RUMO AO MIT: JOVEM CRIA TINDER DO EMPREGO PARA MORADORES DE PARAISÓPOLIS

RUMO AO MIT: JOVEM CRIA TINDER DO EMPREGO PARA MORADORES DE PARAISÓPOLIS

A virada do ano para um jovem estudante brasileiro de engenharia mecatrônica promete muito mais do que votos de saúde e paz. Em 2020, Davi Dom Bosco Silva, universitário bolsista do Insper, vai levar o nome do Brasil para uma das instituições de ensino mais importantes no mundo, o MIT (Massachusetts), nos Estado Unidos.

Aos 21 anos, o estudante se prepara para vencer distâncias. E não só a física. Distância, aqui, tem um sentido mais amplo: o de ir além dos próprios preconceitos na busca por aprender com o outro e também ajudá-lo.

Em terras estrangeiras, o jovem vai apresentar para alunos e docentes do MIT a sua plataforma online “Quero Trampo”, uma espécie de Tinder do emprego para os moradores de Paraisópolis, segunda maior comunidade de São Paulo.

A ideia de Silva foi elaborada junto com Flávia Rodrigues, estudante de marketing da faculdade Ítalo-Americana e educadora social de Paraisópolis.

Como a ideia surgiu e como vai funcionar

A oportunidade de levar o nome do Brasil para o mundo surgiu a partir de uma parceria entre o Insper e o MIT Brasil, braço da universidade norte-americana por aqui. E tudo ganhou forma durante o curso de férias “Design com contextos sociais”.

Voltado para estudantes de diversas áreas, os dois universitários escolheram como objeto de estudo e trabalho do curso “a problemática da empregabilidade na favela”. Trocando em miúdos, a gigante expressão resume a dificuldade que os moradores de comunidades enfrentam ao buscar um emprego simplesmente ao revelarem sua origem, conta Silva.

Com o tema definido, os dois jovens foram se aproximando de Paraisópolis. Conheceram alguns projetos sociais e compreenderam que havia uma necessidade de conectar os moradores às vagas disponíveis no mercado de trabalho, e não só criar sistemas que apenas armazenassem currículos.

“Inicialmente, o projeto era bem aberto: a ideia era ir lá e identificar qual o principal problema dos moradores. Fomos às ruas, fizemos várias entrevistas e perguntávamos: ‘Qual a maior dor enfrentada pela comunidade? Em quase 100% das vezes, o desemprego foi o relato ouvido”, lembrou Silva.

“Ouvimos pessoas que estavam na fila por atendimento médico havia horas. Foi muito impressionante ouvir ali, naquela condição, com problemas mais evidentes, que mesmo a empregabilidade era a maior dor delas”, acrescentou.

Tinder do Emprego

Já com o problema detectado, agora era hora de pensar formas para resolvê-lo. Ou pelo menos, tentar.

Em contato com o programa “Emprega Paraisópolis”, desenvolvido na própria comunidade, os estudantes perceberam que o deslocamento dos moradores até o projeto era um dos fatores limitantes para o fortalecimento da iniciativa —isso limitava cadastramentos (presenciais e centralizados em uma única pessoa, por exemplo).

Foi então que a plataforma online “Quero Trampo”, nos formatos de site e aplicativo, ganhou vida para auxiliar os moradores da comunidade a formularem os seus próprios currículos e conectá-los a vagas compatíveis oferecidas por empresas parceiras.

“Pude entender o quanto ainda de preconceito há contra as pessoas simplesmente em função do local em que elas vivem. A plataforma vai digitalizar e deixar mais ágil o match entre candidatos e vagas, mas a ideia por trás disso é tentar mudar a perspectiva das empresas de que um mercado com mais diversidade é melhor para todo mundo, inclusive para elas, explicou.

“Foi novo e enriquecedor entrar em uma nova realidade e tirar os pré-conceitos da mente para realmente entender a necessidade das pessoas dali, e não vir, simplesmente, com uma fórmula pronta para resolver”, acrescentou.

A versão beta da plataforma deve ficar pronta até março do ano que vem.

Os custos de viagem e hospedagem para os Estados Unidos serão bancados pelo MIT Brasil. Mas, por não ter condições de arcar com o restante, Silva tem tentado diferentes formas para conseguir pagar as futuras despesas.

Uma delas foi a confecção e venda de chaveiros com a mensagem “I love Paraisópolis” —o que já rendeu a ele algum trocado. Paralelamente, começou a procurar estágio para as férias de verão.

