tem apostado para tratar do tema.

Diversidade na contratação

A abordagem da 3M inclui também buscar a diversidade na hora de contratar, uma missão nem sempre tão simples, como conta Sandra:

“Precisamos colocar a diversidade no olhar dos gestores que contratam. Sem perceber, muitos deles descrevem o próprio perfil quando vão falar sobre o tipo de profissional que procuram”

Ela reforça que a tendência é que as pessoas sempre busquem semelhantes – e é justamente este ciclo que precisa ser rompido. “Há também perfis de cargo para os quais nem sempre há mulheres que se candidatam para a vaga”, exemplifica.

Um esforço importante para a companhia é medir de forma mais precisa a diversidade interna. Parece simples, mas na prática as coisas trazem uma camada de complicação, conta Sandra. “Quando falamos de gênero é tranquilo, mas quando entramos na discussão LGBT eu dependo de uma autodeclaração, algo que não é tão frequente, principalmente em uma empresa industrial”, conta.

Com o esforço para fazer da 3M uma empresa mais diversa, Sandra diz ter realizado uma imersão no tema, estudado, ido a eventos e discutido exaustivamente. A diretora entende que os avanços da 3M acontecem passo a passo, mas foram grandes até aqui. Segundo ela, é melhor focar e construir lentamente, mas garantir que as bases sejam sólidas, do que evoluir rápido sem a mesma consistência. “Fico feliz de ver o tanto de gente que se ofereceu de forma voluntária para participar dos grupos, para levar a discussão sobre diversidade adiante”, diz.

Sandra acredita que tratar de um assunto tão humano é mais do que uma simples tarefa no trabalho: inevitavelmente precisa existir um pouco de compromisso com a causa. “É impressionante ver como, ao se envolver com o tema, nos tornamos pessoas melhores”, conclui, levantando bem alto a bandeira do respeito.

Fonte: https://projetodraft.com/

‘EDUCAÇÃO É TRANSFORMAR, LIBERTAR E FAZER PENSAR CIÊNCIA’, DIZ AUTORA DE TESE PREMIADA SOBRE LETRAMENTO CIENTÍFICO

‘EDUCAÇÃO É TRANSFORMAR, LIBERTAR E FAZER PENSAR CIÊNCIA’, DIZ AUTORA DE TESE PREMIADA SOBRE LETRAMENTO CIENTÍFICO

Como o método de ensino de um país faz com que a população alcance o letramento científico? Por que o Japão se sai bem em provas de avaliação internacional de ensino de ciência e o Brasil apresenta resultados pífios?

Para entender as diferenças e semelhanças entre o ensino de ciências do Brasil e do Japão, a hoje doutora em educação Andriele Ferreira Muri foi atrás de dados. Ela analisou os resultados dos dois países no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) das edições voltadas a ciências (2006 e 2015), acompanhou como são dadas as aulas, e comparou políticas públicas.

O resultado foi a tese “Letramento científico no Brasil e no Japão a partir dos resultados do Pisa”. O estudo foi considerado a melhor tese em educação do país e ganhou o Grande Prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de Humanas na edição de 2018.

O que motivou Muri a pesquisar o Pisa e comparar resultados foi a convicção de que a educação pode transformar a sociedade.

“Educação é transformar, libertar e fazer pensar ciência. É nisso que eu acredito: em uma educação que transforma, informa, que forma o cidadão crítico para que atue ativamente na sociedade”, disse Muri, em entrevista ao G1.

Letramento científico

O conceito de letramento científico é vasto. Mas, pela definição da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo Pisa, letramento científico é conseguir replicar os conhecimentos básicos de ciência aprendidos na escola nas experiências cotidianas, interpretar dados e tirar uma conclusão válida.

No Brasil, o contexto não é favorável. Em um país em que 55% dos estudantes de 8 anos do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas têm conhecimento insuficiente em matemática e leitura e que 7 em cada 10 alunos do ensino médio não têm níveis suficientes de compreensão e leitura nestas mesmas disciplinas, saber e entender ciência é ainda um vasto campo a ser desenvolvido.

“Um cidadão cientificamente letrado é um cidadão crítico, capaz de participar ativamente das questões como um todo em um país. Questões não apenas científicas e tecnológicas, mas também sociais. Um país cientificamente letrado significa um povo que entende e participa das decisão do dia a dia e transforma a sua realidade”, disse Andriele Muri, em entrevista ao G1.

Conclusões da tese

  • Pisa é um bom instrumento para comparar alunos brasileiros e japoneses. Não foram identificados problemas de compreensão com traduções, por exemplo, ou questões que privilegiassem uma cultura ou outra;
  • Japão se sai melhor porque as crianças veem química e física em meio ao ensino de ciência desde as primeiras séries do ensino fundamental;
  • Não reprovar estudantes tem impacto positivo na aprendizagem no Japão;
  • O Japão tem um currículo nacional comum. Ele foi considerado coerente e focado em tópicos e exploração conceitual. Além disso, ele é revisado a cada dez anos, levando em conta os resultados da avaliação do Pisa;
  • formação dos professores faz diferença: no Japão, os professores têm as aulas analisadas por outros colegas. Esta troca permite aperfeiçoar o método, “acelerando a disseminação das melhores práticas em toda a escola ou comunidade”, escreve Muri;
  • uso do tempo em sala de aula é mais otimizado no país asiático: 20% do tempo de aula no Brasil é perdido com questões como orientações gerais, recados administrativos e controle de alunos em sala. No Japão, o índice é de 2%;
  • Resultados de avaliações guiam a educação: “No Japão, os testes são utilizados como forma de monitoramento e de diagnóstico do desempenho do sistema educacional”, analisa Muri. Segundo ela, em 2006, quando o país repetiu uma tendência de baixa no desempenho, o Japão implementou uma reformulação do ensino. Outro ponto apontado pela doutora é que o Japão não publica resultados por escola, o que evita o ‘ranking’ das instituições.

