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COMO OS ESFORÇOS DO SETOR PRIVADO PODEM AJUDAR A SAÚDE PÚBLICA A ATRAVESSAR A PANDEMIA DA COVID-19 NO BRASIL



Com a pandemia da COVID-19, os desafios que antes enfrentávamos se tornaram mais sensíveis, principalmente para a população mais vulnerável do nosso país, em termos socioeconômicos. E, assim, para combatê-los nas comunidades periféricas afetadas de forma severa pela disseminação da doença, a sociedade brasileira contou com esforços de diversos setores em 2020.

Até o momento, mais de R$8.8 bilhões já foram doados por empresas, associações e campanhas de arrecadação como meio de auxílio no combate aos efeitos da pandemia, de acordo com o Monitor das Doações da ABCR, Associação Brasileira de Captadores de Recursos.

Considerando o alto volume de doações, os recursos podem – e devem – ser encaminhados para diversos fins, contudo, sabe-se que a pandemia demonstrou uma necessidade maior de investimento na área da saúde, com apoio e doação de insumos, para inibir uma crise sanitária em escala nacional. Os investimentos em saúde se encontram em todo o país, considerando que, em média, três a cada quatro empresas investiram em apoios referentes a essa área, segundo dados da pesquisa BISC, Benchmarking do Investimento Social Corporativo deste ano.

Deste modo, o setor privado tende a se destacar, por se apresentar como uma espécie de catalisador, viabilizando soluções para as necessidades sociais mais urgentes e emergenciais. Isso porque, estando livre das amarras burocráticas do Estado, consegue, com mais facilidade, agilizar doações, medidas de suporte à saúde, protocolos de testagem e levantamentos socioeconômicos nos territórios que apresentam maior necessidade de auxílio.

Para ilustrar, segundo estudo da Fundação Arymax, “percebe-se que nem o Estado nem o setor privado podem, sozinhos, promover as transformações necessárias para ampliar as possibilidades de inclusão produtiva. É preciso buscar complementaridades e criar arranjos de coordenação que permitam combinar diferentes tipos de políticas e incentivos”.

Assim, é importante salientar o movimento de algumas empresas, como a Gerdau, que realizou um esforço contundente no apoio à saúde brasileira nesse contexto. A produtora de aço, que já constava entre os maiores doadores do setor privado, uniu forças com a Prefeitura de São Paulo, a Ambev e o Hospital Israelita Albert Einstein para construir um novo centro de tratamento para a COVID-19, exclusivo para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda, fez doações de recursos financeiros para hospitais de Minas Gerais e, ainda, junto ao Hospital Moinhos de Vento, Ipiranga e Grupo Zaffari, entregou em tempo recorde instalações de um centro de tratamento ao novo coronavírus em Porto Alegre.

Outras organizações optaram por redirecionar o seu foco de trabalho para atender às necessidades evidenciadas pela pandemia. O Grupo +Unidos, por exemplo, é um fundo de investimento social, que tem como escopo a capacitação profissional de jovens brasileiros. No contexto atual, aproveitou sua expertise na articulação entre diferentes setores sociais para viabilizar a equipamentação de leitos de UTI/UCI em áreas de vazio assistencial na Amazônia Legal, indicadas pela Secretaria de Saúde local, entre outras ações em diversas regiões do Brasil.

Os dados da pesquisa BISC de 2019 apresentam que os investimentos sociais realizados por empresas em saúde, de 2012 a 2018, representavam somente 3% e, deste total, 10% se concentravam na região Norte do país. Além disso, de acordo com dado do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) – no Estado do Amazonas, por exemplo, todos os leitos de UTI Adulto especializados no tratamento da COVID-19 pelo SUS (176 de 258) estão concentrados em Manaus, justificando o investimento realizado em benefício da rede de saúde estadual, proveniente de fundos internacionais.

Nesse sentido, pode-se inferir que uma descentralização ou interiorização dos leitos e equipamentos nessas regiões é uma medida positiva, que permitirá um legado para o Sistema Único de Saúde local no pós-pandemia, para além dos recursos tão comumente investidos em localidades que são mais frequentemente atendidas e possuem maior cobertura de serviços de saúde.

 

Nina Faria
Gerente de Projetos
Grupo +Unidos

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