Do preconceito a um novo olhar sobre Paraisópolis

O trajeto de Silva até o MIT foi de esforço, mas contou também com boas oportunidades que foram surgindo pelo caminho. Estudou em escola pública a vida toda e é um dos três filhos de um casal de vendedores de pão de queijo de Franca, interior paulista, cidade em que cresceu.

Na infância e adolescência, a saída para uma condição financeira um pouco melhor teve um foco desde cedo: “Sempre tive que buscar meu crescimento e revolução a partir da educação – sempre me interessei por cursos de língua. Por meio de bolsas [de estudo], fiz trabalho voluntário, com a Igreja, com moradores de rua, em projetos para biblioteca. Isso foi me proporcionando oportunidades muito legais”, lembrou.

Uma dessas oportunidades surgiu em 2013, quando ele ganhou um curso de inglês oferecido pela embaixada americana a alunos de escola pública e de baixa renda. Em 2015, participou do programa “Jovens embaixadores”, por meio do qual passou um mês nos EUA em estudos focados em justiça social e liderança.

Já na graduação de engenharia mecatrônica, se tornou bolsista integral e passou a viver em um alojamento estudantil fornecido pela universidade.

Encontrei meu próprio encantamento com os jovens extremamente incríveis dali, que estudam, que sonham. Pude ver diversas faces sociais de uma comunidade que não desiste, apesar das tantas dificuldades”

estudante Davi Dom Bosco Silva

Quando perguntado sobre o que mudou após a experiência em Paraisópolis, o jovem ressaltou que o seu olhar sobre a comunidade mudou bastante. Com o aprendizado diário durante o período que frequentou o local, certas percepções criadas a partir de estereótipos e pela falta de conhecimento foram caindo por terra.

Um dos pré-conceitos, segundo Silva, dizia respeito à própria apresentação do projeto. Inicialmente, foi pensando apenas como site. Nada de aplicativos. Durante a experiência, percebeu que um sistema móvel seria muito mais prático para os moradores.

“Nunca me veio à mente criar um app. E eu deveria entender que, em pleno século 21, todo mundo tem internet, celular”, admitiu. “Meu olhar era muito cru, e creio que toda a percepção que eu tinha era a que me passavam os meios de comunicação. Então, eu estava também muito ansioso para entender aquela realidade”, completou.

Os planos para o futuro de Silva não têm limites. Ele quer continuar usando a sua “engenharia mão na massa” para criar soluções no mundo real. Fora isso, ajudar os seus pais a conquistar o sonho da casa própria está entre as suas metas para o futuro. “Ajudar meus pais seria o sinônimo de sucesso para mim”, concluiu.

Fonte: Uol

DESIGUALDADE ENTRE ALUNOS RICOS E POBRES NO BRASIL ESTÁ ENTRE AS MAIORES DO MUNDO, DIZ ESTUDO

DESIGUALDADE ENTRE ALUNOS RICOS E POBRES NO BRASIL ESTÁ ENTRE AS MAIORES DO MUNDO, DIZ ESTUDO

O Brasil é um dos países com maior desigualdade de aprendizagem entre os estudantes considerados ricos e pobres, segundo os critérios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) mostram que, em todas as provas, o grupo de brasileiros entre os 33% dos alunos de todo o mundo com nível socieconômico (NSE) mais alto teve nota média mais de 100 pontos acima dos 33% de alunos com nível socioeconômico mais baixo.

Considerando todos os 80 países participantes do Pisa 2018, a desigualdade brasileira é a quinta maior em matemática, e a terceira maior em leitura e em ciências.

A análise dos dados foi feita pelo Mapa da Aprendizagem, mantido pelo Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Portal Iede), pela Fundação Lemann e pelo Itaú BBA, e obtida com exclusividade pelo G1.

O Pisa é realizado a cada três anos. Os resultados da edição mais recente, que teve a participação de 80 países, foram divulgados em 3 de dezembro. Entre 2015 e 2018, o Brasil caiu no ranking mundial de educação

Metodologia

nível socioeconômico (NSE) é determinado segundo diversos critérios de renda e escolaridade da família dos estudantes. As comparações de desempenho do estudo foram feitas em três etapas:

  • Primeiramente, o Iede considerou o universo de participantes da prova em todo o mundo – cerca de 600 mil estudantes de 15 anos;
  • Depois, esse universo foi dividido em três partes iguais, de acordo com o NSE de cada aluno. A comparação considera o terço com NSE mais alto e o terço com o NSE mais baixos, cada um com cerca de 200 mil estudantes. Países mais pobres, como o Brasil, ficaram com representação maior entre o grupo dos mais pobres, e menor entre o grupo de mais ricos;
  • O próximo passo da análise foi separar esses dois grupos de estudantes por país. Então, eles foram avaliados de acordo com uma série de características, como o índice de repetência e a nota média nas provas de leitura, matemática e ciências.