Para chegar a esses resultados, Andriele fez uma imersão na cultura japonesa ao longo do doutorado da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) e com a Universidade Gakugei de Tóquio, onde passou oito meses.

Por meio do programa Ciências Sem Fronteiras, ela pode frequentar escolas e observar como os japoneses davam aulas de ciência. Foi assim que ela constatou que as crianças do Japão veem química e física desde as primeiras séries do ensino fundamental em meio ao conteúdo de ciência, enquanto no Brasil o ensino é específico e fica para as séries posteriores.

“A gente tem pouco contato com conteúdo de química e física, somos mais focados em ciências naturais e biologia. No ensino fundamental, guardamos só para o nono ano uma pincelada dessas disciplinas e depois só retomamos no ensino médio. Os japoneses promovem mais a investigação e a autonomia”, compara.

Antes, no mestrado, ela já havia analisado os resultados do Brasil no exame, o que resultou no livro “A Formação Científica no Brasil e o Pisa”. Também participou do programa de formação de professores, o Teacher Training Program, entre 2007 e 2009, onde teve aulas teóricas por seis meses e depois foi atuar com desenvolvimento de material didático para alunos do ensino fundamental e médio.

Ao voltar do Japão, Andriele diz que ela mesma reviu a forma como dava aulas. “Minhas aulas eram bem tradicionais e eu reproduzia muito o que tinha tido [como aluna]. Só então eu vi que havia outras formas [de ensinar].”

Currículo nacional no Brasil e no Japão

Em dezembro de 2018, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio. Em 2017, foi aprovada a BNCC do ensino infantil e fundamental.

Antes, o Brasil não tinha um currículo nacional obrigatório. No ensino médio, as únicas disciplinas exigidas por lei eram português, matemática, artes, educação física, filosofia e sociologia. Agora, são matemática e portugês. Os demais conhecimentos deverão ser distribuídos ao longo dos três anos (seja concentrado em um ano, ou em dois, ou mesmo em três). No ensino infantil e fundamental, a BNCC não contempla, nas competências gerais, o ensino de ciência ou conteúdos que desenvolvam o letramento científico das crianças.

“Acho a nossa língua e a matemática de fato importantes, mas não dá para não reconhecer a importância das demais disciplinas. A falta de consenso [entre educadores, na formulação das BNCCs] é visível e notória. Sou a favor de uma base nacional curricular, mas que contemple coisas que são básicas, incluindo ciências”, diz.

No Japão, o Pisa é usado como diagnóstico sobre o desenvolvimento da educação. Quando, em 2006, o país caiu no ranking comparado à edição anterior, foi feita uma reformulação de ensino e o resultado na edição seguinte melhorou, conta Andriele.

Já no Brasil, os números do Pisa não influenciam em decisões de políticas educacionais. “Sem avaliação, não temos diagnóstico. Mas tão importante quanto o diagnóstico é saber o que fazer com ele, e não só usar para ranking”, diz. “Não é preparando o aluno para a prova que vamos resolver o problema”, analisa.

O que é o Pisa

Pisa é a sigla para Programme for International Student Assessment, ou, em português, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Ele é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, no Brasil, a aplicação é responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

O Pisa é aplicado a cada três anos para estudantes a partir do 7º ano do ensino fundamental, com média de 15 anos (idade em que a maioria dos estudantes de todos os países concluem o ensino médio). Na última edição, em 2016, 70 países participaram. Cada edição tem foco em uma área de conhecimento. As edições analisadas pela Andriele (de 2006 e 2015) tiveram foco em ciência.

Em 2016, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e 66ª em matemática. O Japão ficou em 2º lugar em ciências, 8º em leitura e em 5º em matemática.

Sobre a autora

Andriele Ferreira Muri Leite concluiu o doutorado em educação pela PUC-Rio em 2017. Fez doutorado sanduíche na Universidade Gakugei de Tóquio (8 meses) onde antes já havia sido bolsista no Teacher Training Program (2007 a 2009). Atualmente é professora adjunta do Departamento de Educação do Campo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). É autora do livro “A Formação Científica no Brasil e o PISA”. Suas pesquisas situam-se nos campos da educação e do ensino de ciências, com ênfase em Avaliação de Sistemas e Programas Educacionais, Avaliação Internacional Comparada e Desigualdades Educacionais.

Prêmio Capes

Criado em 2005, o Prêmio Capes de Tese é oferecido anualmente às melhores teses de doutorado de cada uma das 49 áreas do conhecimento. Em 2018, 939 trabalhos foram inscritos. Os critérios de premiação consideram a originalidade do trabalho, sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação, além da valorização dada pelo sistema educacional ao candidato.

Fonte: https://g1.globo.com/