Em todas elas, os estudantes da elite brasileira tiveram média de mais de 100 pontos acima dos brasileiros classificados como o terço mais pobre entre os participantes do Pisa. Esse resultado colocou o Brasil no “top 5” da desigualdade mundial nas três disciplinas.

O estudo avaliou ainda a desigualdade de cada região brasileira – algumas delas tiveram disparidade maior do que os países mais desiguais. Veja abaixo a comparação em cada uma das três provas:

O estudo avaliou ainda a desigualdade de cada região brasileira – algumas delas tiveram disparidade maior do que os países mais desiguais. Veja abaixo a comparação em cada uma das três provas:

Matemática

Em matemática, os estudantes com nível socioeconômico baixo apresentaram média de 360,8 pontos, enquanto os de alta renda tiveram média de 461,8. A diferença foi de 101 pontos entre elas.

O Brasil é o quinto pais do ranking com maior diferença entre alunos dos extremos dos níveis sociais. Neste quesito, o país com mais desigualdade é Israel, com 112 pontos de diferença, seguido por Bélgica (104 pontos), Hungria (102) e Eslováquia (102).

Quando avaliadas as regiões do Brasil, o Nordeste é a que apresenta a maior desigualdade, com 107 pontos de diferença, seguida pela região Centro-Oeste (104); Sul (103,9); Sudeste (91,6) e Norte (81,7).

Mas Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Portal Iede, explica que uma desigualdade menor nem sempre é um bom sinal. Nos casos da Região Norte e de alguns países com a menor desigualdade, essa equidade é o resultado do baixo desempenho tanto dos estudantes pobres quanto dos mais ricos (veja no gráfico abaixo). Ela não garante, segundo Faria, que todos os alunos, independentemente de sua renda familiar, tenham o aprendizado adequado na escola.

Do outro lado da lista, os países ou regiões com menor desigualdade foram Macau (China), Cazaquistão, Kosovo, Albânia e Hong Kong (China).

A tabela abaixo mostra alguns dos 80 países participantes do Pisa 2018, incluindo os que têm maior e menor desigualdade, países da América do Sul, países com as principais economias mundiais, o Brasil e as regiões brasileiras:

Pisa 2018: veja a diferença na nota média em MATEMÁTICA dos estudantes de cada país que ficaram entre os 33% mais ricos e mais pobres entre todos os 600 mil participantes do Pisa em todo o mundo — Foto: Aparecido Gonçalves/G1
Pisa 2018: veja a diferença na nota média em MATEMÁTICA dos estudantes de cada país que ficaram entre os 33% mais ricos e mais pobres entre todos os 600 mil participantes do Pisa em todo o mundo — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Leitura

Em leitura, o Brasil ficou em terceiro lugar na lista de países mais desiguais entre alunos de família de alta e baixa renda (veja abaixo). A diferença foi de 102,6 pontos, abaixo apenas de Israel (121) e Filipinas (107). Os alunos brasileiros de alta renda, tiveram média de 492,2 pontos, enquanto os de baixa tiveram 389,6 pontos em média.

Nas regiões brasileiras, o Nordeste apresentou a maior desigualdade, com 112,2 pontos de diferença, seguido pelo Sul, com 107,5; Centro-Oeste, com 101,2; Sudeste, com 89,9 e Norte, com 83,9 pontos de diferença entre as médias.

O “top 5” de países ou regiões com menor desigualdade incluiu Macau (China), Kosovo, Cazaquistão, Hong Kong (China) e Canadá:

Pisa 2018: veja a diferença na nota média em LEITURA dos estudantes de cada país que ficaram entre os 33% mais ricos e mais pobres entre todos os 600 mil participantes do Pisa em todo o mundo — Foto: Aparecido Gonçalves/G1
Pisa 2018: veja a diferença na nota média em LEITURA dos estudantes de cada país que ficaram entre os 33% mais ricos e mais pobres entre todos os 600 mil participantes do Pisa em todo o mundo — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Ciências

Na disciplina de ciências, o Brasil é novamente o terceiro país mais desigual, ficando atrás apenas de Israel e Bélgica. Assim como em leitura, os alunos com altos índices socioeconômicos também tiveram em média 102,6 pontos a mais que os com NSE baixo. Em Israel, essa diferença foi de 107,6 pontos e na Bélgica, de 105,6.

Nas regiões brasileiras, o Centro-Oeste foi o mais desigual, com 110,5 pontos de diferença, seguido por Nordeste (108), Sul (107,5), Sudeste (92,3) e Norte (78,2).

Por outro lado, os países ou regiões com menor diferença entre as notas médias foram Macau (China), Cazaquistão, Kosovo, Montenegro e Hong Kong (China):

Pisa 2018: veja a diferença na nota média em CIÊNCIAS dos estudantes de cada país que ficaram entre os 33% mais ricos e mais pobres entre todos os 600 mil participantes do Pisa em todo o mundo — Foto: Aparecido Gonçalves/G1
Pisa 2018: veja a diferença na nota média em CIÊNCIAS dos estudantes de cada país que ficaram entre os 33% mais ricos e mais pobres entre todos os 600 mil participantes do Pisa em todo o mundo — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Os ricos e pobres no Brasil

Segundo Faria, no Brasil há uma elite muito pequena em relação à quantidade de pessoas pobres, e que isso reflete a desigualdade do país na comparação internacional.

“É importante dizer que o Brasil tem conhecimentos e que temos boas escolas. Mas muito do nosso conhecimento está destinado a uma pequena elite.” – Ernesto Martins Faria (Portal Iede)

Faria defende que o país foque as políticas públicas de educação na redução dessa desigualdade. “A condição social é muito determinante na formação do aluno. Poderíamos pensar como outros países, que oferecem melhores escolas para alunos de baixa renda, e oferecem melhores salários para que professores lecionem em escolas de baixa renda”, ressaltou ele.

 Resultados do Brasil no Pisa 2018, divulgados nesta terça-feira (3) pela OCDE — Foto: G1 
 Resultados do Brasil no Pisa 2018, divulgados nesta terça-feira (3) pela OCDE — Foto: G1 
Resultados do Brasil no Pisa 2018, divulgados nesta terça-feira (3) pela OCDE — Foto: G1
Mapa ilustra as médias em leitura pelo mundo, segundo o Pisa 2018 — Foto: Arte/G1
Mapa ilustra as médias em leitura pelo mundo, segundo o Pisa 2018 — Foto: Arte/G1
Mapa ilustra as médias em leitura pelo mundo, segundo o Pisa 2018 — Foto: Arte/G1

Repetência

O estudo do Mapa da Aprendizagem também comparou o índice de repetência, que avalia quantos alunos nunca repetiram no ensino fundamental. O Brasil, neste quesito, ficou em 11º lugar na desigualdade: 91% dos alunos com família de alta renda nunca repetiram de ano, contra 75% dos alunos de baixa renda. A diferença entre os dois grupos foi de 16 pontos percentuais (p.p.).

O Marrocos foi o país com a maior diferença neste quesito, com 34,5 pontos percentuais separando os alunos ricos e pobres.

Os demais países com desigualdade maior que o Brasil foram Espanha (31.2 p.p.), Bélgica (30,8 p.p.), Luxemburgo (27,5 p.p.), Uruguai (25 p.p.), Argentina (23 p.p.), Portugal (21 p.p.), Líbano (20,6 p.p.), França (18,8 p.p.) e Macau (18,6 p.p.).

Escolaridade das mães

Outro índice importante para avaliar a desigualdade entre os alunos de baixa e alta renda é o nível de escolaridade das mães. Esse é um dos principais fatores do cálculo do nível socioeconômico. Segundo especialistas, há uma forte relação indicando que, quanto maior é a escolaridade da mãe, melhor é o desempenho escolar do filho ou filha.

Nesse quesito, o estudo mostra que o Brasil está na 28ª posição entre os 80 países do Pisa 2018. Apenas 38% dos alunos de baixa renda têm mães que concluíram o ensino médio, enquanto 91,19% dos alunos de famílias com rendas mais altas têm mães com o diploma. A diferença, nesse caso, é de 52,6 pontos percentuais.

Portugal foi o país que teve a maior diferença neste índice: 16,32% dos alunos de baixa renda têm mães com diploma do ensino médio, contra 92,29% dos alunos da elite do país.

Confira outros resultados do Pisa:

Como é feito o Pisa?

  • O Pisa é uma avaliação mundial feita em dezenas de países, com provas de leitura, matemática e ciência, além de educação financeira e um questionário com estudantes, professores, diretores e escolas e pais;
  • O resultado é divulgado a cada três anos – a edição mais recente foi aplicada em 2018 com uma amostra de 600 mil estudantes de 15 anos de 80 países diferentes. Juntos, eles representam cerca de 32 milhões de pessoas nessa idade;
  • No Brasil, 10.691 alunos de 638 escolas fizeram a prova em 2018. São 2.036.861 de estudantes, o que representa 65% da população brasileira que tinha 15 anos na data do exame;
  • O mínimo de escolas exigidas pela OCDE é 150;
  • A prova é aplicada em um único dia, feita em computadores e tem duas horas de duração. As questões são objetivas e discursivas;
  • A cada edição, uma das três disciplinas principais é o foco da avaliação – na edição de 2018, o foco é na leitura;
  • O Brasil participou de todas as edições do Pisa desde sua criação, em 2000, mas continua muito abaixo da pontuação de países desenvolvidos e da média de países da OCDE, considerada uma referência na qualidade de educação.
Resultados do Brasil no Pisa na última década indicam tendência de estagnação, diz OCDE — Foto: Aparecido Gonçalves/G1
Resultados do Brasil no Pisa na última década indicam tendência de estagnação, diz OCDE — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Fonte: G1

MOVIMENTO INOVA CONECTA REPRESENTANTES DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO A SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS INOVADORAS

MOVIMENTO INOVA CONECTA REPRESENTANTES DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO A SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS INOVADORAS

Nos últimos dias 05 e 06 de dezembro, a Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores (EFAPE), em São Paulo, viveu dias agitados em função das atividades promovidas pelo Movimento Inova. Durante esses dois dias, os espaços da sede transformaram num campi de atividades, com mais de 25 palestrantes, 90 oficinas, uma Feira de Ciências, uma Mostra Interativa de Robótica e Computação, um Hackaton, bate-papos e muita cocriação.

O Movimento surgiu com o propósito de permitir uma maior conexão entre professores, alunos e outros integrantes da rede estadual de educação e conectá-los a soluções tecnológicas inovadoras. Ainda, possuiu como objetivo dar a oportunidade para que todos possam vivenciar os três componentes do Programa Inova Educação, (Projeto de VidaEletivas e Tecnologia e Inovação) e promover um ambiente de compartilhamento de ideias e soluções que melhorem o dia a dia da rede.

No pátio da EFAP, estavam expostos 50 projetos da Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo, a FeCEESP. Já nas salas, ocorreram diversas atividades de formação, como cursos rápidos e oficinas, os quais abordaram assuntos variados com professores e PCNPs, como mídia na sala de aula e aprendizagem criativa. Aconteceu também uma Maratona Hackaton, que reuniu a comunidade escolar em torno da resolução de problemas particulares de seu cotidiano. Não menos importante, foi prevista uma programação de palestras com convidados e especialistas em Educação. A programação completa pode ser acessada por meio deste link.

O evento, liderado pela professora Débora Garofalo, finalista do prêmio Global Teacher Prize e responsável pela implementação da área de tecnologia do Inova Educação na Secretaria, foi encerrado com uma Cerimônia de Premiação dos trabalhos destaque. O Diretor Executivo do Grupo +Unidos, Augusto Corrêa, foi o responsável por entregar lado do atual Secretário de Educação, Rossieli Soares, prêmios aos vencedores das categorias Feira de Ciências, Robótica e Hackaton.

O Grupo +Unidos colaborou diretamente a realização do evento em função do apoio que exerce ao Componente de Tecnologia e Inovação do Programa Inova Educação desde junho de 2018, a partir de uma colaboração com duas empresas associadas ao Grupo, Qualcomm e Gerdau. Por sua vez, essa parceria se consolidou a partir do projeto piloto RoboLab, que foi um sucesso e obteve 525 alunos da rede beneficiados diretamente.

Com relação ao ano passado, o Inova Educação traz um maior potencial de escala, abrangendo quase toda a rede estadual de ensino a partir de 2020. Assim, estamos colaborando diretamente com a construção de uma política pública educacional no Estado de São Paulo e multiplicando nosso poder de alcance!

Acesse mais fotos do Movimento Inova por meio deste link.

PAÍSES NO TOPO DO PISA DÃO AOS ALUNOS OPORTUNIDADES IGUAIS E VALORIZAM PROFESSORES, DIZ ANALISTA DA OCDE

PAÍSES NO TOPO DO PISA DÃO AOS ALUNOS OPORTUNIDADES IGUAIS E VALORIZAM PROFESSORES, DIZ ANALISTA DA OCDE

Os países que lideram o ranking mundial da educação, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), investem na valorização de professores e em ações para diminuir a desigualdade entre alunos e escolas.

A análise é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo teste. E as estratégias, se replicadas por aqui, poderiam ajudar o Brasil a melhorar o índice nacional, avalia Camila de Moraes, analista de educação da entidade.

“Países têm estratégias diferentes para melhorar seus sistemas de educação. Porém, podemos observar alguns pontos em comum entre os países com melhor desempenho no Pisa, entre eles estão uma maior equidade entre alunos e escolas de níveis socioeconômicos diferentes e a valorização da carreira docente.” – Camila de Moraes, da OCDE

O Pisa é aplicado a cada três anos e avalia a aprendizagem em leitura, matemática e ciência. Os resultados do Pisa 2018 para o Brasil indicam que 68% dos estudantes de 15 anos não sabem o básico de matemática; 55,3% apresentam baixo desempenho em ciência e 50,1% têm baixo desempenho em leitura.

Comparativo Brasil x melhores do Pisa 2018

Já entre os 13 países que se revezaram no “top 10” da edição mais recente do Pisa, apenas uma minoria de estudantes ocupam a escala mais baixa de proficiência. Eles também estão bem acima do Brasil em relação a outras variáveis, como investimento por aluno e salário dos professores.

Relatório do Pisa 2018 comparou o total acumulado de investimento por aluno dos 6 aos 15 anos de idade — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Relatório do Pisa 2018 comparou o total acumulado de investimento por aluno dos 6 aos 15 anos de idade — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Além disso, boa parte deles apresentou menor variação entre as notas médias dos alunos mais pobres e as dos mais ricos.

Equidade

Um dos pontos do relatório da OCDE é a variação de desempenho entre estudantes de diferentes escolas e regiões do país. Reduzir a desigualdade entre elas seria uma das estratégias para melhorar a educação do Brasil, afirma a analista de educação da OCDE.

Em leitura, os brasileiros de família de alta renda tiveram média 97 pontos mais alta do que os de baixa renda. A média da OCDE é de 89 pontos. Embora a OCDE afirme que essa desigualdade no Brasil não é estatisticamente pior do que a média dos países do grupo, o relatório ressalta que, entre 2009 e 2018, a variação no Brasil aumentou 13 pontos, enquanto a mudança na OCDE foi menor, um aumento de apenas 2 pontos.

“O status socioeconômico foi um forte instrumento de previsão do desempenho em matemática e ciência em todos os países que participaram do Pisa. Ele explicou 16% da variação no desempenho em matemática no Pisa 2018 no Brasil”, afirmou a OCDE, ressaltando que, na média dos países do bloco, esse indicador respondeu por 14% da mesma variação.

Por causa dessa diferença, a OCDE afirmou que apenas 10% dos estudantes de baixo nível socioeconômico foram capazes de tirar notas equivalentes aos 25% melhores desempenhos em leitura. Na média da OCDE, esse índice foi parecido, de 11%.

Na comparação com os países que ficaram no topo do ranking do Pisa 2018, o Brasil, além de estar muito atrás na nota média, também é um dos que apresentou maior desigualdade na nota do grupo de 25% de alunos mais pobres e do grupo com os 25% de alunos mais ricos — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Na comparação com os países que ficaram no topo do ranking do Pisa 2018, o Brasil, além de estar muito atrás na nota média, também é um dos que apresentou maior desigualdade na nota do grupo de 25% de alunos mais pobres e do grupo com os 25% de alunos mais ricos — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Professores

Para a analista de educação da OCDE, Camila de Moraes, há investimentos “muito forte” de valorização de professores em Singapura, por exemplo, um dos países que são estão no topo do ranking do Pisa 2018. Segundo ela, o país consegue atrair e reter talentos.

“Eles conseguem atrair os melhores candidatos para a profissão graças a salários competitivos e um status privilegiado na sociedade. Após entrarem na carreira, professores têm acesso a desenvolvimento profissional contínuo. Além disso, existe uma cultura forte de mentoria, com professores mais experientes ensinando e motivando professores mais novos”, afirma, em entrevista ao G1.

Especialistas ouvidos pelo G1 também apontam a valorização dos professores como uma das estratégias para melhorar a educação brasileira. Outro ponto apresentado por eles é a política a longo prazo, para que possam surtir efeito.

“O que nos diferencia dos países com alto desempenho [no Pisa] é que não colocamos ainda a profissão docente e políticas para estes profissionais como ponto central”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do Todos pela Educação.

Além disso, ao contrário do que se costuma pensar, ter classes com menos alunos por professor não é uma variável com impacto comprovado na melhoria da qualidade da educação. Segundo o relatório do Pisa 2018, a OCDE explica que, em geral, diminuir o tamanho das turmas exige aumentar o número de professores, mas “os resultados sugerem que aumentar o número de professores em uma escola poder ser ineficaz, se isso acontece às custas da qualidade média desses professores”.

Pisa 2018 traz informações sobre o salário inicial anual dos professores — Foto: Rodrigo Sanches/G1
Pisa 2018 traz informações sobre o salário inicial anual dos professores — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Clima nas escolas

Outro ponto que a OCDE analisa é o clima nas escolas. Para Camila de Moraes, o desempenho dos estudantes deve ser analisado tanto em relação aos resultados, quanto em relação a bem-estar dos estudantes.

“É muito importante considerar tanto o desempenho quanto o bem-estar dos alunos. O Pisa mostra que um melhor desempenho não precisa vir acompanhado de mais ansiedade e de um pior bem-estar dos alunos. Países como Bélgica, Estônia, Finlândia e Alemanha atingiram tanto um alto desempenho quanto um alto nível de bem-estar dos alunos”, afirma.

No Brasil, os resultados do Pisa 2018 apontaram que os casos de bullyingindisciplina solidão dentro das escolas do Brasil ocorrem em percentuais acima da média internacional. Para 29% dos estudantes brasileiros que participaram da avaliação, há ofensas nas escolas. Outros 41% dizem perder tempo de aula por causa da indisciplina e 13% relataram se sentir sempre sozinhos durante o período escolar.

Na análise dos dados, é possível ver que 50% dos estudante faltaram a pelo menos um dia de aula e 44% chegaram atrasados na quinzena que antecedeu o Pisa. A média da OCDE é 21% e 48%.

“Sabemos que alunos que sofrem bullying, por exemplo, tendem a faltar mais às aulas”, afirma Camila. Com isso, eles perdem mais conteúdo e auto-confiança para realizar os testes.

Análise do Japão

Um dos países que estão entre os 10 melhores na avaliação de ciências, o Japão foi objeto de estudo para a tese “Letramento científico no Brasil e no Japão a partir dos resultados do Pisa”, feita pela doutora em educação Andriele Ferreira Muri. Ela ganhou o Grande Prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de Humanas na edição de 2018, analisando as edições do Pisa que tiveram como foco a análise de ciências (2006 e 2015). G1 entrevistou Andriele sobre o tema no início deste ano.

Andriele afirma que, entre as ações do Japão, estão:

  • Não reprovar estudantes tem impacto positivo na aprendizagem no Japão;
  • O Japão tem um currículo nacional comum;
  • A formação dos professores faz diferença: no Japão, os professores têm as aulas analisadas por outros colegas. Esta troca permite aperfeiçoar o método, “acelerando a disseminação das melhores práticas em toda a escola ou comunidade”, diz Muri;
  • O uso do tempo em sala de aula é mais otimizado no país asiático: 20% do tempo de aula no Brasil é perdido com questões como orientações gerais, recados administrativos e controle de alunos em sala. No Japão, o índice é de 2%.

Fonte: G1.

(FALTA DE) INGLÊS QUE BARRA O DESENVOLVIMENTO

(FALTA DE) INGLÊS QUE BARRA O DESENVOLVIMENTO

A globalização do mundo dos negócios transformou o que há algum tempo era uma exceção, em regra. Até pouco tempo atrás, o conhecimento de outro idioma que não o nativo era visto por empregadores como um grande diferencial no currículo. Já nos dias de hoje, ser fluente passou a ser um requisito mais que obrigatório.

Isso é ainda mais latente quando levamos em consideração o inglês, que é conhecido atualmente como a língua que conecta a sociedade global. Ele é o meio principal para comunicação com os pares, fornecedores, clientes e parceiros alocados em diversos países e que atuam com operações internacionais. Seu domínio ganha cada vez mais um status de importância similar à formação acadêmica.

Além disso, essa dinâmica do mercado fez com que o idioma fosse também mundialmente usado para os estudos e lazer, se tornando uma das línguas mais faladas mundo a fora. No universo acadêmico, por exemplo, as maiores universidades do mundo adotaram currículos lecionados totalmente em inglês, mesmo nos países em que ele não é nativo, como é o caso da Espanha, por exemplo. Isso vem acontecendo cada vez mais graças aos movimentos de internacionalização do Ensino Superior, que atualmente ganhou espaço e força no Brasil.

E, apesar de ser o idioma mais falado no mundo corporativo, o inglês ainda é visto como uma barreira para os estudantes brasileiros. Para entender a dimensão dessa realidade, o programa Ciência sem Fronteiras precisou, nas primeiras turmas, retornar ao País bolsistas que estavam estudando em locais como Estados Unidos, Inglaterra e Canadá por conta da falta da fluência na língua para acompanhar as aulas e pesquisas.

E não é surpresa para ninguém que a proficiência do país ainda é muito baixa quando comparado com o restante do mundo e com a própria América Latina. Uma pesquisa chamada “Inglês no Trabalho”, conduzida pela QS Intelligence Unit, que atua com coleta de dados do mercado empregador e de educação, com empregadores de países não nativos no inglês concluiu que, dentre os países pesquisados na América Latina, empatamos com a Argentina na posição mais baixa. México, Chile, Colômbia, Venezuela e Peru, nessa ordem, são os melhores colocados, inclusive com índices maiores do que o mundial.

Dentre outros fatores, isso acontece porque ainda estamos em construção de um cenário mais igualitário quando falando a respeito do domínio do idioma, o que representa uma grande oportunidade de negócio para as instituições. Dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi) em 2018 mostram que entre 3% e 4% das escolas privadas já entraram nesse formato, o que representa um universo de cerca de 270 mil estudantes. Considerando os últimos cinco anos, o mercado das particulares formais cresceu 2% ao ano, em média, enquanto a fatia que investiu no bilinguismo se expandiu a índices entre 6% e 10%.

Ainda de acordo com as estimativas da Abedi, o movimento de parcerias para o desenvolvimento dos programas bilíngues representa uma movimentação em torno de R$270 milhões por ano.

Estamos vendo cada vez mais esse movimento com representatividade. As mudanças na Base Nacional Comum Curricular que precisam ser implementadas até o próximo ano só reforçaram ainda mais a necessidade de pensar a língua como estratégica frente ao mundo globalizado que habitamos e à competitividade que as crianças de hoje viverão no futuro.

Mas, também observamos que, no final deste processo, ainda são poucos os brasileiros que conseguem atingir seus objetivos e se comunicar com desenvoltura, dentro do nível pretendido. Mais do que ser obrigatória, é preciso de planejamento e organização da disciplina, levando em consideração estrutura necessária, carga horária adequada e currículos alinhados aos parâmetros internacionais de proficiência. Com isso, conseguiremos dar um passo muito grande e até então inédito para o Brasil.

A começar pelos professores, cujo preparo e capacitação são primordiais para alcançar a eficiência no processo de ensino da língua para os alunos. Isso porque, com o investimento e suporte necessários para o desenvolvimento de habilidades essenciais para lecionar e se adaptar à nova realidade digital, a disciplina tende a ser trabalhada de modo profundo e que contemple a exploração de todas as capacidades. Os profissionais que são melhor ambientados tendem a trabalhar com o aprofundamento necessário para que os alunos tenham uma base sólida do conhecimento, que irá amparar seu uso por toda a vida.

Se esse suporte não for fornecido pelas esferas de gestão, a consequência é que sem estímulo, o aluno não se sinta motivado a praticar ou a ir além dos seus desafios e esse cenário torne-se cíclico.

Essa é uma mudança que pode gerar um grande impacto no futuro dos estudantes. Ao ter contato com programas educacionais bem fundamentados e construídos e ainda no Ensino Fundamental, as chances de aproveitamento total são maiores e, com isso, teremos cidadãos preparados para colocar em uso o segundo idioma cada vez mais jovens. Então, dessa forma, iniciamos uma geração que, além de ter melhores condições de concorrer em situação de igualdade com pessoas de qualquer nacionalidade quando consideramos os processos seletivos de universidades ou empresas no exterior, também vai transmitir mais conhecimentos para as gerações que estão por vir e vai elevar cada vez mais os níveis de produtividade no país.

Mas, para apoiar essa mudança e chegar no resultado ideal, será necessário também evoluir o conceito que a nossa cultura tem sobre avaliação. Nós ainda lutamos para encontrar o caminho certo na atual prática educacional para medir e relatar resultados e será necessário repensar pontos como por que devemos avaliar, o que avaliar e como avaliar para coletarmos dados sobre os resultados do processo de ensino e aprendizagem em uma instituição no dia a dia para promover mudanças mais rapidamente caso o programa não esteja fluindo da forma esperada. Esse processo de monitoramento deve fornecer informações que nos permita fazer alterações importantes ao longo do percurso.

Dessa maneira, contribuiremos não apenas para o individual, mas muito mais para o coletivo, ao desenvolver uma sociedade mais fluente e preparada para lidar com a demanda profissional do mundo globalizado.

Texto: Alberto Costa / Fonte: Direcional Escolas